quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os três sopros do Senhor.

Gen. 2.7 “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente”.

-         Deus soprou sobre o homem quando o fez ser vivente. Embora o fato não se repita, o todo o ser humano ao nascer recebe a conseqüência desse sopro, recebendo a alma e o espírito.

-         Ao homem é dado o poder de se reproduzir, passando o sopro da vida à sua descendência.
       
João 20. 22 “E havendo dito isso, as soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”.

-         O Senhor Jesus soprou sobre os discípulos o Espírito. Receberam-no como evidência da salvação. Esse fato, que é o recebimento do Espírito, não ocorre mais visivelmente, no entanto sempre que alguém recebe a vida eterna, recebe esse sopro em sua vida. Permanecem as conseqüências do mesmo. É o renascimento espiritual.

-         Ao contrário do que muitos pensam esse sopro não foi simbólico, pois todos os atos na vida do Senhor Jesus foram reais.

-         Ao homem também foi dado o poder de através do testemunho da Palavra, passar o sopro de uma nova vida a outras pessoas.

Atos 2.2 “De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados”

-         O terceiro sopro de Deus sobre o homem é o sopro do Dom do Espírito. O homem foi criado alma vivente através do sopro do Senhor derramado sobre a raça humana, ainda é salvo através da atuação do Espírito quando as pessoas recebem pela fé o nosso testemunho espiritual., e recebe o poder do alto quando transmitimos sobre elas o Dom do Espírito que em nós habita.

-         O Senhor disse que receberiam poder ao descer sobre os discípulos o Espírito Santo no Pentecostes. Esse evento não mais se repete na história, mas os seus efeitos têm permanecido sobre a Igreja Neotestamentária, também em todas as gerações através da história e chegaram até nossos dias.

-         Renove a sua vida recebendo o sopro do Espírito.


Ivo Gomes do Prado

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO


A unção do Espírito é uma capacitação especial concedida àqueles que se agradam de Deus e são revestidos com poder para fazer a obra de Deus. 

Essa unção não se adquire nos bancos de uma academia, mas recebe-se, gratuitamente, em resposta à consagração e à oração. Aqueles a quem Deus reveste com sua unção são valorosamente usados por Deus. Essa virtude vinda do alto faz uma profunda diferença na vida daqueles que a recebem e manifesta-se poderosamente através deles. 

Nem todos os crentes salvos por Cristo Jesus, têm esse revestimento de poder. Ah, como anseio por essa capacitação, por esse revestimento de poder! 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

OS ANABATISTAS E OS REFORMADORES

Os reformadores suíços tinham conseguido destruir o testemunho dos valdenses, um testemunho do reino. No entanto, eles não puderam evitar que outros levantassem de novo a bandeira do reino. Uma das coisas boas que a Reforma trouxe foi estimular a impressão e a distribuição de Bíblias através de toda Europa. Vários acadêmicos da Reforma traduziram a Bíblia para a língua vernácula, e as imprensas tornaram estas traduções acessíveis ao cidadão comum.

Os europeus que liam a Bíblia por si mesmos, livres da influência agostiniana dos reformadores, com freqüência abraçavam o evangelho do reino. E foi assim que surgiu espontaneamente um novo movimento do reino em todo o norte de Europa.

Em Zurique, Suíça, este novo movimento do reino surgiu pela primeira vez durante o tempo em que Zuínglio se encontrava pregando. Alguns dos colegas de Zuínglio não se deixaram cegar pela influência de Agostinho, e viram claramente o evangelho do reino nos ensinos de Jesus. Eles desejavam restaurar o cristianismo apostólico, mas Zuínglio com sua Reforma não estava disposto a ir para além do que o concílio da cidade lhe permitisse. De maneira que estes cristões do reino começaram a se reunir à parte em casas particulares.

Além de querer restaurar os ensinos do reino de Jesus, estes novos cristões do reino também ensinavam a necessidade de uma igreja santa e disciplinada em lugar de uma Igreja estatal que incluía a todos os que viviam dentro do Estado. Também rejeitavam a predestinação. No entanto, Zuínglio demonstrou ser tão intolerante e tão mão de ferro como o seria Calvino posteriormente. Com a aprovação de Zuínglio, as autoridades civis rapidamente estabeleceram leis contra estes cristões do reino, a quem chamaram anabatistas, isto é, “rebatizadores”.* Uma destas leis estipulava o seguinte:

*Isso porque eles praticavam voluntariamente o batismo de crentes em vez de aceitarem o batismo de infantes imposto pelo Estado.

