domingo, 10 de abril de 2011

Reportagem com o Pr. Jonas - sucessor do Pr. Eneas Tognini



Pr. titular da I.B. do Povo se emociona ao falar sobre o ministério



Ele construiu sua vida ministerial na Igreja Batista da Lagoinha, onde recebeu sua formação prática e acadêmica. De lá, afastou-se por quatro anos para assumir a Igreja Batista Getsêmani, também em Belo Horizonte, e para servir como missionário na ALBAMA – Aliança Batista Missionária da Amazônia, no Amazonas. Em quinze anos de pastorado na Lagoinha, Jonas Neves exerceu, como diz ele, “um punhado” de ministérios.

Quando aceitou o convite para suceder o Pr. Enéas Togini na IBP, ele era pastor de jovens, há 15 anos, e, há oito, dirigia o Culto da Família, aos Domingos, além de dirigir o trabalho com células, apresentar um programa de rádio e outro de TV e, de quebra, ajudar na administração da igreja. Um homem cuja vida é 100% dirigida pelo Senhor, de fala mansa e sorriso espontâneo. Assim é o nosso pastor. Conheça mais da história do homem simples que está à frente da Igreja Batista do Povo, nos últimos 11 dos seus 30 anos de história.

Boa Palavra: Qual foi sua reação inicial ao convite do Pr. Enéas para assumir a IBP?
Pr. Jonas Neves: Suceder o Pr. Enéas?... Eu?... Jamais!

Boa Palavra: Substituir alguém como Enéas Tognini tinha um peso maior, na sua concepção? Por quê?
Pr. Jonas Neves: Tinha um peso terrível. Ele foi meu reitor e professor no seminário. Participou da celebração de minha Ordenação ao Ministério, em novembro de 1975. Ocupei algumas funções de liderança em nível regional (Minas Gerais) e, também, nacional por um período de mais de 18 anos. Por quase todo esse tempo, o Pr. Enéas era o presidente Nacional da Convenção. Eu conhecia a fera! Ocupando a sua cadeira na igreja local, eu conseguiria dar continuidade ao tão abençoado ministério que ele havia iniciado? Somos extremamente diferentes; a igreja me ouviria? Que provas eu poderia apresentar ao meu próprio coração de que Deus colocava em minhas mãos tamanha responsabilidade? Se eu aceitasse o convite, por questão de honra, procuraria persuadi-lo a não sair da igreja. Ficando, ele acompanharia passo a passo o meu trabalho. Que resultado o meu trabalho produziria no coração desse velho soldado de Jesus Cristo? Ah! Muitas outras questões pesavam em meu coração.

Boa Palavra: O que pesava contra a sua mudança?
Pr. Jonas Neves: Sou paranaense e sempre achei nossas igrejas, de São Paulo ao Rio Grande do Sul, muito formais e frias nos seus cultos. Temia não me adaptar, não ser aceito (e isso quase aconteceu!...) e, pior, não conseguir influenciar para mudança.

Boa Palavra: Como foi o processo desde a primeira recusa até aceitar o convite? Quanto tempo isso durou?
Pr. Jonas Neves: Por questão de lealdade, cada vez que o Pr. Enéas me contactava, durante mais de seis anos, eu compartilhava com o Pr. Márcio Valadão, que era o meu pastor e líder imediato. Quando eu vinha pregar aqui, também o avisava. Eu tinha certeza absoluta de que jamais seria pastor em São Paulo, pois não gostava da cidade. Um dia “a casa caiu”; minhas impressões foram mudadas e... aqui estou eu, há 11 anos.

