sábado, 30 de abril de 2011

A Doutrina Bíblica da Santa Trindade


Base Doutrinária da Sociedade Bíblica Trinitarianas do Brasil






A Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil foi formada em 1831, por homens que estavam profundamente convencidos de que uma instituição com esta precisava de uma base de fé que assegurasse que seus negócios seriam conduzidos por homens que sustentassem o ponto de vista bíblico da igualitária e eterna divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ao elaborar o texto “Estatutos da Sociedade Bíblica Trinitariana”, nossos fundadores declararam:

Os membros desta Sociedade consistirão de protestantes que confessam sua fé da Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; Três Pessoas co-iguais e co-eternas num único Vivo e Verdadeiro Deus.

Num apêndice aos Estatutos, esta verdade bíblica é completamente expressa nestas palavras:

Há somente um Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, divisão ou paixões; com infinito poder, sabedoria e bondade; Aquele que fez e preserva todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis. Em unidade com esse Deus há Três Pessoas, de uma só substância, de um só poder e uma só eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O segundo artigo no apêndice declara que o Filho de Deus é verdadeiramente e eterno Deus, da mesma substância e igual ao Pai; e que no Filho, as duas naturezas, perfeitas e distintas, a Divindade e a Humanidade, foram colocadas juntas, de maneira inseparável, numa única Pessoa.

As bases concluem com a declaração de que “O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é das mesmas únicas substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus”. Estas não são afirmações novas, mas foram produzidas verbatim da Declaração de Fé das Igreja Reformadas, na época da Reforma Protestante. 

A autoridade infalível da Bíblia

Desde os primórdios da história da Igreja Cristã, a verdadeira doutrina das Santas Escrituras a respeito desse assunto vital tem sido mudada e negada, e a maior parte das heresias que têm atribulado a paz da Igreja começou com uma corrupção dessa mesma doutrina. Nos dias atuais o testemunho da Igreja praticante é enfraquecido, de um lado, pela falta do ensino explícito e, de outro, pela hostilidade e descrença. Enquanto isso, muitas falsas seitas alteram a fé do povo de Deus, muitas das quais mostrando-se perdidas quando solicitadas a darem uma resposta bíblica concisa e imediata. Para essa doutrina não há outra autoridade além da Bíblia, a revelação divina, inspirada, infalível e competente, dada pelo próprio Deus. A breve demonstração de evidência que se segue é tirada somente dessa fonte. 

Só há um Deus

A doutrina bíblica da Santa Trindade repousa sobre este fundamento: “o SENHOR é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Deuteronômio 4.35). “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus” (Isaías 45.5). O Novo Testamento não é menos explícito quando o Senhor Jesus cita, a partir de Deuteronômio: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor” (Marcos 12.29). Paulo fala aos coríntios: “sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só” (1 Coríntios 8.4). Ele afirma a mesma coisa a Timóteo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5).

O único Deus é “verdade e vivo”

Estas são exatamente as palavras da Santa Escritura. Jeremias diz: “Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo” (Jeremias 10.10). Paulo lembra aos tessalonicenses que eles haviam se convertido dos ídolos “para servir o Deus vivo e verdadeiro” (1 Tessalonicenses 1.9).

Deus é eterno

As expressões “perpétuo” e “eterno”, que significam a mesma coisa quando relacionadas a Deus, são constantemente usadas pelos escritores sagrados quando falam do Todo-Poderoso. Moisés disse: “O Deus eterno é a tua habitação” (Deuteronômio 33.27). “...de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90.2). Isaías fala do “eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra” (Isaías 40.28). Paulo fala também do “Deus eterno” e do “Rei dos séculos, imortal...” (Romanos 16.26 e 1 Timóteo 1.17). Muitas outras passagens poderiam ser acrescentadas, mas estas já atestam a verdade completamente. 

Deus não possui corpo, divisões ou paixões

O Senhor Jesus Cristo disse à mulher de Samaria: “Deus é Espírito” e, depois da ressurreição, disse aos discípulos: “um espírito não tem carne nem ossos” (João 4.24; Lucas 24.39). Deus é revelado na Bíblia como um Ser espiritual puro, presente em todo lugar, a todo e qualquer instante. “Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR” (Jeremias 23.24). Reconhecidamente, as Escrituras falam das mãos, dos ouvidos e dos olhos de Deus, e de Seu prazer, de Sua ira, de Seu amor, e de Sua aversão, mas esta é a linguagem condescendente a nosso conhecimento imperfeito. A fim de que entendamos alguma coisa de Seu ser e de Sua obra, Ele permite que os homens apliquem suas palavras humanas às coisas divinas. Assim, revela Seu ser divino ao nosso entendimento humano. 

O poder de Deus é infinito

“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra” (1 Crônicas 29.11). O Salvador divino diz: “a Deus tudo é possível”; e o anjo assegurou a Maria que “para Deus nada é impossível” (Mateus 19.26; Lucas 1.37). Esses e outros versículos revelam que Ele tem infinito poder.

A sabedoria de Deus é infinita

“Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito” (Salmo 147.5). A perfeição de Sua sabedoria é vista na obra da criação: “todas com sabedoria as fizeste” (Salmo 104.24). Seu conhecimento alcança tudo no passado e tudo que está por vir: “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras (Atos 15.18). “Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4.13). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). 

A bondade de Deus é infinita

Ao olhar para o que havia criado, Ele viu que tudo “era muito bom” (Gênesis 1.31). “A terra está cheia da bondade do SENHOR” (Salmo 33.5). “... porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1). Os cristãos não precisam de provas quanto à bondade do Senhor além do conhecimento de Seu gracioso presente ao dar Seu eterno Filho para redimir seu povo e salvá-lo dos pecados. Esta é a bondade divina, verdadeiramente infinita e além de nossa compreensão.

Deus fez e preserva todas as coisas

“Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há” (Êxodo 20.11). “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis” (Colossenses 1.16). Ele preserva: “... tu fizeste o céu... a terra e tudo quanto nela há... e tu os guardas com vida a todos” (Neemias 9.6). Todas essas declarações derivam da infalível Palavra de Deus, e sobre elas se firma a doutrina da Santa Trindade. Elas revelam a majestade e a glória do DEUS ÚNICO. As Escrituras mostram com igual clareza que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus, e que há uma Trindade de Pessoas na Unidade da Divindade.

A verdadeira Divindade do Senhor Jesus Cristo

Entre os enganos relacionados à Pessoa do Filho, há a noção de que Ele é Deus somente num sentido inferior, um ser criado, não o Deus “verdadeiro” e “real”, não co-igual e da mesma substância que o Pai. Alguns negam a divindade do Filho completamente, alguns negam que Ele tenha tido “duas naturezas perfeitas e completas: a divina e a humana”. Alguns declaram que na terra Ele era somente homem, e que após Sua ressurreição Ele era Deus somente. Alguns negam Sua humanidade perfeita e alguns, a Sua divindade perfeita. Entretanto, o Senhor Jesus Cristo é “Deus verdadeiro e eterno”. 

O Antigo Testamento fala do Messias nestes termos: “Cinge a espada no teu flanco, herói” (Salmo 45.3); “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo” (Salmo 45.6); “ele é teu Senhor; adora-o” (Salmo 45.11); “e se ch amará o seu nome... Deus Forte” (Isaías 9.6); “este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23.6); e Zacarias declara que Ele é “companheiro” (ou igual) do “SENHOR dos Exércitos” (Zacarias 13.7). 

Ele exerce o poder e a sabedoria de Deus

Quando o Messias prometido estava na terra Ele mostrou, por Suas obras e pela Sua Palavra, que era verdadeiramente “Deus conosco” (Isaías 7.14; Mateus 1.23). Aquelas obras poderosas, que somente poderiam Ter sido feitas pelo “SENHOR Deus... que só ele faz maravilhas” (Salmo 72.18), Cristo realizou por Seu próprio poder e por Sua própria palavra. Ele curou o leproso, deu visão ao cego, levantou o que estava morto, acalmou a tempestade, tudo por Seu próprio poder. Se é alegado que os Apóstolos fizeram milagres, embora fossem somente homens, deve ser lembrado que seu poder derivava dEle, e eles sabiam disso.