A fim de erradicar a perigosa, malvada, turbulenta e sediciosa seita dos anabatistas, decretamos o seguinte: Se a alguém for suspeito de ter sido rebatizado, deverá ser advertido pelos magistrados para que abandone o território sob pena do castigo designado. Toda pessoa está obrigada a denunciar os que favorecem o rebatismo. Quem não cumprir com esta ordem estará sujeito à punição conforme à sentença da magistratura.

Os professadores do rebatismo, os pregadores que batizam e os líderes das reuniões ilegais devem ser afogados. Os que tiverem sido previamente libertos de prisão e que juraram desistir de semelhantes coisas, incorrem no mesmo castigo. Os anabatistas estrangeiros devem ser expulsos; se voltarem, serão afogados. Ninguém está autorizado a se separar da Igreja [estatal] e se abster da Santa Ceia. Quem fugir de uma jurisdição para outra será desterrado ou extraditado conforme a exigência das autoridades.1

Zuínglio e seus magistrados civis rapidamente prenderam a qualquer professador ou líder anabatista que pudessem encontrar. Lançavam estes cristões em masmorras desoladoras e os alimentavam só com pão e água. Se estes cristões encarcerados se negassem a se retratarem de seus “erros”, atavam-lhes as mões por trás das costas e os afogavam no rio: um batismo de morte.2

Na Alemanha, Áustria e Holanda surgiram outros líderes e grupos de cristões do reino independentemente dos anabatistas da Suíça. Estes outros grupos do reino sem exceção descobriram o mesmo evangelho do reino, e cedo entram em contato uns com os outros. Os reformistas e os católicos chamavam a todos estes cristões do reino pelo nome de anabatistas.

Todos os reformadores principais achavam que o problema fundamental com Roma era sua teologia. Isto se devia ao fato de que todos estes reformistas achavam que a essência do cristianismo era a teologia. No entanto, os anabatistas acertadamente compreendiam que a essência do cristianismo é o relacionamento, e não a teologia. Primeiro temos que nascer de novo para podermos entrar no reino de Deus. E depois podemos crescer como um ramo na videira de Jesus. Sim, Roma apoiava muitas práticas e doutrinas antibíblicas, e cada uma delas devia ser corrigida. Porém, o simplesmente fazer correções teológicas não iria resolver o problema fundamental.

O problema principal era que o catolicismo romano havia se convertido basicamente numa religião mecânica. Tudo funcionava automaticamente. Se uma pessoa apoiasse o credo da Igreja, participasse dos sacramentos e morresse sendo fiel à Igreja (não envolvido em pecado mortal), então era salva. Se uma pessoa cometesse um pecado grave, essa pessoa podia expiá-lo mecanicamente só por cumprir a penitência indicada. Esta podia incluir dar esmolas, participar de uma peregrinação ou cruzada, pagar por uma indulgência ou contemplar as relíquias dos santos. Não se exigia uma mudança de coração. E, portanto, a relação da pessoa com Cristo nunca mudava.

Pois bem, quero deixar bem claro que a Igreja Católica Romana como tal não ensinava oficialmente que o cristianismo era somente uma questão de passar mecanicamente por uma lista de passos. A Igreja realmente ensinava que o amor a Deus e o arrependimento genuíno do pecado eram essenciais. O problema era (e ainda é) que havia um abismo considerável entre o que Roma dizia oficialmente e o que na realidade se praticava e se pregava na comunidade católica típica. Na prática, o catolicismo romano em sua essência havia se convertido numa religião mecânica que pregava uma graça barata.