Boa Palavra: Por que o senhor aceitou vir para cá? O que o convenceu?
Pr. Jonas Neves: Num certo momento percebi que meu tempo na Lagoinha havia chegado ao fim. (...) Em abril de 1998 preguei nas festividades de aniversário da IBP. De volta para o aeroporto, eu disse à Solange e aos dois diáconos que nos levavam: “Eu tenho uma visão preliminar do que faria se viesse para cá, mas não sinto que Deus quer que eu venha”. Como de costume, conversei com o Pr. Márcio e lhe contei tudo. A partir de novembro daquele mesmo ano, decidi entregar algumas áreas ministeriais que estavam sob a minha liderança. Em julho de 1999, a Solange e eu fomos a Bogotá pesquisar o movimento celular e, no meio de mais de 20.000 pessoas que lotavam um estádio, o Senhor falou particularmente comigo, sobre um novo tempo para o meu ministério. Num retiro, dias depois, o Senhor confirmou minha experiência por meio de uma palavra profética entregue por um estrangeiro desconhecido. Ainda não estava claro o que isso significava, mas aumentei a vigilância. Voltamos para BH, narrei a experiência ao Pr. Márcio e pedi uma semana de férias para pensar e orar. Fui para a casa de meus pais, em Maringá, onde conversei com a família e dediquei um tempo à oração. No dia imediato ao meu regresso a BH, um acontecimento inédito me levou a dois dias e meio de oração e profundos gemidos no Espírito. Foi a única vez em que experimentei isso em toda a minha vida. Nesse período, praticamente não saí do meu quarto de oração. Quando saí dali, sabia o que tinha que fazer. Reuni toda a minha família, inclusive os sogros, genro, namorados das minhas filhas, e disse: “Estou indo, agora, entregar o pastorado. Vamos deixar Lagoinha e também, Belo Horizonte”. Foi o que fizemos. Liguei para o Pr. Enéas, que na ocasião era também o presidente de CBN e comuniquei o fato. O convite foi renovado. Entendi que, por ser demasiadamente apegado à Lagoinha, eu estava lutando contra um plano de Deus para a minha vida. Se eu não Lhe obedecesse, logo o grande peixe poderia me engolir. Vi que Deus estava me abrindo novas oportunidades nas quais meu ministério poderia ser mais efetivo, mais leve e mais próspero. Daí, até aceitar o convite da IBP, foi apenas um passo.

Boa Palavra: Como foram os primeiros tempos?
Pr. Jonas Neves: Primeiro, o corte do cordão umbilical. É sempre algo difícil para as emoções. Ainda que, Graças a Deus, não demorou muito para que toda a família se sentisse em casa, nesta megalópole. Enfrentamos problemas internos homéricos. Em meio às batalhas, éramos envolvidos pelos braços calorosos de quase toda a igreja, que nos cobria de amor e nos apoiava em tudo. O apoio da igreja somado às decisões por Cristo eram a nossa alegria e o estímulo para que não desistíssemos.
Boa Palavra: O choque de vir de uma mega-igreja para uma igreja comparativamente pequena foi muito grande? Por quê?

Pr. Jonas Neves: A diferença é inimaginável. Ainda guardo cópia do nosso cadastro, com várias anotações que fiz. Registrava 525 membros ativos. Eu ficava meio perdido, sem saber como avançar, com o que eu considerava tão pouca gente. A linguagem de uma igreja maior é bem diferente, por causa das características naturais impostas tanto pelo número de pessoas, como por sua estrutura, proposta, muitos ministérios, recursos humanos, infraestrutura, recursos materiais e financeiros e outros. Às vezes eu me sentia de pés e mãos atados. Precisei aprender, a duras penas, medir a água com o fubá, para não termos muito angu de caroço. Ah, se não fosse a graça de Deus!...

Boa Palavra: Qual foi a participação da sua família nesse processo de mudança?
Pr. Jonas Neves: Eu não teria ficado aqui por mais de seis meses, se a minha família não estivesse 100% envolvida em tudo. Na minha casa estavam os meus companheiros de lágrimas e de oração.

Boa Palavra: Em algum momento o senhor pensou em voltar atrás?
Pr. Jonas Neves: Pensei, sim. Por três vêzes, não fosse meu temor ao Senhor que me trouxe, e a convicção de que Ele havia me colocado nesta igreja eu teria pedido exoneração. Foram dois anos e meio de bastante luta, mas também de gloriosas experiências com Deus e com os membros da Igreja. A resposta positiva da igreja foi um dos pontos mais fortes na nossa decisão de ficar.