Outra prova da divindade do Salvador é vista pelo Seu conhecimento dos corações dos homens. Salomão orou ao Deus Todo-Poderoso: “... porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens” (1 Reis 8.39), e ainda lemos que Jesus percebeu os pensamentos dos corações dos homens (Lucas 9.47), que “... a todos conhecia e,,, bem sabia o que havia no homem” (João 2.24, 25). Nestas coisas, Jesus exerceu um poder que pertencia somente a Deus. Mais uma vez, quem pode perdoar pecados, senão Deus? Ele diz: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões” (Isaías 43.25), e o Senhor Jesus disse: “o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” (Mateus 9.6). 

Ele é adorado como Deus

O Salvador disse: “está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4.10), e ainda sem repreensão, permitiu que essa adoração fosse prestada a Si mesmo, ao declarar: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai” (João 5.23). Lemos sobre um leproso, sobre um legislador, sobre os discípulos num barco, sobre uma mulher de Canaã e sobre um homem cego de nascença, todos eles vieram e adoraram Cristo. Após Sua ressurreição, Maria Madalena e outras mulheres “E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram” (Mateus 28.9). Tomé não foi censurado quando dirigiu-se a Ele como “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20.28). Ele, que apropriadamente recebeu a adoração devida somente ao Senhor nosso Deus, devia ser verdadeiramente o Senhor nosso Deus. 

Ele é declarado Deus

Como os discípulos se referiram ao Senhor ressurreto e elevado aos céus quando Ele enviou o Espírito da Verdade para guiá-los infalivelmente à verdade? João diz: “... o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (João 1.1, 14). Em outra passagem, ele escreve: “... seu Filho Jesus Cristo. 

Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20). Paulo fala aos romanos que Cristo “é sobre todos, Deus bendito eternamente” (Romanos 9.5). Aos Colossenses, ele declara que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2.9). Para Timóteo, ele afirma que “Deus se manifestou em carne” (1 Timóteo 3.16). Na epístola para Tito, Paulo ainda escreve sobre Jesus como sendo o “grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tito 2.13). Pedro também fala dEle como “Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1.1).

 Na visão de Cristo em glória mostrada em Apocalipse, Cristo anuncia Sua presença ao apóstolo amado: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Apocalipse 1.8, 17; 21.6; 22.13). “Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Filipenses 2.10). Todas as criaturas devem levantar uma única voz de adoração ao nosso Deus Salvador, dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5.13).

O Filho é Deus, e da mesma substância que o Pai

O próprio Senhor Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Ele é o “unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14). “Ele é antes de todas as coisas” (Colossenses 1.17). Suas “saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2). Ele era o Verbo que estava “no princípio com Deus” e que “era Deus” (João 1.1, 2).

Ele tomou sobre Si a natureza humana

Jesus nasceu no mundo e cresceu “em sabedoria, e em estatura” (Lucas 2.52). Ele teve fome e sede, comeu e bebeu, sentiu fraqueza e fadiga, dor e tristeza, moveu-se de compaixão e lamentou a aflição daqueles a quem amava e a visão da ruína de Jerusalém. Ele era “em tudo... semelhante aos irmãos” (Hebreus 2.17) e, como eles “participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas” (Hebreus 2.14). Ele tomou “a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo” (Filipenses 2.7, 8). A esse respeito, Ele é descrito como “homem aprovado por Deus” (Atos 2.22); “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5).

Em Sua natureza humana, Ele era completamente homem, nascido de uma mulher quando, no milagre da encarnação, Maria “deu à luz a seu filho primogênito” (Lucas 2.7). É igualmente verdade que Ele era enviado de Deus: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4.4).

A divindade e a humanidade estavam inseparavelmente unidas em uma única Pessoa

Não podemos entender essa misteriosa união, nem mesmo tentar explicá-la, mas sustentamos sua veracidade porque ela é claramente revelada na infalível Palavra de Deus. Como Deus, Ele podia dizer: “antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8.58).; como homem, Ele era a semente de Abraão. Como Deus, era o Senhor de Davi; como homem, era filho de Davi (Mateus 22.43-45). Como Deus, pertenciam-Lhe todo poder e honra, tanto na terra como no céu; como homem, “ele mesmo está rodeado de fraqueza” (Hebreus 5.2). Como Deus, Ele era Senhor de todas as coisas pelo direito da criação, pois “sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3); como homem, foi destituído de todos os bens terrenos e não tinha “onde reclinar a cabeça” (Mateus 8.20). Como Deus, tinha em Suas mãos as saídas da vida e da morte, e tinha poder par a sacrificar Sua vida e poder para tomá-la de volta (João 10.18); como homem, “Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca” (Atos 8.32).

As naturezas divina e humana nunca se separaram. Mesmo depois de Sua ascensão, Ele Se mostra como o Único Mediador – “Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5). Paulo fala do Senhor assunto ao céu como futuro Juiz – “por meio do homem que [Deus] destinou” (Atos 17.31). As Escrituras, portanto, deixam claro que o Senhor Jesus Cristo, como quando na Terra, é e sempre será ambos: Deus e homem. Nele, embora sentado em Seu trono de glória, a natureza humana está, de maneira misteriosa, unida com a divina.

O Espírito Santo é manifestado como uma Pessoa

É indispensável, primeiramente, estabelecer este aspecto verdadeiro, de maneira que, depois, possa ser mostrado que essa Pessoa é divina e da mesma substância que o Pai e o Filho. Aqueles que negam a divindade do Espírito Santo, invariavelmente, negam Sua existência pessoal distinta.
Quando o Senhor estava prestes a deixar Seus discípulos, Ele lhes prometeu: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade” (João 14.16-17). O “Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). “Ele testificará de mim” (João 15.26). “Eu vo-lo enviarei” (João 16.7). “Ele vos guiará em toda a verdade... e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (João 16.13-14).

O próprio Senhor Jesus Cristo era uma Pessoa, e é claro que o “outro Consolador” também seria uma. As coisas que Jesus fala a respeito desse Consolador seria um tanto ininteligíveis se Este não fosse uma Pessoa. Ele deve ser uma Pessoa, pois é enviado, pois ensina, pois traz coisas à nossa lembrança e nos mostra as coisas relativas a Jesus. Estas são descrições das ações de uma Pessoa – ouvindo, recebendo, testificando, falando, reprovando, instruindo e guiando.

Testemunhos das epístolas de Paulo

Paulo nos fala que “... o Espírito ajuda as nossas fraquezas... [e] intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Isto só é verdadeiro quando se fala de uma Pessoa que ajuda e intercede. “Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência... Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Coríntios 12.8-11). É inaceitável que um escritor inspirado usasse esse caráter de linguagem, atribuindo todas essas operações ao Espírito, se tal Espírito não fosse uma pessoa. Mais uma vez, o apóstolo admoesta-nos que não entristeçamos o Espírito de Deus. Tristeza não é um sentimento que possa ser atribuído a alguma coisa além de a uma pessoa. Portanto, o Espírito Santo é uma Pessoa, e isso é claramente definido pelas Santas Escrituras.

A consideração daquelas Escrituras que nomeiam o Espírito Santo conjuntamente com o Pai e o Filho conduzem à mesma conclusão. O mandamento é dado para que se batize no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai e o Filho são Pessoas e o mesmo é verdade para o Espírito Santo. O Senhor Jesus não ordenou a Seus discípulos que batizassem no nome de duas Pessoas e de uma influência abstrata. A bênção inspirada – “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2 Coríntios 13.14) – torna igualmente claro que tanto o Pai é uma Pessoa como o são o Filho e o Espírito Santo.