Geralmente se pensa que a Reforma protestante mudou tudo isto. No entanto, a Reforma protestante só substituiu em grande parte uma forma de graça barata (os sacramentos, as indulgências, etc.) por outra forma de graça barata… a crença fácil: Apenas creia que Jesus morreu por teus pecados e que a tua própria obediência não tem nenhum papel na tua salvação e, pronto!, a tua vida eterna no céu está garantida. A verdade é que os luteranos alemães se diferenciavam pouco dos católicos alemães, exceto no que se referia à teologia e as formas de adoração. Tenho que admitir que as igrejas reformadas na Suíça realmente exigiam uma forma de vida cristã bem mais rígida, a qual faziam cumpri por meio das autoridades civis. Ainda assim estas igrejas ensinavam a pior forma de cristianismo mecânico. Isto é, que Deus arbitrariamente predestinava a todas as pessoas antes mesmo de nascerem.
O novo nascimento

Nem Lutero, nem Zuínglio, nem Calvino nem os católicos romanos punham muita ênfase no novo nascimento. Em seus sistemas, o novo nascimento era simplesmente parte de todo o processo mecânico. Mas para os anabatistas isto era muito diferente. Uma pessoa tinha que começar com o novo nascimento, incluindo um compromisso pessoal com o reino de Cristo. Não se tratava simplesmente de crer em Jesus como o seu Salvador pessoal. Ele também tinha que ser o seu Senhor. E isto não era simplesmente no plano teológico, mas sim algo que se manifestava na vida real da pessoa. Tal como expressou um anabatista:

Ora talvez alguns respondam: “Nossa crença é que Cristo é o Filho de Deus, que sua Palavra é verdade e que ele nos comprou com seu sangue e com sua verdade. Fomos regenerados no batismo e recebemos o Espírito Santo; portanto, somos a verdadeira igreja e congregação de Cristo”. Aos tais respondemos: “Se sua fé é como vocês dizem, por que não fazem o que ele lhes mandou em sua palavra?” Seu mandamento é: “Arrependam-se e guardem os mandamentos”. (…) Fiel leitor, pense que se isto aconteceu com você tal como afirma, (…) você teria que reconhecer, também, que o nascimento antes mencionado e o Espírito recebido estão totalmente sem efeito, sem sabedoria, nem poder e nem fruto em você; sim, são vões e mortos. Que você não vive nem pelo Espírito nem no poder do novo nascimento.3

O mesmo escritor descreveu o tipo de fé que o evangelho do reino exige: “A verdadeira fé evangélica não pode ficar inativa. Ela veste ao nu. Dá de comer ao faminto. Consola o aflito. Protege o desabrigado. Serve os que lhe fazem mal. Ata o que está ferido. Faz-se tudo para todos.”4 Como também expressou outro líder anabatista: “Nenhum homem pode conhecer verdadeiramente a Cristo se não segui-lo em vida”.5

Como diz Paulo: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (1 Coríntios 4:20). A essência do reino não está em palavras (a teologia), mas sim em poder. E nessa passagem Paulo não estava se referindo ao poder para fazer milagres. Os milagres são como as palavras. Eles podem ser parte do reino, mas não são a essência do reino. Eles não são nada sozinhos. Jesus sabia que nossa inclinação seria a de seguir os milagres; por isso, advertiu-nos de antemão: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:22–23).

Se Jesus nunca conheceu a estes fazedores de milagres, isso significa que eles nunca nem sequer estiveram em sua videira. Eles viveram toda sua vida cristã num mundo de fantasia, profetizando e expulsando demônios no nome de Jesus. Eles achavam que tinham poder, mas qualquer que fosse o poder que tivessem não vinha da parte dele. Qual era o problema dele? Era que confiavam em suas próprias obras? Não, Jesus disse que o problema era que eles eram “praticantes de iniqüidade”. Seu reino tem leis, e se não obedecermos a suas leis, somos praticantes da iniqüidade.

