terça-feira, 30 de agosto de 2011

Parábola das Dez Virgens e suas interpretações.

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MATEUS 25:
1 "Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo e da noiva. 
2 Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes. 
3 Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. 
4 As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. 
5 E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram. 
6 Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro! 
7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. 
8 E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. 
9 Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. 
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. 
11 Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. 

12 Ele, porém, respondeu: Amem, e eu vos digo, não vos conheço." 



Sobre o texto da Parábola da "Dez Virgens" temos o seguinte:-

Há pelo menos duas correntes de interpretação:


1. Totalista - Segundo essa corrente, os capítulos 23, 24 e 25 não se referem à Igreja, referem-se à Grande Tribulação.


2. Parcialista - Essa corrente crê que só subirão os crentes que estiverem preparados para o arrebatamento.

A segunda corrente enfrenta alguns problemas como:-

a. A narrativa do apóstolo Paulo em I TESSALONICENSES 4. 16, 17, onde diz "os que morreram em Cristo" - "Os que ficarmos vivos". Os termos "os" significa "todos" e não apenas alguns.

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."

a. As palavras do Senhor às virgens néscias são muito fortes:- "Em verdade vos digo que não vos conheço". Todos os salvos são conhecidos do Senhor conforme João 10.14 "Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido".


Essa corrente também admite que apenas aqueles que morreram preparados, cheios do Espírito Santo, irão participar do arrebatamento e do Reino Milenar de Cristo. Embora ausentes da ressurreição que antecede o grande arrebatamento e o milênio, serão participantes do Eternidade com Cristo, ressurgindo em uma "ressurreição especial".

Somos favoráveis à primeira corrente de interpretação pelos motivos abaixo:-

a. O livro de Mateus foi endereçado originalmente aos judeus. Então o texto da parábola de Jesus é dirigido especialmente aos judeus e israelitas. Essa passagem também não se encontra nos outros três evangelhos.

b. O texto retrata a cerimônia de um casamento judaico aonde o noivo vem buscar a noiva e a torna sua esposa no ato nupcial em que atesta a sua virgindade, o que leva algum tempo, para depois retornar para a festa das bodas.

c. Jesus desposa a noiva, a Igreja (salvos de todos os tempos), e não as noivas, termo que não aparece e sim virgens ("noivinhas") que são acompanhantes das festas. Tomar a Igreja como as dez virgens apresenta-se como uma poligamia.

Meus comentários:-

O texto se refere à nação de Israel compreendendo as doze tribos no final dos tempos e da Grande Tribulação; após o tempo da "Graça", portanto. Também é uma cerimônia tipicamente judaica ou israelita. Isso é reforçado pela expressão: "...com o noivo e a noiva" (v.1), encontrada em alguns manuscritos. Vide a versão Peshita: "Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao 

encontro do noivo e da noiva". 

O contexto bíblico da parábola localiza-a no final da Grande Tribulação (vide os dois capítulos anteriores), isto é, na segunda vinda de Cristo à Terra que não deve ser confundida com o Arrebatamento da Igreja e dos salvos.


Como texto paralelo podemos tomar Lucas 12. 35-40 que menciona o "senhor" que é o Senhor Jesus Cristo voltando das festas de casamento ou núpcias. Que casamento é esse? Do noivo Jesus Cristo com a noiva que são os salvos de todos os tempos cujas núpcias dá-se no tempo compreendido entre o arrebatamento até a Sua volta triunfante à Terra no final da Grande Tribulação.


Quem são as dez virgens? O termo virgem aqui se refere ao que chamamos de "damas de honra". São os remanescente de Israel divididos em dois grupos:

- Alguns crerão em Cristo como o Messias, crendo na promessa terão o Espírito Santo para a salvação, o azeite para acender as suas lâmpadas.


- Outros o rejeitarão e por isso não terão o azeite do Espírito. Os pavios de suas lâmpadas não terão combustível para abastecer o fogo e, queimando-se e fumegando logo se apagarão. Correrão para adquirir o azeite, mas não haverá mais quem o venda. Voltarão sem azeite e sem luz, baterão à porta como os contemporâneos de Noé, e a porta não mais se abrirá. Ainda hão de ouvir:- "não vos conheço".

Em Cristo Jesus, nosso Senhor,

Ivo Gomes do Prado

domingo, 28 de agosto de 2011

Estudos sobre a ação social cristã


Alderi Souza de Matos

PERSPECTIVA HISTÓRICAUma das glórias do cristianismo, desde os seus primórdios, tem sido a sua intensa preocupação com a promoção da dignidade humana em todas as áreas da vida. Essa preocupação resultou dos ensinos enfáticos das Escrituras a esse respeito e, mais ainda, do sublime exemplo de serviço altruísta e misericordioso dado pelo próprio Senhor Jesus Cristo.

Os cristãos dos primeiros séculos, vivendo em circunstâncias freqüentemente difíceis de ostracismo e perseguição, continuaram a praticar intensamente a caridade e a beneficência, como havia acontecido no período apostólico. O amor fraternal era uma característica marcante da igreja que impressionava os pagãos, pouco acostumados com essa virtude. Inácio de Antioquia, escrevendo no início do segundo século, critica certos hereges dizendo que “não se preocupam com o amor, nem com a viúva, nem com o órfão, nem com o sofredor, nem com o aflito, nem com os prisioneiro, ou com aquele que foi liberto daprisão, nem com o faminto ou sedento” (Esmirnenses 6.2). A epístola conhecida como I Clemente, do final do primeiro século, fala de crentes que se venderam como escravos a fim de socorrer os necessitados.

Naqueles tempos calamitosos, não somente os cristãos individuais procuravam socorrer os menos afortunados com seus donativos (esmolas), mas as igrejas ampliaram grandemente as suas atividades caritativas. Um dos fatores que contribuíram para o crescimento da igreja de Roma em importância foi a sua conhecida generosidade. Inácio já havia elogiado essa igreja como “aquela que preside em amor” (Romanos) e algumas décadas mais tarde Dionísio de Corinto enalteceu a congregação romana por enviar “contribuições às muitas igrejas em cada cidade, aliviando a pobreza dos necessitados e ministrando aos cristãos nas minas” (Eusébio, Hist. Ecles. 4.23.10). Mais tarde, quando os povos bárbaros começaram a invadir o império, as igrejas e seus líderes, os bispos, prestaram grandes serviços na área assistencial às populações afligidas. As principais igrejas mantinham hospitais, albergues, orfanatos e outras instituições, bem como davam assistência a um grande número de viúvas e outras pessoas carentes.