O Espírito Santo é uma Pessoa divina: “verdadeiro e eterno Deus”

Aqui, novamente, o presente breve artigo não pretende uma prova profunda e exaustiva, mas estabelece exemplos de evidência a partir do tesouro da verdade divina. Em Juízes 15.14, lemos: “o Espírito do SENHOR poderosamente se apossou” de Sansão; porém, em Juízes 16.20, depois que Sansão havia se rendido a Dalila, lemos: “o SENHOR se tinha retirado dele”. Portanto, “o Espírito do Senhor” é o Senhor Jeová, o Deus eterno. Em 2 Samuel 23.2-3, Davi afirmou “O Espírito do SENHOR falou por mim... disse o Deus de Israel...”, o que deixa claro que o Espírito Santo é o Deus de Israel. Em Jó 33.4, Eliú diz: “O Espírito de Deus me fez”, mas Deus é Quem fez todas as coisas; portanto, o Espírito é Deus. No Salmo 139.7, o salmista escreve: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?” As palavras seguintes estabelecem a onipresença e, portanto, a deidade, do Espírito Santo. Em Isaías 6.5-9, o profeta diz: “... os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos... Depois disto ouvi a voz do Senhor... Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis...” O apóstolo Paulo cita essas palavras em Atos 28.25-26: “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: Vai a este povo, e dize: De ouvido ouvireis...” A Pessoa a Quem Isaías chama de Rei, o SENHOR dos Exércitos não é outro senão o Espírito Santo

Os apóstolos mostram que o Espírito Santo é Deus

No Novo Testamento, o anjo que anuncia a Maria o milagre do nascimento do Salvador diz: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35). Aqui, o anjo assinala como uma razão pela qual Cristo seria chamado Filho de Deus o fato de que Ele seria concebido pela operação do Espírito Santo, e a isso se segue que o Espírito Santo é Deus. Em Atos 5.3-4, ao condenar Ananias, Pedro usa a expressões mentir para o Espírito Santo e mentir para Deus como sinônimos: “Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo... Não mentiste aos homens, mas a Deus”. Ao mentir ao Espírito santo, Ananias mentiu a Deus. Portanto, o Espírito Santo é Deus. Paulo escreve aos corínt ios “sois o templo de Deus” (1 Coríntios 3.16) e “o vosso corpo é o templo do Espírito Santo” (1 Coríntios 6.19). De uma comparação desses textos, deduz-se que o Espírito Santo é Deus. Paulo diz: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Timóteo 3.16), e Pedro diz: “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.21). Portanto, o Espírito Santo que inspirou os escritores era Deus. Todos esses textos, e muito outros mais, levam-nos a uma única conclusão: o Espírito Santo é Deus.

O Senhor Jesus Cristo descreve a blasfêmia contra o Espírito Santo como um pecado mais imperdoável que a blasfêmia contra o Filho do Homem (Mateus 12.31). Como pode ser assim, a menos que o Espírito Santo seja Deus? Do mesmo Espírito se diz que Ele busca as profundezas de Deus a fim de conhecer as coisas de Deus, para dar todos os dons espirituais, tais como sabedoria, conhecimento, cura, milagres, profecia etc.. O Deus Todo-Poderoso, sozinho, pode fazer essas coisas, mas elas são constantemente atribuídas ao Espírito Santo que, assim, é declarado Deus. Ele é “das mesmas substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus”.

Ele é igual ao Pai e ao Filho

O escritor aos hebreus expressivamente chama o Espírito Santo de “Espírito eterno” (Hebreus 9.14). Se alguma outra confirmação fosse necessária, poderia ser obtida das palavras a respeito do batismo no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Como poderia o nome do Espírito Santo ser colocado ao lado dos nomes do Pai e do Filho, a menos que Ele, em verdade, fosse o “verdadeiro e eterno Deus”? Na administração da ordenança do batismo é concebível que o nome de um ser inferior seja colocado em igualidade perfeita com o do Pai Todo-Poderoso? As Escrituras revelam que não há outro Deus além dEle; Ele mesmo diz: “a minha glória, pois, a outrem não darei” (Isaías 42.8). A Pessoa cujo nome se mantém com o do Pai e do Filho é, Ela mesma, Deus, o Espírito Santo. A mesma coisa pode ser dita a respeito da bênçã o na qual Paulo invoca a graça e a bênção de Deus sobre os cristãos de Corinto: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” ( 2 Coríntios 13.14). Seria uma blasfêmia introduzir em tal bênção o nome de alguém que não fosse das mesmas substância, majestade e glória que o Pai e o Filho.

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho

Ele é “aquele Espírito de verdade, que procede do Pai”, como o nosso Senhor declara em João 15.26. Portanto, diz-se que ele foi enviado pelo Pai (João 14.26; Mateus 3.16; 1 Coríntios 2.11, 14; 3.16 e Mateus 10.20). É dito que esse mesmo Espírito Santo foi enviado pelo Filho, e é até chamado de Espírito do Filho e de Espírito de Cristo (João 15.26; 16.7; Romanos 8.9; Gálatas 4.6; Filipenses 1.19; 1 Pedro 1.11). Assim, as mesmas expressões usadas para o Espírito em relação ao Pai são usadas para o mesmo Espírito em relação ao Filho e, pela mesma razão, o Espírito “procede” tanto do Filho como “procede” do Pai. O Pai e o Filho enviam o Espírito, Que é uma Pessoa, divina eternamente, e Um com Eles em Seu ser, em Sua majestade, em Sua glória e em Seu poder.

A Trindade em unidade

Com base nessas escrituras, torna-se claro que há somente Um Deus Todo-Poderoso, e é demonstrado com igual clareza que na unidade do Ser Divino há Três Pessoas “de uma substância, mesmo poder e mesma eternidade”. As palavras solenes “no nome do Pai” significam Deus o Pai, e que o Pai é Deus. As palavras seguintes, “e no do Filho e no do Espírito Santo”, significam o Filho que é Deus e o Espírito Santo que é Deus. Paulo conhecia bem o que estava escrito: “A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo” (Isaías 40.25); e “eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim” (Isaías 46.9). O próprio Paulo escreveu: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2 Coríntios 13.14). Nenhum cristão raz oável ou reverente pode, por um só momento, imaginar que o apóstolo inspirado teria escrito uma bênção solene no nome do Deus Todo-Poderoso colocando, deliberadamente, o nome divino entre os nomes de Jesus e do Espírito Santo, a menos que ele cresse (e desejasse que nós também o fizéssemos) que Jesus Cristo é Deus e que o Espírito Santo é Deus, e que, na unidade com o Pai, Eles são o Deus Todo-Poderoso.

A doutrina revelada no Antigo Testamento

A revelação dessa verdade é parte das mais primitivas revelações de Deus à humanidade. A palavra hebraica que traduz “Deus” é “Elohim” – um substantivo plural, sempre relacionado a adjetivos plurais e verbos que claramente denotam a pluralidade de Pessoas na Divindade (p.ex., Gênesis 20.13 – “fazendo-me Deus sair errante”, onde “Deus” e “fazendo-me” são plural; Josué 24.19 – “porquanto é Deus santo”, onde “Deus” e “santo” são plural). Para mostrar que a Divindade é contudo Única, o plural “Elohim” é sempre combinado a substantivos e pronomes singulares: “No princípio criou Deus...” – aqui, “Deus” é plural, enquanto “criou” é singular. O título pelo qual o Todo-Poderoso é designado, “o Senhor teu Deus” é, no hebraico, Jehovah Elohim, onde Jehovah é singular, indicando a unicidade da Divindade; e, Elohim, é plural, indicando a pluralidade das Pessoas nessa unidade. Deve-se lembrar que essas revelações foram feitas a um povo constantemente advertido contra o politeísmo das nações circundantes. É inconcebível que Moisés, escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo, usasse palavras indicando uma pluralidade de Pessoas no Único Deus Eterno, sem que ele mesmo tivesse ficado irresistivelmente impressionado por essa misteriosa verdade e desejasse comunicá-la como parte essencial da revelação.

