quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O ENGANO DA ASSIM-CHAMADA ‘TEOLOGIA DA RESTITUIÇÃO’...

“Restitui! Eu quero de volta o que é meu!” Esta frase extraída de uma canção tida como “evangélica” me faz lembrar a petulante atitude do Filho Pródigo quando disse: “Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe”. E quão diferente não foi à atitude deste mesmo filho, que, anos mais tarde, arrependido, apresenta-se diante do pai com o coração quebrantado, humilde, e nada reivindica, pois, agora, está consciente de não possuir direito algum diante do pai! Observem que ele nem mesmo se sente digno de ser tratado como filho! Ele confessa o seu pecado e passa a contar apenas com a misericórdia do pai!

Nem o Filho Pródigo e nem Jó em seus momentos de angústia cantaram ou clamaram algo parecido com: “restitui, eu quero de volta o que é meu” Quando Jó perdeu tudo, ele exclamou: “O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor” ( Jó 1.21). Jó, mesmo sendo considerado uma pessoa justa, sabia que tudo na vida era uma dádiva e que nada era dele por direito. Não considerava nada como sendo realmente seu, pois sabia que tudo pertencia ao Senhor. Pensando bem, se o salário do pecado é a morte, então, o que os pecadores teriam de fato por “direito” seria a morte. Por isto, o profeta Jeremias diz que “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3.22). E diz mais ainda em 3.39: “Por que, pois, se queixa, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

Clamar a Deus: “Restitui! Eu quero de volta o que é meu!” soa tão arrogante quanto a oração do fariseu que se sentia cheio de direitos diante de Deus. Jesus diz que tal prece foi ignorada por Deus, enquanto a humilde oração de arrependimento do publicano pecador achou graça aos olhos de Deus (Lucas 18.14). Pois sabemos que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4.6). É neste sentido que as crianças nos servem como modelo, não por sua inocência, mas por sua incompetência. As crianças estão de mãos vazias, não têm passado e não possuem uma folha de serviços prestados para apresentar como base de suas pretensões e reivindicações de direitos. Elas são “ os pobres de espírito, porque deles (as) é o reino dos céus”! (Mateus 5.3).

Como crianças se tornaram o profeta Isaías que, consciente de não poder subsistir diante de Deus na base de seus próprios méritos, clamou por misericórdia, dizendo: “Aí de Mim…” (Isaías 6.5 ); João Batista que disse não ser digno de desatar as sandálias de Cristo (João 1.27); o centurião, que disse não ser digno de que Cristo entrasse em sua casa (Mateus 8.8); o publicano que quando orava, “não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lucas 18:13); o Filho Pródigo, que disse não ser digno de ser chamado de filho (Lucas 15.19); o cego de Jericó, que mendigava e clamava por misericórdia (Lucas 18.35s); a mulher sírio fenícia, que não se sentia digna de comer à mesa dos filhos, mas que se satisfaria com as migalhas que caíssem da mesa do Senhor (Mateus 7.26s); Pedro, que prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8); Paulo que disse ser o maior dos pecadores e indigno de ser chamado Apóstolo (I Coríntios 15.9); e tantos quantos reconhecerem sua indignidade, sua incompetência, sua inadequação, e, pobres de espírito e desprovidos de qualquer pretensão e noção de direito, se apresentaram de mãos vazias diante de Deus esperando por sua misericórdia e graça! Isso sim, é bíblico!

Jesus disse aos líderes religiosos dos judeus que estavam confiantes em sua noção de direito decorrente do fato de serem descendentes de Abraão: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Lucas 3:8). Não devemos, portanto, nos apresentar diante de Deus reivindicando o que quer que seja na base de um pretenso direito. Tal ideia é um atentado ao Evangelho da Graça!

Graça é dádiva imerecida, não nos esqueçamos disso, jamais! Portanto, não temos direito a nada, pois tudo o que recebemos das mãos de Deus é resultado de Sua amorosa graça! Aprendamos, portanto, a orar com o profeta Daniel: “não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias” (Daniel 9.18). Vemos nessa canção herética também um outro vento novo de falsa doutrina, que está sendo denominada - a ‘teologia da restituição’. Baseado em Joel 2.25, está sendo ensinado no meio do povo de Deus que tudo o que nos foi roubado pelo diabo, estará sendo restituído por Deus: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros.” Mas o próprio versículo deixa claro que este exército de gafanhotos não foi enviado pelo Diabo, mas, sim, por Deus, com intuito de disciplinar, corrigir e ensinar seu povo! Verifiquemos isso!...

Outro problema também é atribuirmos ao diabo os nossos infortúnios e nos esquivarmos de nossa responsabilidade pessoal. É interessante notar que, diante deste quadro, o profeta Joel não conclama o povo a um clamor de restituição, mas, sim, a um clamor de arrependimento (2.12-15). Corações quebrantados, contritos e humildes nunca são rejeitados por Deus: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17; Ver também: Isaías 57.15 e II Crônicas 7.14).

Quando Deus promete restituir, isto se deve a Sua misericórdia e graça e não a qualquer espécie de obrigação, pois Deus nada deve ao ser humano, mas somos nós quem Lhe devemos tudo! Pois “quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.35,36).

Parem de cantar essa canção herética em suas igrejas! Parem, parem... Saiba, examine que tipo de canção você está cantando...

Esta canção está repreendida em Nome de Jesus!

Pr. Barbosa Neto

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