O ofício diaconal tornou-se muito valorizado na igreja antiga, embora tenha sofrido alguns desvios de seu propósito original. Os diáconos tornaram-se os assistentes pessoais dos bispos, passando a exercer importantes funções litúrgicas e estando diretamente encarregados das atividades beneficentes dacomunidade. Com freqüência, seu número ficava limitado a sete em cada igreja, seguindo o precedente de Atos 6.3. O bispo Fabiano de Roma (236-250), martirizado na perseguição movida pelo imperador Décio, parece ter dividido a cidade em sete regiões, com vistas à administração eclesiástica, cada uma das quais tinha um diácono como supervisor. Assim, quando um bispo morria, freqüentemente um diácono era eleito como seu sucessor.

Com o passar do tempo, a composição social da igreja se alterou. Um número maior de cristãos passou a ser de um nível sócio-econômico mais elevado. Isso levou a igreja a mudar a sua atitude em relação à riqueza, em comparação com os ensinos do Novo Testamento. A riqueza de um cristão passou a ser considerada legítima, contanto que fosse utilizada para socorrer os menos favorecidos. Eventualmente, surgiu o entendimento de que as esmolas e outras obras de caridade possuíam um caráter meritório, traduzindo-se em benefícios espirituais nesta vida e na vida futura para aqueles que as praticavam.

Outro importante desdobramento na área da ação social foi o surgimento do monasticismo. Inspirados nas palavras de Jesus ao moço rico (Mt 19.21) e outros textos bíblicos, muitos homens e mulheres passaram a viver um vida de renúncia do mundo e dedicação exclusiva a Deus, fazendo os conhecidos votos de pobreza, castidade e obediêcia. Apesar de certos aspectos negativos da vida monástica, mais tarde denunciados pelos reformadores protestantes, é inegável que essa instituição deu notáveis contribuições à igreja e à sociedade ao longo de toda a Idade Média, notadamente nas áreas de missões, preservação da cultura e educação. Outra importante área de atividade dos mosteiros foi o socorro aos necessitados, não só em circunstâncias normais como também durante períodos de grave convulsãosocial, como guerras, calamidades naturais e epidemias.

A Reforma Protestante do século 16 manteve essa antiga tradição cristã de uma forte presença na áreasocial. Os protestantes deram uma contribuição adicional nesse campo com as suas novas ênfases teológicas. A eliminação da distinção entre clero e leigos, a valorização da vida diária e das atividades humanas em geral, uma nova ética do trabalho e a grande ênfase na educação para todos contribuíram decisivamente para a melhoria das condições de vida das pessoas ligadas ao movimento. Reformadores como Lutero e Calvino escreveram amplamente sobre temas como pobreza e riqueza, as implicações sociais do evangelho e a atuação da igreja na sociedade.

Calvino foi especialmente incisivo nessa área. Seu longo ministério em Genebra e suas viagens por diversas partes da Europa o colocaram em contato direto com muitos problemas sociais e econômicos. Durante sua vida, Genebra recebeu um enorme influxo de refugiados religiosos, muitos deles totalmente desprovidos de recursos, que se somavam aos muitos necessitados que eram naturais da cidade. Esse reformador escreveu amplamente sobre questões sociais, tanto na sua obra magna, as Institutas, quanto nos seus comentários bíblicos. Esses temas também eram abordados freqüentemente nos seus sermões, que muitas vezes adquiriam um tom profético, à medida que ele denunciava as mazelas e desigualdadesda sua sociedade. Calvino continuamente fazia gestões junto aos concílios dirigentes de Genebra clamando pela eliminação de práticas danosas aos pobres como a cobrança de juros extorsivos e a especulação em torno dos preços dos alimentos (comerciantes locais retinham os estoques para forçar a elevação dos preços).

Estudando as Escrituras, Calvino se inteirou da riqueza de dados bíblicos referentes à responsabilidade dos filhos de Deus para com os sofredores. Ele se impressionou com a ética de solidariedade e generosidade presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. As dádivas de Deus não devem ser usufruídas egocentricamente, mas utilizadas para o bem-comum. Em conexão com isso, ele deu forte ênfase ao ofício diaconal e apoiou decisivamente duas importantes instituições sociais da cidade de Genebra: o Hospital Geral e o Fundo Francês para Estrangeiros Pobres. (Alguns textos recentes que abordam esses assuntos são: André Biéler, O pensamento econômico e social de Calvino; Augustus Nicodemus Lopes, Calvino e a responsabilidade social da igreja; Alderi S. Matos, Amando a Deus e ao próximo: João Calvino e o diaconato em Genebra.)

Gerações posteriores de protestantes notabilizaram-se por sua atuação na área social. Tal foi o caso do pietismo, um movimento de renovação do luteranismo ocorrido no final do século 17, cujos líderes iniciais foram Philip Spener (1635-1705), August Francke (1663-1727) e, um pouco depois, o conde Nikolaus von Zinzendorf (1700-1760), o notável líder dos irmãos morávios. O nome “pietismo” vem de uma obra de Spener, Pia Desideria (Desejos piedosos). Além de suas preocupações básicas na área da espiritualidade, como uma forte ênfase na experiência religiosa e na formação de pequenos grupos para o estudo das Escrituras e a oração, os pietistas deram muita atenção a missões mundiais e à ação social, criando orfanatos, escolas e hospitais.

O pietismo influenciou outros movimentos de avivamento tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, nos séculos 18 e 19. Uma das características desses avivamentos foi a intensa atuação social de muitas pessoas alcançadas pelos mesmos. Na Inglaterra ocorreram tanto o avivamento evangélico quanto o surgimento do metodismo com os irmãos João e Carlos Wesley. Esses movimentos resultaram em muitos esforços em prol das populações carentes e dos trabalhadores. Duas causas em que os evangélicos ingleses se envolveram foram a reforma das prisões e a luta pela eliminação do trabalho infantil nas indústrias de tecidos. Os evangélicos também participaram ativamente, sob a liderança do político William Wilberforce, da campanha pela supressão da escravidão e do tráfico de escravos.