A verdade revelada nas palavras do Santo

Novamente, Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1.26); “Eis que o homem é como um de nós” (Gênesis 3.22); “Eia, desçamos...” (Gênesis 11.7); “quem há de ir por nós?” (Isaías 6.8). Não se pode atribuir nenhuma razão ao fato do Todo-Poderoso falar de Si próprio dessa maneira, a não ser a verdade de que “na unicidade da Divindade há Três de mesma substância, mesmo poder e mesma eternidade”. Também há muitos lugares onde a mesma verdade é anunciada, se não precisamente declarada. O Senhor ordena a Aarão que abençoe o povo com estas palavras: “O SENHOR te abençoe e te guarde; O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Números 6.24-26). Em Gênesis 18.1-2, lemo s que “DEPOIS apareceu-lhe [a Abraão] o SENHOR... E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele.” Por que Deus apareceria a ele na semelhança de três homens, a menos que fosse para demonstrar essa verdade, que Ele tinha proposto revelar mais claramente em tempos futuros?


Há alguns testemunhos muito claros em Isaías. “... vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira. E virá um Redentor a Sião... diz o SENHOR” (Isaías 59.19-20). Quem é esse “Redentor”? “eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó” (Isaías 60.16). Aqui fala-se de três Pessoas Divinas: o Espírito do SENHOR, o Redentor – o Eterno Filho, que viria para Sião – e o SENHOR, que fala através do profeta. Em outro lugar, lemos: “e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito” (Isaías 48.16). Um estudo do contexto mostra que o orador é o Messias, o Filho de Deus, e as três pessoas da Santa Trindade são claramente indicadas: o Senhor Deus (o Pai), o Santo Espírito e o Filho.

A imutável verdade de Deus

Há uma maravilhosa harmonia e concordância de doutrina em diferentes porções da revelação de Deus à humanidade, e homens santos de Deus em todas as eras, embora nem sempre com o mesmo grau de luz, olharam com os olhos da fé para Deus o Pai (que os elegeu), para Deus o Filho (que os redimiu) e para Deus Espírito Santo (que os regenera e santifica) e alçaram seus corações em adoração ao Deus Triúno, em uníssono com os santos e com os anjos que “não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Apocalipse 4.8).
Este é o firme fundamento da esperança do crente e a segurança da vida eterna. Também é o alicerce sobre o qual todo o trabalho e testemunho da Sociedade Bíblica Trinitariana estão estabelecidos. Tem sido sempre a doutrina da Bíblia, deve ser sempre a doutrina da Sociedade.

“Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (Judas 25). 

A Sociedade se baseia sobre um fundamento trinitariano das Escrituras, que declara:
  • A Unicidade, Igualdade, Divindade e Eternidade de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo;
  • A completa divindade e perfeita humanidade do Senhor Jesus Cristoi;
  • Seu miraculosos nascimento virginal, Sua ressurreição física e Sua ascensão aos céus;
  • Sua falta de pecado
  • Seu sacrifício expiatório
  • A Divindade e personalidade do Espírito Santo.
Esta é uma edição on-line do artigo nº 21, publicado pela Trinitarian Bible Society.
Fonte: www.bíblias.com.br. Acessado em 28.4.11.

LEVANTAI-VOS, PROFETAS DE DEUS !

LEVANTAI-VOS, PROFETAS DE DEUS!

‘’Deixai-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel.’’ 2 Reis 5.8

Creio que o mundo globalizado caminha em sintonia com o calendário profético das Escrituras Sagradas, inclusive no Brasil. Aliás não poderia ser diferente, pois o próprio Senhor Jesus afirmou que: “passará o céu e terra, porém as minhas palavras não passarão”(Mt 24.35). O Mestre alertando os discípulos sobre alguns acontecimentos do cenário mundial que antecederiam o arrebatamento da Igreja e a sua segunda vinda, disse assim: “Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores. Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações......Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Mc 13.7-9,13

Estamos vivendo momentos turbulentos no cenário nacional e internacional no que diz respeito ao cumprimento das profecias bíblicas. Os noticiários constantemente evidenciam isso. Só não vê, quem não quer! A exortação do Senhor feita à Igreja de Filadélfia serve para todos os cristãos de hoje também. Por isso, meu amigo(a) “CONSERVA O QUE TENS...”, pois os julgamentos apocalípticos de Deus sobre esta humanidade incrédula estão cada vez mais próximos. Lembro-me, diante de tantos acontecimentos mundiais atuais, da vida de Noé, pregador da justiça, pois a geração do mesmo era assustadoramente perversa e, conseqüentemente, atraiu inevitavelmente os juízos de Deus. Só o profeta e sua família foram salvos do dilúvio. Lembre-se que: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo designo do seu coração. A terra estava corrompida à vista de DEUS, e cheia de violência. Viu DEUS a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente ha via corrompido o seu caminho na terra. Então disse DEUS: resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia de violência dos homens: eis que os farei perecer juntamente com a terra.”Gn 6.5,11-13. Querido(a), como está o seu relacionamento pessoal com Deus? Lembre-se:´´ Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.´´(Gl 6.7). Pense nisso.

Creio que uma das maiores necessidades da Igreja nesses dias é uma liderança espiritual, sacrificial e plena de autoridade vinda do alto. Hoje, temos muitos “críticos” evangélicos. Falam muito, mas nada fazem! Precisamos verdadeiramente de profetas de Deus nessa nação! Precisamos de líderes destemidos que não prostituam os seus ministérios por causa da fama, do sucesso e do dinheiro....muito dinheiro. O Senhor da Igreja procura líderes que sejam vozes proféticas que proclamem Sua mensagem e Seus juízos para que o povo desse país se converta dos seus maus caminhos, pois assim diz o Senhor: “Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, cometendo graves transgressões, estenderei a minha mão contra ela, e tornarei instável o sustento do pão, e enviarei contra ela fome, e eliminarei dela homens e animais; ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça salvariam apenas a sua própria vida, diz o Senhor DEUS.” ( Ez14.13-14).

Que o Senhor nosso Deus desperte a Sua Igreja nessa nação, “porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus ?” (1Pe 4.17). Vem Senhor Jesus! Aleluia! Ele espera por você! ‘’Em Deus faremos proezas...’’

No amor de Cristo, Pastor M. Price mauricioprice@gmail.com



Missionário e médico. Presidente do Diretório Estadual no RJ e Conselheiro Nacional da Sociedade Bíblica do Brasil. Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Coordenador da Capelania Evangélica Universitária. Evangelista e radialista. Escritor e colunista de vários jornais e revistas cristãs no RJ e Brasil www.mprice.com.br


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Deus te abençoe !
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A Dança de Davi


A dança de Davi, na 2 Samuel 6:15 e no 1 Crônicas 25:29, tem sido usada, muitas vezes, para justificar [a dança] na adoração contemporânea. Existe até mesmo uma canção na Música Cristã Contemporânea (MCC) intitulada “Incompreendido”, pressupondo que, como Davi (supostamente) não foi compreendido naquele tempo e talvez até tenha dançado em trajes íntimos, é normal que haja repulsa ao rock cristão e que se tragam espasmos para ele.

Existem três motivos bíblicos para se rejeitar esta idéia:

Primeiro, Davi não estava realizando uma dança em estilo pagão (Levítico 20:23; Jeremias 10:2 e Romanos 12:2).
      “E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles.” (Lv 20:23 ACF)
      “Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações.” (Jr 10:2 ACF)
      “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2 ACF)

Conforme diz o
EX-líder da MCC, Dan Lucarini, “A dança de Davi fazia parte da tradição masculina judaica de dar [grandes e atléticos] saltos e rodopios, alegremente pinotando ao redor [do cortejo] e saltando ao lado [dele] com brilho ... Certamente, ele não estava tentando escandalizar a multidão com uma dança no estilo dos filipinos ou dos hititas” (It’s Not About the Music, pp. 161-162).

