segunda-feira, 4 de junho de 2012

“O governo do Anticristo”


Lições Bíblicas: “O governo do Anticristo”


Lição 10 — 2.° trimestre de 2012


O assunto da revista agora muda das cartas às igrejas da Ásia para o Anticristo, mas convém lembrar que todo o livro de Apocalipse é dirigido a elas igrejas (Ap 1.4). Portanto, o tema é do interesse de todos os tipos de igreja, desde a morna e a morta, até a que a que pratica o amor perfeito.

Quem é o Anticristo

O autor, seguindo o pensamento assembleiano tradicional, afirma que o Anticristo é uma pessoa. Sem dúvida, o mundo conhecerá um poderoso governante (sobre a extensão de seu governo, ver a seção seguinte), que na tradição cristã é chamado assim. No entanto, o termo “anticristo” aparece apenas nas cartas de João (1Jo 2.18,22; 4.3; 2Jo 7), e ali parece indicar uma tendência, não uma pessoa em particular, tanto que o termo também é usado no plural (2.18; compare com “enganadores”, 2Jo 7). O nome Anticristo não parece no livro de Apocalipse. Esse líder satânico, na profecia de João, é denominado “a besta” (Ap 13). Por essa razão, alguns autores preferem se referir a ele como o “homem do pecado” (2Ts 2.3). Um estudo honesto, mesmo que não muito aprofundado, irá determinar que nada liga o “anticristo” das cartas à “besta” (reino/ personagem) do Apocalipse de João. Embora, por força da tradição, não seja errado utilizar o nome Anticristo (com letra maiúscula neste artigo) para indicar a personagem, penso que a expressão “homem do pecado” pode ser mais facilmente ligada à “besta do mar” (Ap 13.1), ou seja o Anticristo (a “besta da terra”, de Ap 13.11, é outra personagem, o Falso Profeta) .

O “espírito do anticristo” já opera no mundo desde os tempos do apóstolo (1Jo 4.3). Pela interpretação que prefiro, não seria a pessoa/ personagem, mas a base sobre a qual a “besta” assentará o seu governo. Lembre os seus alunos de nos dias atuais, mais do que nunca, o cristianismo tem sido combatido, tanto pela ditadura do politicamente “correto” (que tem incitado o discurso preconceituoso contra a Bíblia, considerada, por exemplo, um livro “homofóbico”), quanto pela rejeição aberta à ética judaico-cristã como padrão desejável de conduta. Já existe até quem fale em “mundo pós-cristão”. Sugiro que você pesquise o assunto a fim de passar exemplos atuais e convincentes aos seus alunos.

O aparecimento do Anticristo

Na concepção pré-tribulacionista (segundo a qual o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes da grande tribulação), o governo do Anticristo será instaurado no período da Grande Tribulação. Seria interessante que você se inteirasse dos argumentos apresentados por outras vertentes teológicas sobre esse tema. A principal razão é que, em suma, a cronologia das últimas coisas não passa de especulação, embora os nossos mestres (assembleianos) tenham o péssimo hábito de apresentar a teologia dispensacionalista como “bíblica” e as demais como “antibíblicas”. Isso é desonestidade intelectual, e o bom professor não pode concordar com tal atitude. Outra razão é que os alunos podem questioná-lo sobre o assunto, e você precisa estar preparado. Ainda que a sua convicção coincida com o o pensamento assembleiano tradicional, você precisa estar ciente de que nesse terreno tão especulativo, quase tudo deve ser encarado como possibilidade, não como dogma. Sugiro que você consulte Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal, de J. Rodman Williams (São Paulo: Vida, 2011; para uma resenha dessa obra, leia aqui; não confundir com a obra homônima lançada pela CPAD).