Simultaneamente ao que acontecia na Inglaterra, nos Estados Unidos também ocorreram dois influentes avivamentos. O chamado Primeiro Grande Despertamento verificou-se por volta de 1740 e teve como principais personagens o pastor e teólogo Jonathan Edwards e o pregador George Whitefield, ambos solidamente calvinistas. Edwards escreveu várias obras importantes nas quais descreveu e analisou cuidadosamente o avivamento. Uma das suas contribuições foi a elaboração de critérios mediante os quais se pode avaliar a autenticidade ou não de um avivamento. Ele concluiu que entre as marcas de uma verdadeira manifestação de Deus está, além da transformação espiritual de indivíduos, uma presença transformadora e renovadora da igreja na sociedade. O Segundo Grande Despertamento, ocorrido nas primeiras décadas do século 19, teve como um de seus subprodutos o surgimento de muitas “sociedades voluntárias”, associações de evangélicos voltadas para um grande número de causas relevantes como missões, educação religiosa e secular, e desafios sociais (abolicionismo, temperança, etc.).

No final do século 19 e início do século 20, a difícil situação dos trabalhadores e dos imigrantes nas grandes cidades norte-americanas estimulou o surgimento do movimento que ficou conhecido como Evangelho Social. Seu grande líder foi o pastor batista Walter Rauschenbusch, que escreveu algumas obras influentes sobre o assunto. Porém, o livro que mais popularizou os ideais do evangelho social foi Em seus passos, de Charles Sheldon, publicado no Brasil com o título Em seus passos que faria Jesus. O evangelho social colocava a ênfase não na conversão individual, mas na redenção da sociedade atravésda atuação social dos cristãos. Um de seus slogans mais conhecidos era “a implantação do reino de Deus na terra”. Infelizmente, por causa da forte associação do evangelho social com o liberalismo teológico que ganhava corpo na época, os evangélicos mais conservadores, até então fortemente envolvidos com a área social, começaram a limitar-se a atividades de cunho nitidamente religioso. A reação contra o evangelho social e o liberalismo foi um dos principais fatores que causaram o afastamento dos evangélicos norte-americanos da área social, e essa tendência reproduziu-se em outros continentes.

A partir da década de 1960, a problemática social adquiriu grande visibilidade na América Latina. Num contexto de graves problemas sócio-econômicos em todo o continente, houve o surgimento de inúmeros movimentos de caráter socialista voltados para a solução desses problemas pela via política ou mesmo pela força das armas. Numa reação contra esses movimentos, surgiram regimes de direita em quase todos os países latino-americanos, o que agravou ainda mais essa situação, pela polarização assim criada. Nesse contexto, os cristãos foram desafiados a se posicionarem. Entre os católicos e em menor grau entre os protestantes, surgiu a conhecida “teologia da libertação”, que teve como um de seus primeiros proponentes o sacerdote peruano Gustavo Gutiérrez. No Brasil, o nome mais conhecido foi o do teólogo Leonardo Boff e a expressão mais visível da teologia da libertação foram as comunidades eclesiais de base.

Por causa da sua análise marxista da problemática social e da sua excessiva politização, a teologia dalibertação foi rejeitada pela maior parte dos evangélicos latino-americanos. No entanto, muitos deles sentiram que não podiam manter-se indiferentes às aflitivas realidades do continente. Alguns desses evangélicos preocupados com os problemas sócio-econômicos da América Latina reuniram-se na Fraternidade Teológica Latino-Americana, sendo os nomes mais conhecidos os de Samuel Escobar e C. René Padilla, e no Brasil o de Valdir Steuernagel. Eles têm defendido o que denominam “missão integral”, ou seja, um conceito de missão ao mesmo tempo bíblico e evangélico, mas sensível às complexas realidades espirituais, políticas, sociais e econômicas da América Latina. Criticando os modelos missionários tradicionais, eles propõem um modelo que implica em levar o evangelho integral ao ser humano integral.

Esses teólogos latino-americanos tiveram uma destacada atuação no famoso e influente Congresso Internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, na Suíça, em 1974. Esse congresso marcou a primeira vez em que os evangélicos de vários continentes reconheceram explicita e enfaticamente as implicações sociais do evangelho e da missão da igreja. Naquele encontro, Samuel Escobar afirmou o seguinte: “Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos diários da vida – sociais, econômicos e políticos – é religiosidade e não cristianismo… De uma vez por todas, devemos rejeitar a falsa noção de que a preocupação com as implicações sociais do evangelho e as dimensões sociais do testemunho cristão resultam de uma falsa doutrina ou de uma ausência de convicção evangélica. Ao contrário, é o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimensãosocial.”

Os participantes do congresso aprovaram um documento conhecido como Pacto de Lausanne, que, depois de falar sobre a natureza da evangelização, declara o seguinte sobre a responsabilidade social cristã: “Afirmamos que Deus é tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar dasua preocupação com a justiça e a reconciliação em toda a sociedade humana e com a libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, não importa qual seja a sua raça, religião, cor, cultura, classe, sexo ou idade, tem uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Também aqui manifestamos o nosso arrependimento, tanto pela nossa negligência quanto por às vezes termos considerado a evangelização e a preocupação social como mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o ser humano não seja o mesmo que a reconciliação com Deus, nem a ação social seja evangelização, nem a libertação política seja salvação, todavia afirmamos que tanto a evangelização como o envolvimento sócio-político são parte do nosso dever cristão.”

Concluímos dizendo que desde uma perspectiva evangélica a evangelização, ou seja, convidar os indivíduos, famílias e comunidades à reconciliação e nova vida em Jesus Cristo, certamente é básica e essencial. Todavia, à medida que a igreja evangeliza, ela também precisa expressar o interesse de Deus por todas as áreas da vida e espelhar a atitude daquele que disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”.

sábado, 27 de agosto de 2011

DONS E MINISTERIOS

Felipe Heiderich

 Textos base:

I Pe 4.10-11, Rm 12, I Co 12.1-11 e 28 a 30 e Ef 4.11.

Objetivo:

Como sair de uma igreja de “cargos e poderes” para uma “igreja de ministérios”?
Como ser uma “igreja pluralista” vivendo em “unidade”?

Introdução:

Não buscamos uma igreja perfeita – isso só no céu. Buscamos uma igreja completa, como foi à igreja primitiva. Faço aqui um apanhado geral para mostrar as caracteristicas mais marcante de cada movimento que hoje são principalmente 3: Tradicionais, Pentecostais e Neo-Pentecostais (Cada igreja tem suas particularidades, o objetivo é mostrar o âmbito geral). E com isso mostrar que todos são incompletos em si, como eu e você somos, mas que podemos aprender com a Bíblia e com os outros, que as nossas diferenças não nos separa, mas antes é um excelente motivo de aproximação.