Segundo, Davi não estava em trajes íntimos. Embora Mical, esposa de Davi, dissesse que ele estava “se descobrindo... como sem pejo” (2 Samuel 6:20),  ela quis dizer que ele estava usando um éfode de linho, tipicamente usado pelos sacerdotes, em vez do traje real (1 Crônicas 15:27). Mical não estava afirmando que Davi estava seminu; ela estava se queixando de sua performance “nada realesca”, por não usar as vestes reais e andar naqueles trajes não à altura de sua posição de rei ). Mical era uma mulher carnal, preocupada com a sua posição social.

Terceiro, Davi não estava sendo conduzido pela música sensual. A adoração contemporânea se deixa levar totalmente pelo poder da música; os adoradores são levados a se movimentar conforme a música, o que não foi o caso de Davi. Trombetas, címbalos e harpas estavam tocando (1 Crônicas 15), porém não há menção alguma de que Davi tivesse algo a ver com a música. Ele estava dançando porque estava se regozijando com a misericórdia e a verdade do Senhor. Ele não estava tentando “experimentar a presença de Deus de modo tangível”, conforme é o objetivo da música contemporânea. Os adoradores contemporâneos estão em busca de uma experiência mística [influenciados pelo Hinduísmo], por isso usam o rock & roll. Com o seu compasso sincopado [ e cheio de “contra-batidas”] de música sensual, seus acordes não concluídos, sua sensual técnica vocal e suas repetições, o rock tem o poder de criar a experiência mística buscada pelos adoradores contemporâneos, o que nada tem a ver com o dança de Davi, de 3.000 anos atrás.


David Cloud/Mary Schultze, 29-04-2011.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Primeiras impressões do Ubuntu 11.04

ubuntu logo 1 Primeiras impressões do Ubuntu 11.04
Todo lançamento de uma nova versão do Ubuntu é sempre uma grande festa, e cada release uma expectativa.
O Ubuntu 11.04 - Natty Narwhal, está vindo com grandes novidades, e dentre a mais polêmica, com certeza é o uso do Unity ao invés do Gnome Shell.
Ontem um amigo da faculdade (Kleryston Roberto), baixou e testou o Ubuntu 11.04 em seu Netbook, e mesmo não tendo gostado à princípio da idéia da Canonical, ele percebeu que o sistema está em um excelente nível de maturidade. Ele nos disse o que achou do novo Ubuntu, então pedimos que ele escrevesse um artigo para o Algoritmizando, para compartilhar com vocês também esse conhecimento!
A equipe do Algoritmizando agradece ao Kleryston por essa excelente contribuição à comunidade.
Bruno Barbosa – Co-Fundador Algoritmizando

Primeiras impressões do Ubuntu 11.04

Às vésperas do lançamento oficial do Ubuntu 11.04 “Natty Narwhal”, eu estava um pouco receoso e apreensivo. Confesso que não via com bons olhos a decisão da Canonical em optar pelo Unity como nova interface padrão do seu sistema operacional. Tudo bem que, por agora, será oferecido o Gnome como alternativa, até mesmo para os usuários que não se adaptarem bem a essa novidade. Mas até quando? Esta era minha pergunta.
O meu primeiro contato com o Unity – ou seu projeto inicial – foi na versão 10.04 com o Ubuntu Netbook Remix (UNR). Tinha comprado um netbook e precisava de um sistema que se adaptasse ao pequeno tamanho de sua tela. O UNR aproveitava bem as sete polegadas e produzia um redimensionamento de janelas adequado àquele computador.
O problema é que nunca gostei desta versão para netbook. Apesar de oferecer uma boa apresentação dos programas em uma pequena tela, eu não achava aquele sistema intuitivo e nem de fácil manipulação.
Com o anúncio de que o Ubuntu tomaria novos rumos em seu desenvolvimento, fiquei bastante chateado. Cheguei a pensar em outras distribuições. Não que eu não goste do Fedora ou de outras distros de altíssimo gabarito, no entanto, eu sempre nutri um certo carinho pelo Ubuntu por ter sido ele a minha porta de entrada para o GNU/Linux.
No intuito de tomar uma decisão e acabar logo com essa agonia, resolvi fazer algo que eu não tinha feito em nenhuma das distribuições anteriores: baixar a versão beta e testá-la de uma vez por todas. Criei um Live USB no próprio Ubuntu 10.10 presente no notebook e o resultado dessa experiência é o que tentarei descrever neste artigo, ainda que superficialmente.
Para minha satisfação e alívio, a nova versão do Ubuntu me surpreendeu muito positivamente. E não só a mim, minha esposa também adorou o visual (sim, ela também usa Linux). Talvez nossos olhos tenham se enchido por ter feito o teste primeiramente em uma máquina decente e não em meu netbook – que eu nem considero um computador de verdade, mas um meio de acesso à Internet. Entretanto, pareceu-me evidente que, em termos de funcionalidade, intuitividade e beleza, o Natty Narwhal pouco me lembrou seus “rascunhos” anteriores. A equipe de Mark Shuttleworth caprichou em seu novo brinquedinho.
A tela de carregamento do sistema não traz novidades em relação a seu antecessor – e nem precisava: eu já a considero impecável. Na tela onde se opta por “experimentar” o Ubuntu ou “instalá-lo” em sua máquina, nota-se sutis modificações como no ícone de rede sem fio, que tem a forma de um setor circular vazio quando a rede não está conectada. Entretanto, isso é só o detalhe. A coisa muda de figura mesmo quando o sistema entra de vez no ambiente de trabalho.
O visual é espetacular! Os ícones receberam uma repaginada e estão mais bonitos e atraentes. A barra lateral (dock) está bem mais apresentável e traz, por padrão, botões mais úteis, com é o caso do que abre o diretório pessoal.
Outra evolução significante foi a exibição da “Área de Trabalho” sem a necessidade de recorrer ao diretório pessoal, o que não ocorria no UNR e me deixava perturbado com a falta de objetividade.
A presença do Firefox 4.0 e da suíte LibreOffice 3 colabora com os ares de modernidade que permeiam esse sistema operacional. Falando em modernidade, a combinação da janela de aplicativos com a barra superior ficou fantástica e a ocultação automática da barra lateral e seu modo de notificação, quando uma janela é aberta em segundo plano, deram um show à parte. Obteve-se, com essas modificações, a sensação de mais espaço para a visualização e trabalho, como se o monitor fosse maior do que realmente é.
Não cheguei explorar os recursos do compiz, efeitos em 3D e outras tantas possibilidades oferecidas pelo sistema. Essa crítica mais complexa e detalhada cabe ao pessoal entendido e mais experiente no assunto.
É claro que, como toda mudança, esta também tem seus pontos negativos. Por mais intuitivo que o novo Ubuntu pareça e as melhorias trazidas por ele tenham sido significativas, não há como fazer algo revolucionário sem a necessidade de um período de adaptações e sem desagradar a alguns usuários.
Entretanto, mesmo sem grande profundidade em minhas análises, tenho a dizer que o novo Ubuntu me impressionou a ponto de me deixar ansioso para baixá-lo no próximo dia 28, instalá-lo em minha máquina e continuar com novas descobertas. Estou certo de que este é apenas o começo de uma nova era e muita coisa boa ainda está por vir para a distribuição GNU/Linux mais popular do planeta.
Vida Longa ao Ubuntu!!!”
Abaixo, algumas telas tiradas já com o Ubuntu 11.04:

Quando todos os recursos falham (última devocional de Davi Wilkerson '1931-2011'')

Quando todos os recursos falham (última devocional de Davi Wilkerson '1931-2011'')

Quarta-feira, Abril 27, 2011 1 comentários
última devocional de David Wilkerson postada no site de seu ministério, hoje, 27 de abril, quando o Senhor levou esse servo para si, falecido num acidente de carro.