Este é o ponto principal que os anabatistas queriam deixar claro a seus ouvintes. Não importa quanta teologia você tenha compreendido corretamente. E não importa os passos formais que tenha dado para nascer de novo. Se você não estiver vivendo sob o poder do Espírito Santo, tudo é inútil. Você nunca esteve na videira de Jesus, ou então foi cortado dela. Alguém que está crescendo na videira de Jesus não é praticante de iniqüidade. Ele não vive em desobediência às leis de Cristo.
O povo do reino

Um escritor anabatista deixou a seguinte descrição dos anabatistas de seu tempo:

No batismo eles sepultam seus pecados na morte do Senhor e ressuscitam com ele a uma nova vida. Eles circuncidam seus corações com a Palavra do Senhor; eles são batizados com o Espírito Santo para entrar no corpo santo e sem mancha de Cristo, como membros obedientes de sua igreja, conforme a verdadeira ordem e a Palavra do Senhor. Eles se vestem de Cristo e manifestam seu espírito, natureza e poder em todo o seu comportamento. Eles temem a Deus com o coração. Em seus pensamentos, palavras, e obras não procuram outra coisa a não ser o louvor de Deus e a salvação de seus amados irmões. Não conhecem o ódio nem a vingança, pois amam a quem os odeiam. Eles fazem bem a quem os maltratam e oram pelos que os perseguem.6

Estas pessoas regeneradas possuem um rei espiritual acima deles que os governa por meio do cetro intato de sua boca, ou seja, com seu Espírito Santo e sua Palavra. Ele os veste com o manto de justiça, de pura seda branca. Ele os refresca com a água viva de seu Espírito Santo e os alimenta com o pão da vida. Seu nome é Jesus Cristo. Eles são os filhos da paz que converteram suas espadas em enxadões e suas lanças em foices, e não aprenderão mais a guerra. Eles dão a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.7

Estes novos cristões do reino rapidamente encontraram uns aos outros e fundaram congregações locais e alianças em todo o continente. O movimento anabatista propagou-se tão rapidamente que parecia que se converteria num movimento mais amplo que o da corrente principal da Reforma protestante.8 Os anabatistas não tinham um sistema de missões organizado. Em vez disso, tal como os primeiros cristãos , todos os anabatistas eram missionários que compartilhavam o evangelho do reino com todas as pessoas que lhes fosse possível. Uma vez mais, o evangelho do reino estava alvoroçando o mundo!

Mas a reação do mundo foi muito rápida. O mundo não tinha nenhum desejo de ser transtornado. Os reformistas temiam que se muitas pessoas se unissem a este novo movimento do reino, eles não teriam tropas suficientes para lutarem contra os católicos ou os turcos. Tanto os reformistas como os católicos desejavam uma sociedade estabelecida dentro dos limites do híbrido constantiniano. Eles haviam chegado ao ponto de crer que se a Igreja e o estado não estivessem unidos, toda a sociedade desapareceria. Portanto, os anabatistas tinham que morrer!

Tanto as Igrejas Católicas Romanas como as da Reforma protestante submeteram estes novos cristões do reino às mesmas torturas desumanas que os romanos pagões uma vez tinham imposto aos cristões de seu tempo (exceto a de lançá-los aos leões). Por exemplo, as autoridades alemãs executaram a seguinte sentença contra o líder anabatista Miguel Sattler:

Decretou-se a sentença de que Miguel Sattler seja entregue ao carrasco, o qual o conduzirá ao lugar da execução e lhe cortará sua língua. Depois, devem atá-lo a uma carroça e arrancar pedaços da carne de seu corpo duas vezes com tenazes de aço em brasa viva. Após tirá-lo do portão [da cidade], eles devem dilacerar o seu corpo mais cinco vezes da mesma maneira. Depois disto, deverão queimá-lo até convertê-lo em cinzas.9

E que crimes tão graves tinha cometido Miguel Sattler para merecer castigo tão cruel? Simplesmente que tinha ensinado a outras pessoas o cristianismo do reino. Dois dos nove artigos da acusação contra ele diziam que ele era contra os juramentos e que pregava a não-resistência. Pergunto-me se aquelas mesmas autoridades cristãs teriam rasgado em pedaços a Cristo com tenazes em brasa e depois o teriam queimado vivo. Afinal de contas, Jesus também pregou a não-resistência e lhe ensinou a seus discípulos a não prestar juramentos.