Ex.:

PENTECOSTAIS – São caracterizados pelos dons, principalmente de profecias e curas, sonhos e visões, porém, muitas vezes, deficientes em tratamento e cura da alma; também na área de adoração e louvor, equivocados e incompletos em libertação, indiferentes na questão familiar;

TRADICIONAIS – Organizados, estudiosos, alicerçados nos fundamentos Bíblicos, na área musical tem grande experiência, cuidado familiar e doutrinário e missões transculturais; porém deficientes nos carismas espirituais, no evangelho de massa, na libertação, na oração e intercessão regular e sem experiência na área profética;

NEO PENTECOSTAIS – Avivados, adoradores, evangelistas pessoais, cuidadosos com a família, visão de crescimento, contudo, pôr muitas vezes desorganizados ou sem conhecimento profundo da palavra, alicerce doutrinário fraco e necessidade de melhor conhecimento e aplicação dos dons.

DON – grego – KARISMA – Graça, dádiva, favor.


Enganos sobre os Dons:

·         Foi um mover só para a época dos apóstolos;
·         Só aconteceu porque a igreja ainda estava em formação;
·         O Espírito precisou agir porque os obreiros eram poucos; e

Se o Espírito Santo agiu somente naquela época, hoje a igreja caminha pelo poder dos homens?

Pontos básicos sobre os dons:

  • São dados pelo Espírito Santo ao crente desde a sua conversão (I Co 7:7);
  • Tem como finalidade básica a edificação do Corpo de Cristo (I Co 12:7 e Ef 4:12);
  • Não existe um número limitado de dons (I Co 12:4 e 11);
  • Todos os dons são para os dias de hoje e são úteis e aplicáveis na Igreja. (I Pe 4:10);
  • Todo crente possui pelo menos um Dom (I Co 7:7);
  • Os dons podem ficar adormecidos mas não são retirados do crente (II Tm 1:6 e Rm 11:29);
  • O Dom é diferente de talento. Ambos são dados por Deus mas dom é sobrenatural e o talento é natural; e
  • Os dons só cessarão com a volta de Cristo (I Co 13.8-10, At 2.16-20 e I Co 1.4-9).

  
 Como conseqüência do Espírito Santo habitando em nós temos:

1 – O Fruto do Espírito: Caráter de Deus, Vida em Santidade – 2 Co 3.18 e Gl 5.22-23;
2 – Manifestação do Espírito: (Phaneroses – revelar, mostrar) – I Co 12.4-6.

2.1 - DONS:
Como função (atividade) no Corpo – Rm 12.4-8;
Como carismas ou virtudes (charismata) – I Co 12.6-11.

2.2 - MINISTÉRIOS:
Como conseqüências dos dons – I Co 5.1-20;
Como ministérios principais no Corpo – Ef 4.11-13.

2.3 - OPERAÇÕES (energemata):
Salmos e cânticos espirituais – Ef 5.18-20;
Embriagues do Espírito – At 2.12-14;
Intrepidez – At 4.31 e 14.3;
Arrebatamento físico – At 8.39-40, 2 Co 12.2-4 e Ap 4.1-2;
Visões – At 7.55-56 e 10.10-20.
  

OS DONS:


1Co 12:8-11
"Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, apalavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer.”


São Nove:

Dons de Saber :
·         Palavra de sabedoria.
·         Palavra de ciência (ou conhecimento)
·         Discernimento de espíritos.

Dons de Fazer :
·         Fé.
·         Cura.
·         Operação de milagres.

Dons de falar
·         Profecia.
·         Variedade de línguas.
·         Interpretação de línguas.


Palavra de Sabedoria
É uma promessa do Senhor Jesus (Lc 12:11-15 e 21:12-15). Pode se manifestar como uma capacidade de defender o evangelho (Estevão em At 6:9-10), para o aconselhamento à irmãos e ainda por uma palavra prudente em questões difíceis (contendas e divisões na Igreja). Deus traz a sua mente, te faz lembrar de algo já conhecido.

Palavra de Conhecimento
É a revelação pelo Espírito Santo de algo oculto ou desconhecido aos homens. O Espírito, que tudo conhece (por ser Deus) revela algo que, de maneira natural, não poderia ser sabido por ninguém. Ex: Ananias e Safira (At 5) e II Pe 3.15-16 sobre a revelação de Paulo.

Discernimento de Espíritos
É um Dom ligado a proteção do rebanho, pois o Espírito Santo capacita o crente para perceber falsos mestres (I Jo 4:1-3) e detectar espíritos enganadores (Mt 7:15). É um Dom útil ao ministério pastoral para detectar também comportamentos errados e falsos ensinos (Gl 2:11-14). Um dos dons mais necessários nos últimos dias. NÃO É PARA LER PENSAMENTOS.

Não é o que chamamos fé para “salvação”. É a capacidade do crente de ter a certeza que suas orações estão sendo respondidas. Uma pessoa com esse Dom anima todas as outras em situações difíceis, levando-as a perseverar. (Mc 11:24 - ele já fez! / At 27:21-26 - Paulo declarando a salvação e Sobre Abraão e Isaque)

Cura
É um Dom para ser usado na Igreja e está muito ligado a fé. Tem como propósito libertar doentes e aflitos e destruir as obras de satanás, confirmar a palavra pregada, dar testemunho de Jesus Cristo e glorificar ao Pai. Toda cura é obra divina mas não há mal em tomar remédios (II Rs: 20:7).

Operação de Milagres
Visa ressaltar e confirmar para a Igreja o poder de Deus e Seu senhorio sobre tudo, incluindo as forças da natureza e a matéria. Milagres são a concretização de tarefas impossíveis, realizações espirituais (água em vinho, mar vermelho se abrindo, Jesus andando sobre as águas, acalmando a tempestade, multiplicando pães e também como cura).

Profecia
É expressar palavras. Quando o Espírito Santo usa alguém para falar a igreja ou a outra pessoa. Não deve ser confundida com a pregação, embora a pessoa possa profetizar enquanto prega. NÃO É PREDIZER O FUTURO. Ler I Co 14.