Mas como ele mesmo escreveu nessa devocional: "Verás que tudo era parte de meu plano. Não foi um acidente"

O Senhor seja louvado!

Crer quando todos os recursos fracassam agrada muitíssimo a Deus e é altamente aceito por ele. Jesus disse a Tomé "Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram." João 20:29

Bem aventurados os que crêem quando não existe evidência de uma resposta a sua oração. Bem aventurados aqueles que confiam mais além da esperança quando todos os meios fracassaram.


Alguém chegou a um lugar de desespero, ao final da esperança e ao término de todo recurso. Um ser querido enfrenta a morte, e os médicos não dão esperança. A morte parece inevitável. A esperança se foi. Orou pelo milagre, porem, esse não aconteceu.

É nesse momento quando as legiões de Satanás se dirigem a atacar sua mente com medo, ira e perguntas opressivas como "Onde está teu Deus? Você orou até não lhe restaram lágrimas, jejuou, permaneceu nas promessas e confiou" Pensamentos blasfemos penetraram em sua mente: "A oração falhou, a fé falhou. Não vou abandonar a Deus, porem não confiarei Nele nunca mais. Não vale a pena!" Até mesmo perguntas sobre a existência de Deus acometem sua mente!

Tudo isso foi dispositivos que Satanás empregou durante séculos. Alguns dos homens e mulheres mais piedosos de todas as eras viveram tais ataques demoníacos.

Para aqueles que passam pelo vale da sombra da morte, ouçam essas palavras: O pranto durará algumas tenebrosas e terríveis noites, mas em meio a essa escuridão logo se ouvirá o sussurro do Pai: "Eu estou contigo. Nesse momento não posso lhe dizer por que, mas um dia tudo terá sentido. Verás que tudo era parte de meu plano. Não foi um acidente. Não foi um fracasso da tua parte. Agarre-se com força. Deixe Eu te abraçar nessa hora de dor"

Amado, Deus nunca deixou de atuar em bondade e amor. Quando todos os recursos falham, Seu amor prevalece: Aferre-se a sua fé. Permaneça firme em Sua Palavra. Não há outra esperança nesse mundo.

tradução: Armando Marcos

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Constragedor - Uma lição de perdão.

 
- Irmã, por favor, me ajude, porque ainda não consegui localizar a igreja!
 
- Mas, pastor, o senhor está bem pertinho! Olha, siga duas ruas à frente após o semáforo e desça à esquerda. No quarto cruzamento vire à esquerda e vá para o número 252.
 
- Ah, meu Deus, direita, esquerda, semáforo, irmã, eu vou me atrasar um pouquinho!
 
O pastor estava procurando a igreja Batista da Vila Colônia. Mas a cidade é grande e era a sua primeira vez naquela região. Levou consigo o guia de ruas, mas, por via das dúvidas, deixou o celular ligado. Tentou orientar-se com a secretária da igreja, que era a esposa do pastor local. Mas ele estava tão aflito, que não conseguia nem achar o semáforo.
 
- Segunda, terceira, ah, droga, cadê esse semáforo? Eu vou chegar atrasado! Meu Deus, me ajude!
 
- Calma, pastor, o senhor vai conseguir já, já! - disse a secretária, do outro lado da linha.
 
Subitamente o pastor cruzou a terceira travessa, enquanto falava com a moça. Foi quando tentou cruzar a terceira travessa. Não percebeu que havia um semáforo bem no cruzamento, e o sinal era vermelho. Ele passou. Na rua que cruzava um outro veículo vinha devagar, obedecendo ao sinal verde. Ao perceber o descuido do pastor, acabou brecando violentamente e conseguiu evitar uma tragédia. Bem, evitou a batida, mas a tragédia... Ele esqueceu de desligar o celular. A irmã o chamava:
 
- Pastor, pastor, o que aconteceu?!
 
O outro motorista, que fora cortado, sem saber que o pastor estava perdido, começou a gritar:
 
- Seu imbecil, não viu que o sinal estava vermelho pra você?
 
- Imbecil é a sua mãe, seu palhaço! Eu cruzo no vermelho quantas vezes quiser e ninguém tem nada com isso! Vai encarar?
 
- Olha, não me ameace não, porque você não sabe com quem está mexendo...
 
- Ah, judiação do nenê! Tô morrendo de medo! Vem, vem me pegar, seu sem-vergonha! Vem se você for homem!
 
A secretária, atônita, pensou:
 
- Meu Jesus, e agora? Ele vai apanhar na rua! E o meu marido que não chega...
 
O motorista do outro carro parou e desceu. Tinha um pedaço de pau dentro do carro, que ele tirou com ares de superioridade. O pastor, por sua vez, sangue quente, enfiou a mão por debaixo do banco e tirou o extintor de incêndios.
 
- Ele quer briga? Pois vai ter! - pensou.
 
Ambos estavam na rua. O celular do pastor estava pendurado na cinta. E a secretária já estava rouca de tanto gritar, inutilmente.
 
- Olha aqui, seu barbeiro - falou o outro motorista - É melhor ir andando, se você tiver amor pelos seus filhos. Você está errado e vai apanhar aqui e agora. Assim, saia enquanto é tempo!
 
- Seu cafajeste, pensa que a rua é só sua? Só você sabe guiar? Vem, vem aqui com o papai, que eu te dou um banho de espuma!
 
A secretária já estava roxa de tanto gritar e agora ficava pálida: eles iam brigar!
 
Mas, subitamente, o outro motorista disse:
 
- Quer saber de uma coisa? Você é insignificante demais pra mim. Não vou estragar meu pedaço de pau numa cabeça tão oca quanto a sua. Dá o fora, imbecil!
 
- ahahahah, amarelou, né, palhaço? Pois eu é que não vou gastar o meu extintor num cara que não honra as calças. Vá pro inferno e não cruze mais comigo!
 
- Vá pro inferno você, babaca!
 
Os dois entraram nos seus carros e saíram cantando pneus, quase batendo novamente. Mas foram embora. O pastor parou o carro e começou a xingar:
 
- Cara fdp, v, c, &*()(  #$@R%^^^& (palavras intraduzíveis, caríssimo leitor. Qualquer dúvida, pergunte para a secretária, que estava na linha, ouvindo tudo).
 
Então, lembrando-se das conferências da noite, cujo tema era MANSOS COMO CRISTO, parou um pouco, tentou lembrar-se do endereço e tentou ligar pra secretária. Sem aperceber-se que havia linha no aparelho, apertou os botões e disse:
 
- Alô? Já atendeu, irmã? Que rapidez!
 
Ela, escandalizada, envergonhada, decepcionada, sem ter o que dizer, falou:
 
- Desce a segunda à direita e vira à esquerda. Número 252.
 
E rapidamente o pastor chegou à igreja. Estacionou, escolheu o seu melhor sorriso, disse consigo mesmo que aquelas coisas acontecem e são passageiras, desceu do carro e, em lugar do extintor, tomou a bíblia e o hinário.
 
As pessoas, ansiosas por cumprimentarem-no, aproximaram-se. Ele, cortez e cavalheiro, a todos atendeu com carinho. O pastor da igreja, que chegara atrasado, estava ocupado na sala de reuniões e iria entrar no decorrer do culto, para apresentar o pregador.
 
O culto começou. Orações, leituras responsivas, corinhos da equipe de louvores, números especiais, um culto e tanto! O pastor-visitante estava feliz.
 
Então, antes de passarem a palavra para ele, chamaram o pastor da igreja, para que ele fizesse a apresentação. O pastor da igreja não o conhecia pessoalmente, só por fama de bom pregador.
 