A perseguição contra os anabatistas foi realmente pior do que a que tinham enfrentado os cristões da igreja primitiva por parte de Roma. Pois foi bem mais minuciosa e persistente. No entanto, mesmo com esta perseguição intensa, os reformistas e os católicos não puderam destruir completamente este novo movimento do reino. Ainda há um remanescente fiel deles entre nós. Ao mesmo tempo, os anabatistas tiveram suas falhas. Por exemplo, em conseqüência da perseguição horrenda nas mões de outros supostos cristões, a maioria deles com o tempo perdeu seu zelo de testemunhar para os outros.
Outros cristões do reino

O movimento anabatista foi um dos movimentos mais importantes da história do cristianismo. Os anabatistas não só restauraram o evangelho do reino no século XVI, mas também um remanescente deles têm mantido a bandeira hasteada há quase quinhentos anos.

No entanto, os anabatistas não foram de maneira nenhuma os únicos cristões do reino durante os últimos quinhentos anos. Embora as Igrejas reformadas chamassem comumente o cristianismo do reino como “legalismo”, cristões individuais do reino surgiram no seio das Igrejas reformadas. Também não faltaram cristões na Igreja Católica Romana. O problema simplesmente é que é bem mais difícil praticar o cristianismo do reino dentro de uma igreja católica ou reformada. Na realidade, nenhum movimento do reino duradouro surgiu jamais de nenhuma Igreja que estivesse relacionada à teologia da Reforma.
Os quacres

Apesar de alguns anabatistas terem chegado à Inglaterra, nunca puderam estabelecer um assentamento permanente lá. No entanto, em 1647, um movimento do reino, original da Inglaterra, surgiu independentemente dos anabatistas. Típico da maioria dos movimentos do reino, este novo

movimento foi iniciado pelo inculto filho de um tecelão. O filho chamava-se Jorge Fox. A partir da leitura da Bíblia por conta própria, sem nenhuma preparação teológica, ele descobriu o evangelho do reino.

Com entusiasmo e gozo, Fox começou a pregar fervorosamente o cristianismo do reino por toda Inglaterra. Ele era tão valente e ousado em sua pregação que às vezes interrompia o sermão na Igreja estatal e começava a pregar para a congregação. Numa ocasião, após fazer isto, uma multidão irritada de fiéis o linchou. Depois de Fox sobreviver à tentativa de enforcamento, eles o espancaram até deixá-lo inconsciente. Quando finalmente recobrou seus sentidos, pôs-se de pé, olhou para a multidão e disse em voz alta: “Batam-me novamente se quiserem. Aqui estão meus braços, minha cabeça e minha face.” Desconcertada, a multidão se dispersou.10

Jorge Fox fez muitos discípulos por meio de sua pregação, e eles se chamavam a si mesmos de Sociedade de Amigos. Outros os chamavam de quacres, nome pelo qual são mais conhecidos. Em toda a Inglaterra, e depois nas Américas, os quacres pregavam os valores do reino por onde fossem. Apesar de as autoridades da Igreja terem açoitado e aprisionado os quacres, nada pôde silenciá-los. No Novo Mundo, os puritanos proibiram os quacres, sob pena de morte, de se fixarem em Massachussets. Todavia, os quacres continuaram testemunhando em Massachussets, e os puritanos enforcaram a alguns deles.

Ao contrário dos anabatistas e os valdenses, os quacres punham ênfase no testemunho interior do Espírito Santo acima dos ensinos da Escritura. Por acreditarem que haviam entrado numa nova era do Espírito, eles ensinavam erroneamente que o batismo e a Ceia do Senhor já não eram necessários.11 Através dos séculos, a sua ênfase na “Luz Interior” do Espírito os conduziu a um ativismo social cada vez maior e a uma menor dependência das Escrituras. Na atualidade, os quacres são um corpo extremamente liberal que se concentram sobretudo no ativismo social. Hoje apenas um pequeno remanescente quacre apóia o evangelho bíblico do reino.
Os “irmões”

Enquanto o movimento quacre florescia em Inglaterra, um novo movimento espiritual (o pietismo) difundia-se fortemente através da Alemanha e do norte de Europa. Almejando uma vida espiritual autêntica, os cristões que pertenciam às Igrejas do Estado começaram a se reunir em pequenos grupos para estudarem a Bíblia e orarem. Tal como os quacres, os pietistas punham um grande importância na obra interior do Espírito Santo. E, igual aos quacres, os pietistas em geral consideravam o batismo e a Santa Ceia como não essenciais, isto é, aspectos sem importância da vida cristã. Infelizmente, ao contrário dos quacres, a maioria dos pietistas não ensinavam uma obediência literal aos ensinos do reino de Jesus.