Dom de Línguas (único para edificação própria)
É o Dom que causa maior polêmica dentro da Igreja. Existem, segundo a Bíblia, “língua dos homens” (At 2) e “língua dos anjos” (I Co 13 e 14). É importante lembrar o sobre ele:
Este é o menor dentre os dons;
Não é marca obrigatória da habitação do Espírito Santo;
O que fala em línguas deve orar para interpretá-las a fim de edificar a Igreja; e
Deve ser usado na Igreja como ensinado em I Co 14.

Interpretação de Línguas
É o entendimento das línguas para comunicá-las a Igreja, visando a edificação do Corpo de Cristo. É um Dom complementar e muito necessário aos que possuem o Dom de línguas.

Recebemos os dons para servir

Tanto em Romanos quanto em I Coríntios Paulo fala sobre o corpo de Cristo, a Igreja; e em seguida fala sobre os dons.

Ele começa falando que somos o corpo de Cristo, que somos membros uns dos outros, que cada membro tem a sua função e em seguida fala dos dons.

A vida no corpo de Cristo está diretamente ligada com a operação dos dons.
A edificação do corpo se dá pelo próprio corpo de acordo com o fluir dos dons.

O Espírito Santo opera em cada um de nós e capacita a cada um de nós para vivermos no corpo de Cristo de forma abençoadora, edificando os que estão a nossa volta. Quer seja comprofeciaspalavrascurasensino, em tudo.

É o Espírito Santo que promove os ligamentos do corpo, articulações. Ele é a seiva da videira. (ex: engrenagem e óleo)

Se quisermos ser cheios dos dons do Espírito temos que nos envolver com a vida do corpo (igreja), temos que nos relacionar uns com os outros. Deus não vai nos encher de dons se estivermos isolados, vivendo individualmente e sem relacionamento com os irmãos. Todos os dons que recebemos são para edificação da igreja  (1Co 12:7), somente o dom de línguas é para edificação pessoal (1Co 14:4).

I Pe 4:10-11
Servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.”

Qual a função do despenseiro ? Entregar aquilo que está guardado na despensa.
Devemos entregar (manifestar) a igreja aquilo que temos recebido de Deus como bons despenseiros, para que todos sejam edificados e  Deus seja glorificado.



OS MINISTÉRIOS


A palavra ministério vem do grego:

Diakonia: todo tipo de serviço, SERVIR (Lc 13.37, Jo 12.2, I Co 3.5, Hb 1.14 e Rm 15.8).

E também pode ser vista como:
Doulos: trabalho feito por um escravo ao seu senhor, um servo (At 4,29, I Co 9.19 e 7.12 e Cl 4.12).

MINISTÉRIO - vida de serviço na Igreja.

É quando Deus, em sua soberania, escolhe alguns homens para certas funções. Ele os chama e concede dons para um ministério específico. Este dom é uma graça (capacitação) que alguém recebe para desempenhar determinada função no corpo.

Os ministérios são 5 (são chamados de ministérios quíntuplos):
1.      Pastores – são os que pastoreiam as ovelhas de Deus;
2.      Evangelistas – é um comissionamento direto do Senhor para Pregar a palavra para salvação de almas;
3.   Mestres – são os que ensinam a palavra, não por habilidade natural, mas por capacitação do Espírito Santo;
4.      Profetas – fala por inspiração e revelação direta de Deus;
5.      Apóstolos – engloba quase todo tipo de ministério.


PASTOR

Ef. 4:11

 

Exceto para o caso de Jesus, a palavra “pastor” é usada somente uma vez no N.T.

Isso parece estranho se entendermos que este é o ofício mais amplamente reconhecido no ministério cristão hoje. Mas, há muitas referências indiretas a este ofício.

A palavra grega traduzida como pastor significa literalmente “pastor de ovelhas”.

O ofício é aplicado ao Senhor Jesus Cristo, nosso grande exemplo de um verdadeiro pastor (Jo. 10:11; Hb. 13:20; 1 Pe. 2:25; 5:4).

Jesus é o grande Pastor, o Pastor supremo, de todas as ovelhas de Deus.

Jesus tem pastores auxiliares. Um ministro pastor é um pastor auxiliar.

 

Os pastores são necessários para o amadurecimento e preparação dos santos.

Nos dias do N.T., no começo da igreja primitiva, eles precisavam de pessoas para exercerem a função de supervisão e cuidado do rebanho. Este é o ofício de pastor.

Jesus teve compaixão das pessoas “porque estavam como ovelhas sem pastor”. Ovelhas sem pastor ficam dispersas e desviam-se, vemos isso em grupos onde não há pastores.

Aquele que é chamado para ser pastor se estabelecerá na localidade do rebanho.

 

O pastor tem a supervisão do rebanho.

Jesus é o Grande Pastor. Ele é o Cabeça, o Supervisor de toda a Igreja – o Corpo de Cristo. O pastor é o cabeça, o supervisor do rebanho local. O corpo local é encabeçado pelo pastor. A habilidade de governo da igreja é encabeçada pelo ofício pastoral.

O ofício de pastor não é mencionado em 1 Co. 12:28. Mas, “governos” é listado na relação de dons do ministério que Deus estabeleceu na igreja.

Supervisores – a palavra “bispo” e a palavra “supervisor” são as traduções da palavra grega “episkopos”. Ela comunica um significado de liderança definida e posição oficial.

Paulo aos anciãos da igreja em Éfeso (At. 20:28), usa a palavra “episkopos”. Para alimentar a Igreja de Deus com a Palavra, estas pessoas deviam ter sido mestres, que eram espiritualmente equipadas para alimentar o rebanho.

Não neófito(1 Tm.3:6). A igreja primitiva estava em sua infância e os crentes eram neófitos, exceto pelos apóstolos do Cordeiro. Eles não começaram nesse ofício. Leva tempo para Deus desenvolver esses ministérios, incluindo o ministério pastoral.

Em 1 Tm.5:17, vemos o ofício de supervisor novamente, que caracteriza o ofício de pastor.

 

O pastor é o ofício que sustenta a igreja, como o tronco ao corpo.

Sem o dom do ministério de pastor, todo serviço dos outros ministérios são praticamente em vão. Não importa quão grande seja o evangelista, e quantas almas ele ganhe, se não houver ninguém para pastorear as ovelhas, elas estão prontas para se desviarem.

Em nenhum outro ofício são dadas tantas instruções no N.T., considerando que os termos “anciãos que presidem” e “bispo” referem-se ao ofício pastoral e não a qualquer um outro.

 

É o Espírito Santo que faz de homens pastores, não homens ou instituições.

 

Deus tem provido equipamento sobrenatural (credenciais) para o pastor. 