O sustento do governo do Anticristo

Destacam-se o “dragão” (Satanás), que deu autoridade à “besta do mar” (Ap 13.4) e o Falso Profeta (a “besta da terra”). De acordo com o autor, o Falso Profeta realizará o milagre da ressurreição do Anticristo. Na primeira seção, referi-me à “besta do mar” como reino e personagem. Isso porque essa besta tem dez chifres, que representam dez reinos sob a autoridade do “homem do pecado”. Assim, o termo “besta” pode se referir à personagem ou ao reino composto por dez federações ou Estados. Em Apocalipse 13.3, lemos que “uma de suas cabeças [foi] como ferida de morte”, mas “a sua chaga mortal foi curada” por intervenção da “besta da terra”. É dito no comentário (e é a crença de muitos teólogos pentecostais) que o Anticristo (personagem), provavelmente dado como morto num atentado, reaparecerá como ressuscitado pelo Falso Profeta, causando admiração e temor no mundo. Entretanto, como a ferida é de “uma de suas cabeças”, prefiro crer que se trata de uma nações confederadas que foi salva da destruição graças à habilidade política ou à estratégia militar da segunda besta. Não faz muito sentido o Anticristo ser representado nesse contexto apenas por uma das dez cabeças.

A plataforma de governo do Anticristo

Outra ideia geralmente aceita, não só entre os pentecostais é que o Anticristo será um ditador mundial, isto é, governará literalmente todas as nações da terra. A voz discordante é a de Finis Dake (aquele mesmo, da famosa Bíblia; leia aqui). Segundo ele, os domínios do Anticristo estão limitados ao território do antigo Império Romano (dessa forma, jamais chegará ao continente americano, por exemplo). Apresento aqui alguns de seus argumentos e afirmo que são dignos de toda a atenção e bastante convincentes. Vejamos alguns deles em resumo, nas minhas palavras:


1. O Anticristo recebeu poder “sobre toda tribo, e língua, e nação” (Ap 13.7). Vejam-se também as expressões “todos os que habitam sobre a terra” (v. 8), “todos, pequenos e grandes” (v. 16) e “ninguém” (v. 17). Para muitos, isso parece indicar um governo mundial, mas a expressão pode muito bem se referir ao território alcançado pelos dez reinos. Entretanto trata-se de uma sinédoque, figura de linguagem, em que o todo significa a parte. Para exemplificar, foi profetizado que a Grécia “terá domínio sobre toda a terra” (Dn 2.38), e o mesmo se disse de Roma (Dn 7.23,24), mas nenhum desses reino governou de fato o mundo todo (nunca chegaram à China, por exemplo). “Toda tribo” etc. significa os povos sob o domínio do Anticristo, não do mundo todo.


2. A jurisdição do Anticristo está limitada a dez reinos, representados nas dez cabeças da “besta do mar” (Ap 17.12,13). (Ponderação minha: Pode-se alegar que dez grupos de nações, como o Mercado Comum Europeu, poderão abranger todos os países do mundo, mas isso não pode ser provado e me aprece pouco provável.)

3. De acordo com Daniel 7.7,8,23,24, esse território está definido como o mesmo do antigo Império Romano.

4. Israel irá se refugiar em Edom e Moabe (Dn 11.41). Se esses países fossem governados pelo Anticristo, de que adiantaria fugir para lá?

5. O Anticristo receberá “notícias do Leste e do Norte, que o encherão de medo. Furioso, ele sairá com os seus soldados, resolvido a matar muita gente. Armará o seu acampamento entre o mar Mediterrâneo e o lindo monte sagrado” (Dn 11.44,45, NTLH). Várias nações decidem atacá-lo, o que demonstra que são são submissas a ele.

6. “Três espíritos imundos, semelhantes a rãs” sairão em missão diplomática aos “reis de todo o mundo” para convencê-los a se unir com o Anticristo no Armagedom.

7. Se todos os que receberem o sinal da besta foram para o inferno (Ap 14.9-11) e o Anticristo matou todos os que não receberam o seu sinal, não restaria ninguém para habitar na terra durante o Milênio (Dake Acredita no Milênio literal). E como o Anticristo conseguiria matar tanta gente, até o último lugar habitado do mundo, em apenas dois anos e meio?

Viram? No total, são 15 argumentos, que podem ser consultados na Bíblia de estudo Dake (Atos; CPAD: 2009), páginas 2050-1. Por Judson Canto • Postado em Escola dominical

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