quarta-feira, 23 de maio de 2012

No Inferno o Verme Nunca Morre

No Inferno o Verme Nunca Morre
Tipo: Crenças e religiões / Autor: Pr. Airton Evangelista da Costa

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Sei que qualquer figura de linguagem para descrever o inferno é inapropriada. Ainda que tentemos fazê-lo, não conseguiremos descrever a realidade do “lago de fogo e enxofre”, para onde irão o diabo, seus anjos e todos os que não estão escritos no livro da vida.

Uma clara declaração acerca do castigo eterno dos ímpios, é a seguinte:


“Os quais [os ímpios], por castigo, padecerão [sofrerão] eterna perdição [penalidade eterna], ante a face do Senhor e a glória do seu poder...” (2 Ts 1.9).


Daremos atenção à frase “padecerão eterna perdição”. Qual a sua correta interpretação? Padecer eternamente significa sofrer eternamente? Significa sofrer temporariamente para depois ser exterminado? Significa extermínio puro e simples?


O verbo “padecer” (grego tinõ), “pagar uma penalidade”, é traduzido na passagem por “padecerão (eterna perdição)”. Os ímpios estarão sujeitos a uma penalidade. E a penalidade é eterna.


O termo “aiônios”, traduzido como eterno, infinito, que não se acaba, contrasta com o termo proskairo, literalmente traduzido como “durante uma temporada, uma estação, por algum tempo”. É o que se vê em 2 Co 4.18: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem. Porque as que se vêem são temporais [proskairos], e as que se não vêem são eternas [aiônios]”.


Também “aiônios” é usado acerca do pecado que nunca obterá perdão (Mc 3.29). Ou seja, por todo o sempre, pelos séculos dos séculos, eternamente não haverá perdão para “qualquer que blasfemar contra o Espírito Santo”.


A palavra grega “Olethros”, - “ruína, destruição” - foi traduzida nesse caso com o seu adequado significado, isto é, “perdição”. Segundo o Dicionário Aurélio, PERDIÇÃO significa desgraça, ruína, estrago, desastre, perda. Exemplos: a perdição da esquadra; a perdição dos grevistas. E também significa condenação às penas eternas; danação; perdição das almas; desonra, descrédito, imoralidade, desregramento. Exemplo: A perdição da filha o levou ao suicídio. Não se pode entender que “perdição” aqui seja entendida como extermínio ou morte. Se o fosse, o entendimento seria que o pai se suicidou porque a filha morreu. Não. O pai tirou a própria vida porque a filha caiu em desgraça, arruinou-se.


O mesmo termo usado em 1 Tm 6.9, com o significado de “ruína”: “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína”. Os homens que querem ficar ricos não são destruídos, mas arruinados, perdidos, separados de Deus, espiritualmente mortos.


De igual modo, também o substantivo apõleia é traduzido como “perda de bem estar, de felicidade”. É usado para descrever (a) coisas, significando desperdício ou ruína: de ungüento (Mt 26.8; Mc 14.4); (b) pessoas, significando sua perdição espiritual e eterna (Mt 7. 13; Jo 17.12; 2 Ts 2.3); metaforicamente, alude aos homens que persistem no mal (Rm 9.22); aos adversários do povo do Senhor (Fp 1.28, `perdição´); a cristãos professos, mas, na verdade, inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.19, `perdição´); aos falsos mestres (2 Pe 2.1,3); aos descrentes (2 Pe 3.7); aos que torcem as Escrituras (2 Pe 3.16), etc. (Fonte: Dic. VINE).


Portanto, as palavras perdidos e perdição não podem ser invariavelmente interpretadas como aniquilamento, como querem alguns grupos religiosos. Um exemplo:


“E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas [apollumi] da casa de Israel” (Mt 15.24). Jesus disse que foi enviado às ovelhas mortas? Não. Foi enviado às ovelhas desviadas, em ruína espiritual. Agora vejam mais:


“E não temais os que matam [apokteinõ] o corpo e não podem matar [apokteinõ ou apoktennõ] a alma; temei antes aquele [Deus] que pode fazer perecer [apollumi] no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28; v. Lc 12.5).