No área palatina da Alemanha, no começo do século XVIII, um jovem cristão chamado Alexander Mack se despertara espiritualmente pelo movimento pietista. Agora, a maioria dos pietistas permaneciam nas Igrejas estatais (luteranas, reformadas ou católicas) e celebravam seus cultos de oração em horários que não interferiam nos serviços das Igrejas estatais. No entanto, Mack e seus colegas espirituais viram a necessidade de se separarem das Igrejas estatais e regressar ao cristianismo primitivo. A partir da leitura da Bíblia, Mack e seus colegas passaram a ver o claro evangelho do reino. Eles recusaram os juramentos, a guerra, a acumulação de riquezas, as ações judiciais e outras coisas semelhantes que contradiziam com os ensinos de Cristo.12

Estes novos cristões do reino se chamaram a si mesmos simplesmente pelo nome de “irmões”, mas passaram a ser conhecidos como batistas alemães ou dunkards. Eles difundiram o evangelho do reino de maneira entusiasta no meio de todos os povoados onde viviam. A perseguição por parte das autoridades os obrigava a mudar-se de um povoado a outro. Com o tempo, mudaram-se para Germantown, Pensilvânia (EUA). Em sua Autobiography (“Autobiografia”), Benjamin Franklin descreve seu encontro com os dunkards:

Acho que [há] uma conduta mais prudente em outra seita entre nós, a dos dunkards. Conheci um de seus fundadores, Michael Welfare, não muito depois que esta apareceu. Ele se queixou comigo de que estavam sendo caluniados odiosamente pelos fanáticos de outras crenças e que lhes acusavam de princípios e práticas abomináveis com as quais eles não tinham nada a ver. Eu lhe disse que isso sempre acontecia com as novas seitas e que, para deter semelhante abuso, cria eu que seria bom publicar os artigos de sua crença e as regras de sua prática. Ele me disse que isto tinha sido proposto entre eles, mas que não fora aprovado pela seguinte razão:

“Quando inicialmente nos unimos na sociedade,” diz ele, “aprouve a Deus iluminar nossas mentes a ponto de nos fazer ver que algumas coisas que considerávamos verdades, eram erros; e outras que considerávamos erros, eram verdades autênticas. De tempos em tempos, ele se comprazeu em permitir-nos nova luz, e nossos princípios vêm melhorando ao mesmo tempo que nossos erros vêm diminuindo. Agora, não estamos seguros de ter chegado ao final desta progressão e à perfeição do conhecimento espiritual ou teológico. Tememos que se imprimirmos nossa confissão de fé, nos sentiremos atados e confinados a ela, e talvez não estejamos dispostos a receber um maior melhoramento. E nossos sucessores, ainda mais, imaginarão que o que nós seus anciões e fundadores fizemos é algo sagrado e que do qual nunca devem se apartar.

Esta modéstia numa seita é talvez um exemplo único na história da raça humana; pois todas as outras seitas crêem estar na posse de toda a verdade.13

Na realidade, a postura não-dogmática dos dunkards com relação à teologia (no que vai além do fundamental) é muito característica dos novos movimentos do reino. Quando os crentes descobrem o reino pela primeira vez, seu gozo por este tesouro escondido é tão grande que eles se concentram fundamentalmente no reino e em seu Rei. Eles não se preocupam muito com os detalhes minuciosos da teologia.
A “igreja cristã apostólica”

Na Suíça do século XVIII, depois que os anabatistas por pouco desapareceram do país, Samuel Fröhlich, um jovem estudante de seminário, organizou irmandades cristãs baseadas em grande parte numa interpretação literal da Palavra de Deus. Não por acaso, isto o conduziu aos já conhecidos fundamentos do evangelho do reino: a não-resistência, a teologia simples, um reconhecimento do papel que desempenha a obediência na salvação e a rejeição aos juramentos e o materialismo. Tal como todos os outros novos cristões do reino, Fröhlich e seus irmões crentes testemunhavam com entusiasmo, e seu movimento do reino se propagou rapidamente por toda a Europa. Estes cristões do reino estão conosco ainda na atualidade, sendo conhecidos na Europa como nazarenos e no continente americano como a “Igreja Cristã Apostólica”.
Brotos do reino