O pastoreamento sobrenatural é marcado pelos dons do Espírito que trazem conhecimento e edificação ao corpo, palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, línguas e/ou interpretação.

 Espírito Santo tem equipado a igreja do N.T. com habilidade sobrenatural, poder sobrenatural, dons sobrenaturais. Ele os equipa sobrenaturalmente para permanecerem neste ministério.

Uma das marcas mais notáveis de um pastor é um coração de pastor.

Eles são leais ao rebanho, e às vezes até mesmo ao custo de si privarem de muitas coisas por causa do rebanho. É necessário um coração de pastor para cuidar dos bebês em Cristo, para amá-los, nutri-los com a Palavra, sustentá-los enquanto estão tentando andar.


Um pastor não precisa ser um bom pregador, ele precisa pastorear ovelhas, ama-las e cuidar delas. O ensino da igreja pode vir através dos mestres.


O EVANGELISTA

Ef.4:11,12; 1 Co.12:28

 

A palavra “evangelista” ocorre apenas três vezes no N.T

Em Ef.4:11.

Em At. 21:8, a Bíblia fala de “Filipe, o evangelista’.

E 2 Tm.4:5, Paulo disse a Timóteo, que era o pastor de uma igreja no N.T. naquele tempo, para “fazer o trabalho de um evangelista”.

 


O significado da palavra “evangelista” é: alguém que traz o evangelho (as boas-novas); um mensageiro de boas notícias.

 

O evangelista traz a mensagem da graça redentiva de Deus. Seu tema favorito do evangelista é a salvação em sua forma mais simples.

 

O único exemplo no N.T. é o de Filipe. O ministério de Filipe é o modelo porque é o único que Deus nos deu.

Filipe só tinha uma mensagem, a mensagem era Jesus Cristo. Em Samaria (At.8:5), para o Eunuco (At. 8:35).

Uma notável característica dos evangelistas é essa: não importa por qual parte da Escritura eles comecem, eles sempre pregam a Jesus. Este é o chamado deles. Esta é a mensagem deles.

 

Se o dom de Deus ou comissionamento do evangelista está em alguém, não é necessário que este suplique para ser o evangelista; haverá uma forte chama no seu íntimo incitando-o para a pregação do evangelho.

Felipe começou como diácono (ministério de socorros ou auxílio) na igreja (At.6:1-6). Os apóstolos o ordenaram como diácono, mas não lhe deram nenhum comissionamento para evangelizar como em Samaria. Com resultados gloriosos.

Paulo disse: “porque ai de mim se não pregar o evangelho!”(1 Co.9:16). Se alguém tem um chamado dirá como Paulo, não importa qual seja o seu ofício.

 

Marcas do verdadeiro evangelismo conforme o modelo do N.T.

Proclamação sobrenatural. Havia algo para ver e ouvir no ministério de Filipe (At.8:6).

Havia operação dos dons espirituais e particulares, necessários ao seu ministério – operação de milagres e dons de curar. A operação desses dons através dele eram a melhor maneira de proclamação do Evangelho.

No verdadeiro evangelismo deve haver pregação da Palavra de Deus.

- No ministério de evangelista a pregação da Palavra de Deus é essencial.

- O poder de Deus irá atrair uma multidão. Curas e milagres prendem a atenção. Mas as pessoas só são salvas depois de ouvirem a Palavra e crerem. Ninguém foi salvo antes de Filipe pregar (At 8:12), a salvação foi resultado da pregação.

- Paulo disse a Timóteo: “prega a Palavra” (2 Tm 4:2).

- Somente a pregação da Palavra afeta a vontade do pecador.

Decisão individual. A conversão é uma decisão pessoal. É algo entre o espírito humano e Deus. O dom supremo de um evangelista é a capacidade sobrenatural de levar uma alma à decisão por Cristo.

Felipe não tinha habilidade para estabelecer uma igreja, ou firmar pessoas na Palavra, ou ensina-las. Ele não tinha os equipamentos especiais que Pedro e João tinham, mas cumpriu seu papel em levá-los a Deus através da salvação por meio de Jesus Cristo. Então, os apóstolos enviaram outros para conduzi-los.

Uma pessoa nunca será capaz de fazer tudo. E não deve. Cada um de nós é limitado.

 Todo ministro é limitado – mas Deus não é limitado. Precisamos uns dos outros.

O evangelista estará onde os não salvos estiverem.




O MESTRE

Ef 4:11; 1 Co 12:28,29; Rm 12:4-8.

 

Os mestres e o ensino de palavra abrangem um lugar bem definido e importante no N.T. Uma pessoa pode permanecer no ofício de mestre juntamente com qualquer dos outros ofícios.

 

O dom do ensino é um dom de Deus.

Deus está falando de um ofício quando fala sobre o mestre (Rm 12:4).

Temos a impressão de que o dom que a Escritura fala são os professores da EBD.

A igreja primitiva não tinha EBD. Ela teve seu início após o séc. XVIII.

Naturalmente uma pessoa que conhece a Bíblia pode ensinar o que sabe. Qualquer cristão pode e deve compartilhar o que sabe ajudando e ensinando os outros, mas isso não é o dom de ensino citado na Escritura.

 

O ministério de ensino requer um dom divino. É um revestimento DIVINO PARA ENSINAR A PALAVRA DE DEUS.

A unção para o ensino trará não só o conhecimento, mas a vida que só o Espírito Santo pode dar a letra, que por si é morta.

 

Um verdadeiro mestre do evangelho nunca irá ensinar o erro doutrinal que irá dividir o corpo de cristo. Ele não o dividirá por que o corpo de cristo é um só.

Devemos nos lembrar que o Corpo de Cristo é constituído por todos os salvos e santos em Cristo Jesus. O Corpo de Cristo não se resume a igreja local.

 

O mestre é equipado de sabedoriaNão tentará convencer a todos os cristãos à fé pela sua força. Alguns nunca a aceitarão.

 

O trabalho de um mestre é edificar, trazer crescimento.

Jesus deu os mestres para a edificação (construção) do corpo de Cristo (Ef 4:11,12). Edificar significa construir, acrescentar, desenvolver e dar crescimento. Se o efeito do ensino não for esse, deixe-o. Paulo disse isso à igreja de Corinto e aos cristãos hebreus (1 Co 3:1,2; Hb 5:11-14).

 

Os mestres devem sempre estar abertos e prontos para receber novas revelações da verdade da palavra de Deus.

