quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Rei da Cocada Preta"

Pacientes leitores,

Aguenta mais essa mensagem. Pode ser-lhe útil, tanto para entender o mundo, o estrangeiro, como nós mesmos. Nós, brasileiros.

O brasileiro foi para os Estados Unidos a procura de oportunidade de emprego e de uma boa vida.  E conseguiu, com muito esforço.
Mas, o que ele não esperava era que seria absorvido pelo sistema.
O sistema americano envolve, absorve, anula qualquer um. Ou quase.
O emprego não é difícil, as condições são favoráveis, mas, mas, você desaparece. Vira nada.
Você perde o prazer.
Por quê?
Porque nós estamos acostumados a nos imaginar como importantes. Nossa cultura individualista desorganizada permite a cada um se imaginar o maior. Não gostamos de nos anular na cooperação. Não gostamos de ser um a mais.
E, nos EUA, o brasileiro acaba descobrindo que, além de ser um a mais, é um nada, um cidadão de segunda classe.

O brasileiro vai para o Japão.
Recebe um nome, uma classificação. É "dekasseki". Um novo nome para mão-de-obra não qualificada, ou pouco mais.
É absorvido pelo sistema que precisa desse tipo de mão-de-obra porque o japonês não quer mais fazer trabalho braçal.
O brasileiro volta do Japão e é admirado, aqui.
É porque nós valorizamos demais o estrangeiro e tudo que imaginamos que eles são é tem. Sempre imaginamos o melhor.
Até que conheçamos os fatos e façamos justiça tanto ao bom quanto ao ruim.
E conheçamos a nós mesmos.

O missionário sai do Brasil com a idéia de que vai salvar o Japão, ou a China, ou a Indonésia, até descobrir que foi morar em uma das muitas ilhas, ou cidades, num bairro, com poucos relacionamentos e nenhuma importância entre os locais.
Espantei-me ao conhecer, in loco, o trabalho de alguns missionários entre os índios. Os missionários nada são, ali, no meio de gente tão simples, tão humilde, tão sem sofisticação.
Mas, quando eles vinham palestrar em nossas igrejas eles pareciam os tais.
Não eram.

Certamente isso ocorre com todos, mas, parece que nós, brasileiros, somos ainda piores. Nós só aceitamos fazer parte de um sistema que nos dê a posição principal.
Eu diria que os ocidentais têm isso na veia. Somos os tais.
Nossos cartões de visita, o cartão pessoal, sempre indica gerente de alguma coisa. Precisamos estar à frente, ser os melhores.
Num país onde todos querem ser caciques fica difícil encontrar índio.
O Brasil está com empregos sobrando, mas não tem gente qualificada para as funções. A galera não quis se profissionalizar.

Quando trabalhava na construção de um jardim de oração, numa certa igreja, descobri que mesmo o trabalhador técnico, do tipo pedreiro, serralheiro, não aceitava trabalhar a terra. Humilhante para eles.
Gente que trabalha em escritório não aceita trabalho técnico, tipo pedreiro, serralheiro.
E por aí vai.
Chega ao ponto de certo colega dizer: "Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro".
Só tem um cargo que sempre aceitamos: "Rei da Cocada Preta". Ainda que seja cocada preta, temos que ser rei.

Olhamos para o Senhor Jesus e vemos o Filho do Deus Vivo dizendo: "Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também". "Homem de dores, que sabe o que é sofrer" disse Isaías, o profeta.

Fico feliz ao trabalhar no Acampamento Boas Novas e ver tantos jovens e adolescentes prontos a aprender o serviço de chão, cavar, cortar, serrar, construir, dominar os meios, produzir coisas úteis. Que boa escola!
Nós crentes deveríamos valorizar ao máximo todo tipo de trabalho honesto, a exemplo do Pai.
Nós crentes deveríamos nos acostumar com a idéia de não sermos os mais importantes.
Nós crentes deveríamos nos capacitar para todo tipo de trabalho, pois isso certamente nos tornará úteis em comunidades onde vamos para servir, bem interpretando o exemplo do Senhor que se fez servo.

Quando o Senhor Jesus seguia para Jerusalém, Tiago e João discutiam, juntamente com os outros discípulos, quem seria o mais importante. A mãe dos dois pedia que seus filhos fossem colocados, um à direita, outro à esquerda do Mestre, em sua Glória.
Eles falavam em tronos. Eram uns nada!
Ele, que tudo era, falava em cruz. Que contraste!
Tiago foi decapitado logo no início da Igreja. João durou muito e aprendeu a lição do amor. Amor que se humilha para servir.
O Mestre humilhou-se ao mais profundo grau de humilhação e foi exaltado à maior posição e recebeu um Nome que está acima de todo nome. E, ao Seu Nome dobram-se todos os joelhos nos céus e na terra e toda língua confessa que Jesus Cristo é Senhor. Aleluia!

Paz,

Massuia

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