A maioria das pessoas que lêem as Escrituras sem a influência de doutrinamentos anteriores geralmente chegam a um conhecimento do evangelho do reino. Portanto, não é de se estranhar quando descobrimos que novas igrejas em casas e irmandades pequenas com freqüência ensinam o evangelho do reino. Na realidade, algumas das igrejas convencionais fundadas que conhecemos na atualidade abraçavam a doutrina da não-resistência e pregavam um evangelho mais próximo ao evangelho do reino em sua infância. Alguns exemplos seriam a Igreja de Cristo, a Igreja Cristã, os morávios, algumas das igrejas pentecostais e algumas das igrejas do Holiness wesleyanas. No entanto, à medida que esses movimentos cresceram, começaram a fundar seminários, adquiriram respeitabilidade, e em geral perderam a maioria dos ensinamento do reino.

Antes de parar com nossa discussão a respeito dos vários movimentos do reino ao longo da história, desejo deixar bem claro que estes grupos do reino não apoiaram exatamente as mesmas crenças teológicas. Todos eles (com a exceção dos quacres, cujo ensino sobre o batismo era muito fraco) apoiaram o Credo Apostólico e o evangelho do reino, incluindo os ensinos de Jesus Cristo sobre o estilo de vida. É isso que é importante para Jesus.

http://www.aigrejaprimitiva.com/osquacreseosreformadores.html

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ORGULHO ESPIRITUAL - Jonathan Edwards

ORGULHO ESPIRITUAL
Jonathan Edwards

“Nenhuma outra coisa deixa a pessoa fora do alcance do diabo como a humildade.“.

A primeira e a pior causa do erro que prevalece em nossos dias é o orgulho espiritual. Ele é a porta principal através da qual o diabo influi no coração daqueles que são zelosos pelo avanço do reino de Cristo. O orgulho espiritual é a maior porta de acesso da fumaça que sobe do abismo para obscurecer a mente e perverter a capacidade de julgar, bem como é o principal instrumento com o qual Satanás assalta os crentes, a fim de obstruir a obra de Deus. Até que essa enfermidade seja curada, os remédios para curar todas as outras enfermidades são aplicados em vão.

O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que qualquer outra corrupção, porque, por natureza, o orgulho equivale a uma pessoa alimentar pensamentos elevados a respeito de si mesma. Existe alguma surpresa no fato de que uma pessoa que possui pensamentos muitos elevados a respeito de si mesma seja inconsciente do orgulho? Ela acha que sua opinião a respeito de si mesma tem fundamentos corretos e, por conseguinte, supõe que essa opinião não é muito elevada. Como resultado, não existe outro assunto em que o coração humano se mostra mais enganoso e impenetrável. A própria natureza do orgulho consiste em desenvolver autoconfiança e rejeitar qualquer suspeita de que, em si mesmo, o coração é mau.

O orgulho assume muitas formas e moldes, envolvendo todo o coração, como as cascas da cebola – quando você remove uma casca da cebola, existe outra por baixo. Portanto, precisamos ter a mais intensa vigilância possível sobre nosso coração, no que se refere a este assunto, e, com profundo ardor, clamar por ajuda ao grande Perscrutador dos corações. Aquele que confia em seu próprio coração é um tolo.

Visto que o orgulho espiritual, por sua própria natureza, é secreto, ele não pode ser bem discernido pela intuição imediata. O orgulho espiritual é melhor identificado por seus frutos e efeitos, alguns dos quais mencionarei em paralelo aos frutos contrários da humildade cristã.

A pessoa espiritualmente orgulhosa se considera cheia de entendimento e sente que não precisa de qualquer instrução; por isso, ela se mostra pronta a rejeitar o ensino que outros lhe oferecem. Por outro lado, o crente humilde é semelhante a uma criança que facilmente recebe instrução; é cauteloso em sua avaliação de si mesmo e sensível a respeito de como está sujeito a tropeçar. Se lhe for sugerido que ele realmente está sujeito a tropeçar, com muita prontidão o crente humilde estará disposto a inquirir sobre o assunto.