Boa Palavra: Foi difícil pastorear “sozinho” por três anos?
Pr. Jonas Neves: Era necessário. A igreja e eu precisávamos nos conhecer e criar aquela “liga” indispensável à boa convivência, à identificação, à confiança e à prosperidade do trabalho. O começo sempre exige serviço exaustivo, problemas, reuniões prolongadas e conversas ao pé do ouvido. Tudo somado aos cultos normais e novos ministérios. Não seria prudente colocar novos pastores, quando coisas básicas ainda estavam se ajustando.

Boa Palavra: Qual foi a interferência ou atuação do Pr. Enéas nessa época e como é hoje?
Pr. Jonas Neves: O pastor Enéas Tognini é um exemplo raríssimo de companheirismo e fidelidade. Ele é um cavalheiro, um diplomata. Nunca interferiu em qualquer das minhas ações, mesmo nos tempos difíceis. Sempre me fez sentir-me apoiado. Eu tenho 57 anos de idade, ele tem 97 de vida e 70 de ministério. Realmente suas atitudes são um exemplo. Tenho um “santo orgulho” pelo privilégio que ele me dá de ser meu companheiro, amigo e meu vice-presidente - a meu pedido - por todos esses anos. O Pr. Enéas sempre será uma inspiração para mim.

Boa Palavra: O que mudou com a chegada dos demais pastores?
Pr. Jonas Neves: Ganhei amigos, mais que colegas. A igreja não fica nas mãos de um só homem, ao contrário, ela é fortalecida por meio de dons, ministérios e características pessoais diferentes. A estabilidade da equipe oferece segurança ao rebanho.

Boa Palavra: Esperava contar com uma dezena deles, 11 anos depois?
Pr. Jonas Neves: Não. Sempre fui um homem de equipe; não sei trabalhar sozinho. Tenho muita dificuldade de crer que um ministério solo seja bíblico. Todavia, não planejei ter tantos pastores comigo na sede. Hoje, na sede, somos oito de tempo integral e dois de tempo parcial. E está vindo mais!... Fora, são mais 10 pastores da igreja, excetuando-se os missionários adotados.

Boa Palavra: Qual a importância de ter auxiliares idôneos ao seu lado?
Pr. Jonas Neves: Sou vigiado por eles. Juntos, eles e eu vigiamos o rebanho. Assim, dentro das nossas grandes limitações, procuramos nos completar para oferecermos o melhor para ovelhas que Deus nos confiou.

Boa Palavra: O crescimento e as mudanças da IBP foram rápidos ou emperraram em algum momento?
Pr. Jonas Neves: Têm sido contínuos, embora o ritmo diminua, de vez em quando. Sinceramente, procuro não ter um compromisso exagerado com o crescimento numérico. Acredito que o crescimento numérico é bom quando resulta do crescimento qualitativo. Devemos evitar o inchaço, que pode ser confundido com crescimento.

Boa Palavra: O senhor imaginava que a IBP fosse crescer tanto sob a sua batuta?
Pr. Jonas Neves: Quando aceitei o convite, acreditei no nosso crescimento. Desde meu primeiro pastorado, Deus nunca me permitiu desenvolver qualquer trabalho que não prosperasse. É a graça do Senhor! No tempo de decisão o Senhor me disse: “Eu te trouxe para esta cidade, eu te dei esta igreja”. Não quer dizer que, agora, sou o dono da igreja. Entendi, é claro, que Deus nos dará tudo o que precisamos, inclusive o crescimento, para que Ele seja glorificado em nós.

Boa Palavra: Como o senhor avalia a igreja hoje? Pontos fortes e fracos.
Pr. Jonas Neves: Estamos no caminho certo. Quem vive entre nós percebe o quanto temos amadurecido como igreja. Ainda falta muito, também sabemos. O que me alegra é que temos uma multidão faminta de Deus, que tem procurado absorver tudo o que Deus está falando e fazendo aqui. Isso é muito animador! Temos também os que são meros “clientes” da casa.

Boa Palavra: Quais são os seus sonhos para a IBP?
Pr. Jonas Neves: Eu os resumo em duas frases: “cada membro um discípulo, fazendo discípulos que discipulam outros”. E: “Simplesmente Igreja”.