Notem que o verbo apokteinõ foi traduzido no seu significado real quando se tratava de exterminar, isto é, não podem exterminar a alma. Quando o significado é castigar, padecer e sofrer, o verbo usado é apollumi. O evangelista soube muito bem fazer a distinção entre exterminar e fazer padecer. Em todos os setenta e quatro versículos em que foi usado o verbo apokteinõ o significado literal e real foi o de exterminar, tirar a vida, extinguir: “Jerusalém, Jerusalém, que matas [apokteinõ] os profetas, e apedrejas os que te são enviados”! (Mt 23.37a).


Tais realidades se coadunam com a seguinte seqüência:


Apocalipse 19.20 - A besta e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo.

Apocalipse 20.2 – Satanás é amarrado por mil anos.
Apocalipse 20.5 – Os outros mortos reviveram após os mil anos.
Apocalipse 20.7 – Satanás será solto da sua prisão.
Apocalipse 20.10 – O diabo foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta. De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.
Apocalipse 20.15 – Serão lançados no lago de fogo todos os não inscritos no livro da vida.

Observem que passados mil anos (Ap 19.20) a besta e o falso profeta ainda se encontravam vivos no lago de fogo (Ap 20.10) e continuarão no mesmo eterno estado de ruína, sendo atormentados dia e noite. Se a besta e o falso profeta não foram exterminados no lago de fogo, também não o serão os ímpios ali lançados. “De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” quer dizer exatamente o que diz, isto é, eterna perdição (2 Ts 1.9).


Jesus revelou que os justos ressuscitarão “para a vida”, e os ímpios “para serem condenados” (Jo 5.29); na carta aos romanos Paulo indica que “haverá tribulação e angústia para todo ser humano que pratica o mal” (Rm 2.9); em Daniel 12.2 lê-se que os ímpios ressuscitarão “para a vergonha e desprezo eterno”; Apocalipse 14.11 diz que não haverá descanso “nem de dia nem de noite” para os adoradores da besta; Apocalipse 20.10 anuncia que os que forem lançados no lago de fogo “serão atormentados dia e noite, para todo o sempre”; Jesus declara que os insensatos e hipócritas serão punidos severamente num lugar “onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 8.12; 24.51; 25.30), e onde estarão amarrados, em trevas, para todo o sempre (Mt 22.13).


Convenhamos, defunto não chora, não se angustia, não range dentes, não passa por tribulação, não se atormenta, não sente vergonha ou desprezo. Logo, não deve prevalecer a idéia de que os ímpios serão exterminados. Deus não ressuscitará os ímpios para exterminá-los em seguida (Ap 20.5). Agiria assim para que morram “conscientes” da punição? De maneira alguma. É uma impropriedade alegar que a ressurreição é um prelúdio da morte. Reviver para morrer, sair da sepultura para, em seguida, ser exterminado é tese que colide frontalmente com a Palavra. A ressurreição do corpo é para que viva; não para que morra. Não fosse assim, não haveria razões para ressuscitar os que já se acham mortos.


Por último, examinemos:


“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho [verme] não morre, e o fogo nunca se apaga (Mc 9.47-48)”.


Notas:


(a) “A declaração “onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca apaga” significa a exclusão de esperança de restauração, constituindo-se em castigo eterno” (Dic. VINE).


(b) Jesus não está falando de vermes da terra, nem de nenhum outro tipo de animal. Ele está falando sobre o corpo humano. Observe que ele não diz: “onde o verme não morre”, mas diz: “onde não lhes morre o verme”. O termo “lhes” [ou seu] refere-se aos homens que pecaram e morreram sem arrependimento (cf. 9.42-47). “Verme”[bicho] é simplesmente um modo de referir-se ao “verme humano”, ou a esta carcaça, conhecida como corpo. Isso está de acordo com o contexto, em que Jesus está falando das partes do corpo, tais como “mãos” e “pés” (9.43-45). Ele disse que não deveríamos temer os que podem matar o corpo (os homens), mas não a alma; mas que, antes, temêssemos aquele (Deus) que tem poder para lançar corpos e alma no inferno eterno (Lc 12.4-5; cf. Mc 9.34-48)” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia, Norman Geisler e Thomas Howe).


Com essas considerações, as passagens a seguir se tornam mais claras:


“E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome” (Ap 14.11). “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10).

08.05.06
www.palavradaverdade.com

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