A revelação marca o ministério de mestre.

O mestre é alguém que sempre quer aprender e sempre terá algo novo para ensinar.

Mantém seu coração e mente sempre dependentes do Espírito.

Está sempre disponível para ensinar.

Não é um “sabe tudo”. Deus traz a revelação da verdade à medida que nos aprofundamos em Sua Palavra.

 



O PROFETA

1 Co 12:28; Ef 4:11

Há profetas (ministros) nos dias de hoje?
A Palavra de Deus diz que sim (Ef.4:11). Embora muitos afirmem o encerramento de certos ministérios a Palavra de Deus a firma que todos ainda permanecem até que Jesus volte para Sua Igreja.

O que constitui o ministério de profeta?
Um profeta fala por inspiração divina direta, uma revelação imediata – não algo que ele pensa, mas algo dado subitamente por inspiração repentina.
Há diferenças entre profetizar – embora um profeta possa profetizar – e o ministério de profeta – At 21:8-11.
-          as quatro filhas de Filipe profetizavam. Significa que nelas operava o dom de profecia (1 Co 14:3).
-          Ágabo era profeta. Ele exercia o ofício e neste trecho ele não está profetizando e sim relatando o que o Espírito lhe havia revelado.
O ministério profético não é esporádico como aquele que fala profecias, é uma vida diária. A pessoa recebe revelações do Senhor a qualquer hora e em muitas vezes com estudo da palavra e oração. Não necessariamente a pessoa do ministério profético precisa falar em línguas na hora em que profetiza.
Para permanecer no ofício de profeta, a pessoa precisa como condição necessária já ter em operação, uma manifestação consistente dos dons de revelação (palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, discernimento de espíritos).

 - Os três dons de revelação são:
Palavra de sabedoria: Revelação sobrenatural pelo Espírito de Deus de fatos já conhecidos.
Palavra de conhecimento: revelação sobrenatural pelo Espírito de Deus de fatos que ninguém conhece.
Discernimento de espíritos: Discernimento sobrenatural para dentro da dimensão espiritual. Enxerga e/ou ouve na dimensão espiritual.

Qualquer crente cheio do Espírito pode ter manifestações ocasionais destes dons, conforme a vontade e necessidade do Espírito. Mas um profeta tem um ministério equipado com estes dons.
Um profeta tem visões e revelações.

– Há três tipos de revelações e também três tipos de visões:
Visão espiritual: Uma pessoa tem a visão no seu espírito, ou vê em seu espírito. Um exemplo é Paulo no caminho de Damasco (At.9:1-8).
Êxtase: Quando uma pessoa entra em êxtase, seus sentidos físicos ficam insensíveis. A sensibilidade de onde se está, ou a respeito do mundo físico, desaparecem. Ela não fica inconsciente; ela torna-se apenas mais consciente das coisas espirituais do que das físicas. Paulo em At 22:17,18; Pedro em At 10:10,11 – ambos enxergaram na dimensão espiritual.
Visão aberta: Quando isto ocorre os sentidos físicos não ficam suspensos. Seus olhos físicos estão abertos. O indivíduo permanece com toda a sua sensibilidade física, e ainda vê e ouve na dimensão espiritual. No livro de Apocalipse capítulo 1, parece que João viu ao Senhor numa visão aberta.

Os profetas do Antigo Testamento eram chamados de videntes. Eles viam e sabiam de algumas coisas de maneira sobrenatural (1 Sm 9).
O Profeta não é um vidente a ser consultado.
Estamos numa aliança superior (Hb 8;6). Temos a mesma presença dentro de nós que estava encerrada no Santo dos Santos. Nós somos o templo (1 Co 3:16; 6:19; 2 Co 6:12). Quem guia é o Espírito (Rm 8:14). Todo crente precisa aprender a si orientar pelo testemunho interior do Espírito Santo. Há pessoas querendo assumir o lugar do Espírito Santo de Deus, controlando e guiando outras através de “profecias”. Isso não é Bíblico.
Saiba em seu próprio espírito como Deus o está guiando. Se algo confirma o que você tem sem seu espírito bem, se não esqueça!

Ponha apalavra de Deus em primeiro lugar.
Não desenvolva seu ministério sobre manifestações sobrenaturais. Mesmo se seu ofício é de profeta, construa-o sobre a Palavra (pregação e/ou ensino).
É perigoso sentir-se na obrigação de que seu ofício deva sempre entrar em operação.
Se você tenta manifestar ou operar algo no mundo espiritual sem o Espírito, você esta abrindo uma porta para o engano de poderes espirituais ocultos. Isto ocorre porque você deixou a Palavra.

 

Como saber se a profecia vem de Deus ou do inimigo?

Em 1 Co.12:1-3 diz que quando o Espírito Santo está em operação, Ele sempre faz de Jesus o Senhor, Ele diz que Jesus é o Senhor. Ele glorifica a Jesus. Ele não atrai atenção para o homem e o faz senhor. Esteja sempre firmado na palavra. Tudo aquilo que for contrario a palavra não vem de Deus.

Não fique temeroso por causa dos maus espíritos, abra-se para Deus, renda-se e convide o Espírito Santo a Se manifestar em nosso meio nos vários e diversificados ministérios que Ele estabeleceu na Igreja.

 

Se Deus o chamou para dado ofício, você não entrará nele imediatamente, você estragaria tudo se entrasse na plenitude dele imediatamente. Mas Deus acrescentará um pouco aqui e um pouco ali. Se Ele tem em mente estabelece-lo num dado ofício, se você for fiel, então, quando Ele puder confiar em você, Ele o estabelecerá.

Deus não violará os princípios estabelecidos em Sua Palavra. O Espírito de Deus disse através de Paulo para que nenhum neófito seja estabelecido como presbítero, e então se ensoberbeça e caia na condenação do diabo (1 Tm.3:6). O mesmo é válido em outros ofícios, ao sentir o seu chamado é fundamental esperar que Deus o estabeleça e não tentar estabelecer a si mesmo.

Não há motivo de orgulho ou soberba em ser usado por Deus. Além do mais lemos no A.T. que Deus usou um burro para falar em hebraico. Aquilo não fez do burro nada de especial. Então se Deus o usar, louvado seja o Senhor, dê-lhe toda a glória.

Não fique fascinado com nomes e títulos.




O APÓSTOLO

1 Co.12:28; Ef.4:11.

 

A ordem estabelecida por Paulo não diz respeito à hierarquia, mas a ordem de necessidade para o corpo.