Foi quando o pastor entrou, pela porta dos fundos, ao lado da esposa, a secretária da igreja. O pastor visitante estava de costas, falando com um corista.
 
O pastor da igreja olhou para o auditório, olhou para o pastor e ficou mudo. O povo imaginava que ele estivesse escolhendo as palavras para apresentá-lo de forma polida e diplomática. Afinal, ele gostava de honrar os visitantes. Mas o silêncio estava custando a passar, e começava a ser constrangedor. Algumas bagas de suor escorriam pela testa do pastor. O pastor visitante, de repente, sentado onde estava, envermelhou-se e abaixou a cabeça, no maior silêncio também.
 
Agora a igreja estava preocupada.
 
Os adolescentes diziam:
 
-"Aí, meu, da hora esse suspense! Acho que pintou sujeira, saca só!"
 
Um garotinho de dois anos olhou pra mãe e perguntou:
 
- "Mamãe, o pastor usa flaldas também? Ele tá fazendo a mesma cala que eu faço quando tô fazeno cocô" . E a mãe: "Cala a boca, menino!"
 
Um seminarista cutucou a namorada, com ares irônicos, e falou:
 
- Tá vendo, bem? Até ele esquece o esboço de vez em quando. Não sei porque só falam de mim".
 
Silêncio na igreja. Um olhava para o rosto do outro, sem saber o que fazer. O coral fazia gestos ao regente, que os mandava aguardar. Eram duzentas pessoas suando, sem saber nem porquê.
 
E o pastor, no púlpito, começou a chorar. A igreja pensou que ele tivesse recebido uma notícia ruim. Mas, estranhamente, o pastor visitante também, e de soluçar!
 
Um universitário, novo convertido, exclamou:
 
- Poxa, cara, surrealismo pós-moderno! Divino!
 
O choro dos dois, cada um no lugar onde estavam, era tão comovente, que muitos começaram a chorar também, sem terem a mínima idéia do porquê. Um crente pentecostal, que estava alí, arriscou a dizer para os seus colegas de banco:
 
- Aleluia, irmãos, acho que ele recebeu o batismo! Eu sabia! Um dia ia acontecer! Aleluia!
 
O pastor visitante levantou-se e desceu da plataforma, chorando. Realmente comovente. Estava indo embora pelo corredor lateral, quando o pastor da igreja disse, ao microfone:
 
- ESPERE!!!
 
- Pra quê?
 
- Porque somos crentes!
 
Então o pastor visitante estacou, virado de costas. O pastor da igreja começou:
 
- Irmãos, há cerca de uma hora eu e ele quase saímos no tapa no cruzamento da rua de cima, por causa de uma briga de trânsito. Ele iria me dar um banho de extintor de incêndios, e eu iria surrá-lo com um pedaço de pau que guardo no carro. Amados, quando é que eu iria imaginar que esse era o homem que eu havia convidado para pregar aqui na igreja hoje?
 
E o pastor visitante, do corredor, exclamou:
 
- E como eu iria saber que o senhor era o pastor da igreja que eu estava procurando?
 
Voltaram a chorar. Agora a igreja chorava de gosto, porque sabia a razão.
 
Um velho diácono, experiente, sincero, leal e consagrado, tomou a palavra e disse:
 
- Igreja, que sermão melhor poderíamos ouvir sobre ser MANSO COMO CRISTO? Esses pastores, humanos, pecadores, falhos, mostraram para nós tudo quanto não devemos fazer, e certamente muitos de nós fazemos até pior! Nós só não temos coragem de dizer! Mas, se eles pecaram, Jesus é fiel e justo para perdoá-los e purificá-los! E essa é a maior lição! Pastores, vocês são crentes! Lembrem-se do que diz a Bíblia: "irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira" (Rm 12.19). Vocês acham que Jesus faria o que vocês fizeram? Ele era manso! Sejam mansos também! E agora façam o favor de se reconciliarem e glorificarem ao Senhor! Vamos, pastores, o que estão esperando?
 
Envergonhados, pálidos, assustados, os pastores saíram de seus lugares e, nas escadas da plataforma, abraçaram-se, pedindo perdão um para o outro, em lágrimas comoventes, que marcaram a vida daquela igreja. Naquele dia o sermão não foi pregado com palavras, mas proclamado com atitudes. Não pelo pecado que cometeram, mas porque aprenderam que pecar custa muito caro. E Deus usou o velho diácono como nunca havia usado. Seja Deus engrandecido.
 
Faz 4 anos que isso aconteceu. E há 4 anos essa igreja não tem mais problemas de ressentimentos ou mágoas, porque, assim que surgem os problemas, são tratados com responsabilidade. Afinal, ninguém quer passar o vexame que os pastores passaram.
 
POIS SENDO RESGATADOS POR UM SÓ SALVADOR
DEVEMOS SER UNIDOS POR UM MAIS FORTE AMOR
OLHAR COM SIMPATIA OS ERROS DE UM IRMÃO
E TODOS AJUDÁ-LO COM BRANDA COMPAIXÃO
 
SE TUA IGREJA TODA ANDAR EM SANTA UNIÃO
ENTÃO SERÁ BENDITO O NOME DE "CRISTÃO"
ASSIM O QUE PEDISTE EM NÓS SE CUMPRIRÁ
E TODO O MUNDO INTEIRO A TI CONHECERÁ
 
(hino 381 do Cantor Cristão, AMOR FRATERNAL, segunda e quarta estrofes)
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo

...e Calvino era calvinista?


Acabo de ler na internet dois artigos sobre o hipercalvinismo. No primeiro, o autor define o termo como “a negação de que a ordem do Evangelho de se arrepender e crer deve ser pregada a todos, sem exceção” (artigo “O que é hiper-calvinismo?”, de Ronaldo Hanko). Mas este é apenas um dos pontos da questão, conforme será abordado no decorrer deste escrito. O segundo artigo diz: “Será que Calvino era calvinista? Claro que não.

Ele era bíblico e suportou alcunhas bem piores dos hereges romanos” (artigo “A Bíblia é hiper-calvinista ou Calvino é hiper-bíblico?”, de Nuno Pinheiro). Na verdade, Calvino era menos calvinista do que grande parte de seus discípulos. Aliás, calvinismo é nada mais do que agostinianismo requintado com os inteligentes argumentos do maior teólogo da Reforma Protestante, João Calvino, cujo nascimento há 400 anos é comemorado efusivamente em 2009, tanto por calvinistas como por não-calvinistas. O pensamento de Calvino, à semelhança dos expostos por Agostinho de Hipona, partiam da soberania de Deus para desembocar na doutrina da eleição, e não o inverso como alguns colocam. Ao mencionar o perigo do hipercalvinismo, que foi uma deturpação do pensamento de Calvino desenvolvida na primeira metade do século 18, destacamos a seguir dois itens inclusos no hipercalvinismo.

Antinomianismo

O termo antinomianismo significa “contra a lei” e defende que não existe lei ou regra de conduta, tendo em vista que somos predestinados por Deus, e por isso as nossas atitudes boas ou más não vão prejudicar a nossa eleição. Em outras palavras, o procedimento do cristão nada tem a ver com o seu status de eleito ou predestinado para a salvação. É um problema ético que se coloca em oposição ao Evangelho de Cristo, assim como nega o que Calvino ensinou e viveu. Calvino era tão correto em sua conduta que foi apelidado na Universidade de Paris como “caso acusativo”. Na sua primeira estada em Genebra, o jovem Calvino exigiu vida correta dos seus “paroquianos”. Como muitos deles eram membros do Conselho Municipal e estavam sujeitos à punição, ele terminou por ser expulso da cidade. Quando Calvino retornou a Genebra, o consistório, que era parte do seu sistema eclesiástico e formado de pastores e presbíteros, tinha a responsabilidade de julgar e punir os que viviam distante dos padrões morais e espirituais que o Evangelho nos ensina. Ao falar em sacramento, Calvino o definiu como “um sinal externo com um testemunho correspondente de nossa piedade para com ele” (Christianae religionis institutio, Calvini opera II, capítulo IV, livro IV, p. 31s). O termo “piedade” pode ser definido como religiosidade ou devoção, que não existe sem estarmos em contato com o Ser Supremo, o qual requer pureza dos seus adoradores. Daí a posição de Calvino favorável a uma vida digna do Evangelho de Cristo.