Boa Palavra: Como e pelo o que o senhor gostaria que a IBP fosse reconhecida?
Pr. Jonas Neves: “A igreja que ama”.

Boa Palavra: Como o senhor definiria a IBP – não vale simplesmente igreja (risos)?
Pr. Jonas Neves: Gente de coração simples buscando descobrir e oferecer o seu melhor para Deus.

Boa Palavra: Passa pela sua cabeça, um dia, sair da IBP para um outro ministério?
Pr. Jonas Neves: Sim. Já estou me preparando para isso há muito tempo. Não sei quando, mas irei para o ministério de adoração, no céu (risos). Vamos comigo?! Falando sério: minha vida está nas mãos de Deus, mas, no que depender de mim, passo o resto dos meus dias aqui. É algo muito claro para mim.
Boa Palavra: Como o senhor avalia esses 11 anos em São Paulo?
Pr. Jonas Neves: São os melhores anos da nossa vida. Aprendemos muito, prosperamos em tudo, amamos profundamente a IBP e sentimos o seu amor por nós. Vencidos aqueles dois anos e meio de tempestade, já nos aproximamos do nono ano de paz na igreja com deliciosa harmonia na liderança e extraordinário companheirismo na equipe pastoral. Claro, consertando sempre! Abrimos seis novas igrejas em São Paulo, três na Inglaterra, uma em Torino e, em dois meses, se Deus quiser, plantaremos outra em Roma onde já reunimos um grupo de mais de 20 pessoas. Temos um bom número de missionários no campo. Estamos trabalhando com o alvo de 4.000 membros para o final deste ano. Eu e todos os da minha casa já somos “naturalizados” paulistanos (bem, deixamos alguns em Minas...). Não troco tudo isso por coisa alguma! O que mais me entusiasma é crer que o amanhã será melhor!

Boa Palavra: Que marcas o senhor julga já ter impresso nesta igreja?
Pr. Jonas Neves: Ainda não pensei nisso. Estamos no início de um processo.

Boa Palavra: O que gostaria de ter feito e ainda não foi possível fazer ou Deus não permitiu?
Pr. Jonas Neves: Ainda evangelizamos muito pouco, ou, pelo menos, colhemos pouco fruto na IBP. Meu alvo pessoal é batizarmos 300 pessoas neste ano. Pensando mais sério um pouquinho eu poderia perguntar: não é um número baixo demais considerando a quantidade de membros que temos? Então, vejo que ainda não consegui envolver devidamente os membros na sua tarefa principal como crentes: a de evangelizar e discipular.

Boa Palavra: Qual é a sua emoção em estar aqui nessa comemoração de 30 anos?
Pr. Jonas Neves: Emociona-me olhar para o Pr. Enéas e pensar que aos 67 anos, quando se preparava para jubilar-se, ele teve a disposição de dar ouvidos à voz do Senhor que lhe ordenava começar uma igreja. Emociona-me imaginar os sonhos que o levaram a juntar 14 pessoas e, com elas, pagando alto preço, edificar uma igreja em lugar tão estratégico na cidade de São Paulo. Emociona-me a coragem que ele teve de, como um pai que entrega sua filha ao noivo, entregar-me, “de mão beijada”, essa filha que ela tanto ama. Emociona-me saber da possibilidade que temos, eu e cada membro da IBP, de honrar hoje e sempre a esse verdadeiro apóstolo e ao Senhor que o abençoou com tamanha visão. Emociona-me ser parte do que está acontecendo, porque esta é uma história escrita por Deus, através de vidas humanas.

Boa Palavra: O que a IBP representa na sua vida, no seu ministério e na vida da sua família?
Pr. Jonas Neves: A IBP, hoje, é para mim, como filha. Para os meus, é a família que nos recebeu, que lutou ao nosso lado, que deu razão para que fincássemos raízes em São Paulo. A IBP é um presente de Deus para nós. Por isso queremos servi-la sempre, e com o nosso melhor.
Fonte: Igreja Batista do Povo




Via: www.guiame.com.br

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