Foi essa ordem que Deus “estabeleceu” ou desenvolveu dons ministeriais na igreja primitiva.

No estabelecimento da igreja universal (apóstolos e profetas) estes ofícios é que propagaram a revelação do N.T., que é o fundamento sob o qual a Igreja em todas as gerações deve se estabelecer.

 

Este ofício foi estimado porque foi ocupado pelo próprio Cristo – Hb. 3: 1.

A palavra grega “apóstolos” quer dizer “alguém enviado”.

Jesus é o maior exemplo de alguém enviado – Jo. 20:21.

 

As credenciais de um apóstolo – 2 Co. 12:12.

Sinais, prodígios e poderes miraculosos.

 

Os frutos de um apóstolo (ministério apostólico) – 1 co. 9:1.

O fruto do ministério apostólico de Paulo eram pessoas que estavam solidamente embasadas na Palavra – 1 Co. 9:2. Paulo podia também apontar para igrejas solidamente estabelecidas.

A verdadeira natureza do chamado apostólico (1 Co. 4:15). Paulo era um pai espiritual para aqueles a quem havia estabelecido na fé (1 Ts.2:6-12).

Paulo não tentava dominar e governar as pessoas, ele as exortava e admoestava os crentes a viverem por modo digno de Deus.

 

Um apóstolo é também um pregador e mestre da palavra – 1 Tm 2:7; 2 Tm 1:11.

 

Um ministério de apóstolo parece englobar todos os outros dons ministeriais.

O apóstolo precisa em seu ministério ter todos os outros dons incluídos.

Após serem estabelecidas as igrejas, os apóstolos podem exercer supervisão (1 Co.9:1,2), até que nelas seja estabelecida autoridade espiritual sobre si mesmas.

 

Há apóstolos hoje?

Para melhor compreensão podemos dividir o ofício apostólico em quatro classes:


Jesus o Apóstolo do Pai – ele ocupa uma classe por si mesmo. Em Hb.3:1, Jesus foi chamado de Apóstolo e Sumo Sacerdote. Ele foi “enviado” pelo Pai para estabelecer seu Reino. Nenhum outro apóstolo (ou enviado) terá algum dia esse mesmo chamado.


Apóstolos do Cordeiro – estes eram os doze apóstolos que foram testemunhas oculares da vida, ministério, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus (At.1:21,22). Há somente doze apóstolos do Cordeiro (Ap 21:14), nem mesmo Paulo seria um no sentido em que eram os doze.A Bíblia diz as qualificações dos doze, quando da seleção daquele que substituiria Judas – At.1:15-22.


Apóstolos do N.T. – isto inclui Paulo e Barnabé e os outros apóstolos do Novo Testamento: Barnabé e Paulo (At.14:14), Tiago, o irmão do Senhor (Gl.1:19), Andrônico e Júnias (Rm.16:7), Silvano e Timóteo (1 Ts.1:1; 2:6), Apolo (1 Co.4:4-9). No caso dos dois irmãos não nomeados (2 Co.8:23) e Epafrodito (Fp.2:25) a palavra traduzida por mensageiro é a mesma palavra grega traduzida por apóstolo nos outros lugares.


Apóstolos hoje – é preciso esclarecer que o fundamento da Igreja no mundo já foi lançado e este trabalho foi realizado pelos apóstolos do Cordeiro e os apóstolos do N.T. (1 Co.3:10). Os apóstolos contemporâneos não são chamados para lançar os fundamentos eles têm um chamado para direcionar a igreja, para dar o rumo e fazer valer o foco ministerial.

Há ofício de apóstolo ainda hoje?  Sim, conforme Ef.4:8, 11-13. Neste texto todos os dons do ministério têm objetivos para os nossos dias e o tempo estabelecido (Ef.4:13) para o vencimento de sua validade ainda não foi alcançado, só o será com a volta de Cristo.

 

Que marcas devemos observar em um apóstolo hoje?

Acima de tudo, um pregador e mestre da Palavra.

Dons espirituais observáveis e proeminentes (credenciais).

Profunda experiência pessoal.

Poder e capacidade de estabelecer igrejas.

Capaz de prover liderança espiritual adequada.

 

A igreja como noiva de Cristo está se restaurando e amadurecendo nos últimos séculos no processo de preparação para realizar a tarefa da grande comissão.

Começou com a reforma protestante onde foi restaurado na igreja, (1) a autoridade das escrituras, (2) a justificação pela fé, (3)o sacerdócio de todo crente.

Apóstolos são lideres com carisma.
Carisma se aplica a certa qualidade de origem divina, que repousa sobre um certo individuo de forma sobrenatural, concedendo-o qualidades, poderes e habilidades que não são normais em pessoas comuns.
Esta liderança carismática não pode vir de uma organização, como uma promoção em certa posição de liderança, não advêm de nenhum sistema corporativo, mas diretamente de Deus.
Genuínos apóstolos são reconhecidos por seus liderados como servos, e quando isto acontece, a autoridade é liberada porque os seus seguidores crêem que qualquer decisão do apóstolo será sempre para beneficio deles. - Apóstolos são como pais.
Os que se relacionam com o apóstolo, o tem como um pai, e pais espirituais fornecem proteção, exemplo, correção, delegação de autoridade.
Isto é tão importante que irá fazer os filhos crescerem em fé, onde muitos serão liberados para exercerem seus próprios ministérios.

Função do Apóstolo
Um apóstolo pode receber em um caso a autoridade para liderar várias igrejas, em outros para fazer batalhas espirituais de alto nível, já que recebe um comissionamento para isso. Pode também atuar na restauração de algum ministério ou direcionamento da igreja. Lembrando sempre que o maior de todos os apóstolos (Jesus) foi servo e por isso deve o apóstolo ter em seu coração o desejo de servir e se entregar pela obro de Deus, assim como os primeiros apóstolos fizeram.


Dons Ministeriais

As lista de 1 Co 12 trás os 9 dons de poder. Esses dons são capacitações do Espírito Santo, não se pode adquiri-lo em outros lugares nem aprend-los. Existem outros chamados dons que estão listados em Rm 12 como dons de contribuição, de exortação, misericórdia entre outros que são dons ministeriais. São dons auxiliares aos ministérios. São da mesma forma capacitação do Espírito Santo para determinada obra, mas não são dons de poder exclusivos de manifestações espirituais.