Também todo o Novo Testamento fala sobre a “santidade” dos cristãos, pois Deus nos escolheu “antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Efésios 1.4). Aquele que aceita Jesus Cristo como seu Salvador tem a experiência do novo nascimento e, embora continue pecando (no aoristo grego), não tem prazer em permanecer no pecado (no presente grego). Deus, que nos salvou, é também nosso advogado (1 João 2.1) e ao mesmo tempo juiz, através de Jesus Cristo. No caso de pecarmos (de forma circunstancial e não permanente) podemos confessar a Deus e “ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9).

Pregação do Evangelho

O segundo item relacionado ao calvinismo é sobre a nossa responsabilidade para pregar o Evangelho. O hipercalvinismo não vê necessidade de se realizar evangelismo ou missões, pelo que afirma: “Uma vez que Deus já escolheu os seus eleitos, não somos nós com a pregação do Evangelho que vamos mudar os desígnios divinos”. Essa era a ideia generalizada na primeira metade do século 18, inclusive atingindo fortemente os Batistas Particulares na Inglaterra (“A history of the Baptists”, de Robert G. Torbet). Todavia, pouco a pouco o assunto foi sendo jogado por terra, graças ao Grande Avivamento de João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield. O interessante é que pesquisas comprovam ter havido mais pessoas ganhas para Cristo através do pregador calvinista Jorge Whitefield do que por intermédio do outro grande líder avivamentalista, João Wesley, que era arminiano.

Embora não haja documentos históricos que comprovem a veracidade do relato a seguir, conta-se que, quando o jovem Guilherme Carey se levantou em uma reunião de batistas calvinistas para falar sobre o dever de pregar o Evangelho aos pagãos, o experiente pastor e líder João Ryland teria dito: “Sente-se, jovem, no dia em que Deus quiser salvar os pagãos ele mesmo tomará as providências sem a sua ajuda e a minha”. Esse era o espírito do hipercalvinismo, que grassava fortemente na ocasião. O estudioso Carey se sentiu encorajado pela obra de seu companheiro André Fuller, publicada em 1785, “O Evangelho digno de toda a aceitação”, na qual é mantida a posição calvinista, mas é também mencionado “que é dever de todo ministro de Cristo clara e fielmente pregar o Evangelho a todos”. Os dois, juntamente com o próprio Ryland mencionado acima e João Sutcliff, prosseguiram no ideal missionário e organizaram a Sociedade Missionária Batista Britânica, em 02 de outubro de 1792, quando foi iniciada uma nova era de missões protestantes no chamado movimento de missões modernas (“A history of the English Baptists”, de A. C. UNDERWOOD). Vejam bem! Não foram arminianos, nem hipercalvinistas que começaram o movimento de missões modernas, mas batistas calvinistas moderados, iluminados pelo Espírito de acordo com o texto em Isaías 54.2: “Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas”.

Considerações sobre Calvino e a eleição

São os homens que confundem os termos bíblicos “eleitos” e “predestinados”, e concluem que “eleição” e “livre-arbítrio” são pontos contraditórios. A eleição de homens e mulheres e o chamado para servi-lo são itens ligados a um Deus presciente, que não tira a responsabilidade deles se arrependerem e crerem. Esta escolha não está condicionada à contingência finita, mas é fruto da sabedoria infinita do Senhor. Deus escolheu Israel como o povo de Deus, mas nem todos os israelitas estavam eleitos para a salvação (Romanos 9.1-16).

Semelhantemente, Deus escolheu através de Cristo a Igreja “dos primogênitos arrolados nos céus” (Hebreus 12.23), que é o “corpo” de Cristo (Efésios 1.23), “coluna e baluarte da verdade” (1 Timóteo 3.15). Entretanto, nem todos os membros da igreja instituição, incluindo a igreja local, são eleitos de Deus. Na verdade, Cristo morreu por todos (posição arminiana), mas nem todos são alcançados pela graça de Deus. Será isso difícil de entender? O homem, imago Dei, foi criado com livre-arbítrio, mas por causa do pecado ele está condenado à perdição. Deus é justo, pelo que ofereceu a todos os homens a oportunidade de salvação. Mas só são eleitos para a salvação os que creem.

Deus não tem de nos prestar contas pelo que ele tem feito, escolhendo-nos para sermos santos e irrepreensíveis e nos predestinando para sermos filhos adotados, “antes da fundação do mundo” (Efésios 1.4-5). Afinal de conta, somos nós que teremos de prestar contas a Deus (Romanos 14.12) e seremos julgados pelo que fizemos ou deixamos de fazer (Apocalipse 20.12-13). Assim, pela misericórdia do Senhor somos salvos, sendo os réprobos condenados pelo decreto eterno de Deus.

A presciência de Deus não tira a responsabilidade que foi entregue à sua Igreja, para anunciar o Evangelho de Cristo em todo o mundo (Atos 1.8). Segundo Calvino, “visto que apenas Deus sabe quem elegeu e quem não elegeu para a salvação, nós pregamos o Evangelho indiscriminadamente, confiando ao Espírito Santo seu uso como meio externo para o chamado efetivo daqueles mesmos que foram escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo” (“Teologia dos reformadores”, de Timothy George).

O tempo de Deus é um só, sem as contingências de passado, presente e futuro. Ele é eterno e para ele não existe ontem nem amanhã. Jamais entenderemos os seus mistérios, como não compreendemos a eternidade e o infinito. “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos. Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?” (Romanos 11.33-34). Tendo o homem sido criado à imagem e semelhança de Deus, ele tem livre-arbítrio. São salvos aqueles que já são conhecidos de Deus e que se arrependem e creem. Não há outro Evangelho. Portanto, é mister sermos fiéis no cumprimento da missão que ele colocou para a sua Igreja aqui na terra. Não há outra alternativa para compreendermos o Evangelho, mesmo sendo limitados para penetrar na grandeza do Deus infinito.

Conclusão

Até mesmo o amor de Deus não pode ser medido pelo ser humano, embora possamos vivê-lo hoje e eternamente. O maravilhoso em tudo isso é que Deus nos ama e pela sua graça nos salvou mediante a nossa fé, para que o servíssemos como discípulos seus, fazendo novos discípulos (Mateus 28.19-20). “Assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3.17-19). Perceberam? O amor de Cristo vai além do nosso conhecimento, mas podemos estar nele alicerçados e saber quão grandioso ele é. Assim, mesmo sem entender este Deus eterno e infinito, estamos seguros em Cristo para sempre, pois, acima de tudo, a eternidade e a infinitude de Deus se resumem na expressão: “Deus é amor”.

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (João 1.14), permitindo que a grandeza do amor, que excede o nosso entendimento (intelectual), fosse por nós compreendida (espiritualmente) pela fé, desde o momento em que Cristo passou a morar em nosso coração. É por isso que Calvino falou sobre a segurança dos salvos ou certeza da salvação, segundo a expressão paulina: “Porque estou bem certo de que (nada) poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8.38-39). Aleluia! “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3.20-21).

* Ao contrário do que foi publicado na primeira parte do artigo, em 2009 são comemorados os 500 anos do nascimento de Calvino, não os 400.

ZAQUEU MOREIRA DE OLIVEIRA

Pastor, escritor e professor do STBNB

Fonte: http://www.ojornalbatista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1422&Itemid=33