Pessoas orgulhosas tendem a falar sobre os pecados dos outros, ou seja, sobre a miserável ilusão dos hipócritas, sobre a indiferença de alguns crentes que sentem amargura ou sobre a oposição que muitos crentes demonstram para com a santidade. A verdadeira humildade cristã fica em silêncio no que se refere aos pecados dos outros ou fala sobre eles com tristeza e piedade.

A pessoa espiritualmente orgulhosa encontra nos outros crentes o erro de falta de progresso na vida cristã, enquanto o crente humilde vê muitos erros em seu próprio coração e se preocupa, a fim de que ele mesmo não se veja inclinado a ocupar-se demais com o coração dos outros. Ele lamenta muito por si mesmo e por sua frieza espiritual, esperando prontamente que muitas outras pessoas tenham mais amor e gratidão a Deus, mais do que ele mesmo.

A pessoa espiritualmente orgulhosa fala sobre quase tudo que percebe nos outros, fazendo-o com grosseria e com uma linguagem bastante severa. Em geral, a crítica de tais pessoas se dirige não apenas contra a impiedade dos incrédulos, mas também contra os verdadeiros filhos de Deus e contra aqueles que são seus superiores, Os crentes humildes, por sua vez, mesmo quando fazem extraordinárias descobertas da glória de Deus, sentem-se esmagados por sua própria vileza e pecaminosidade. As exortações deles para os outros crentes são ministradas de maneira amável e humilde; e tratam os outros com tanta humildade e gentileza quanto o Senhor Jesus, que é infinitamente superior a eles, os trata.

O orgulho espiritual com freqüência dispõe a pessoa a agir de maneira diferente em sua aparência exterior e a assumir uma linguagem, semblante e comportamento diferentes. No entanto, o crente humilde, embora se mostre firme em seus deveres e prossiga sozinho no caminho do céu, mesmo que todo o mundo o abandone, ele não se deleita em ser diferente apenas por amor à diferença. O crente humilde não estabelece como objetivo primordial o ser visto e observado como alguém diferente; pelo contrário, ele está disposto a tornar-se tudo para todos os homens, sujeitar-se aos outros, conformar-se a eles e agradá-los em tudo, exceto no pecado.

As pessoas orgulhosas levam em conta as oposições e injúrias, estando dispostas a falar sobre elas em tom de amargura e murmuração. A humildade cristã, por outro lado, dispõe a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, que, ao ser maltratado, não abriu a sua boca, mas entregou-se silenciosamente Àquele que julga retamente. Para o crente humilde, quanto mais clamoroso e irado o mundo se mostra com ele, tanto mais quieto e tranqüilo ele permanecerá.

Outro padrão das pessoas espiritualmente orgulhosas é comportarem-se de maneira que levem os outros a fazerem delas seu alvo. É natural para uma pessoa que está sob a influência do orgulho aceitar toda a reverência que lhe tributam. Se os outros mostram disposição para submeterem-se a ela e sujeitarem-se em deferência a ela, a pessoa espiritualmente orgulhosa está aberta para esta sujeição, aceitando-a espontaneamente. Na verdade, aqueles que são espiritualmente orgulhosos esperam esse tipo de tratamento, formando uma opinião pervertida sobre aqueles que não lhe oferecem aquilo que eles sentem que merecem.

(Adaptado de Alguns Pensamentos Sobre o Atual Avivamento do Cristianismo na Nova Inglaterra, extraído de As obras de Jonathan Edwards, Banner of Truth.)

UMA REFLEXÃO DE IGREJA EM CÉLULAS

Igreja em Células - O Povo Que Se Importa

Encontro:- (Quebra-gelo) - Cada pessoa deve falar:- Os melhores anos de minha vida estão no passado, no presente ou no futuro?

Exaltação:- Salmo 117:- “Louvai ao Senhor vós todos os gentios, lou­vai-o todos os povos. Porque mui grande é a sua misericórdia para co­nosco e a fidelidade do Senhor subsiste para sempre. Aleluia!”. Exal­temos a misericórdia e a fidelidade do Senhor com cânticos, palavras e ora­ções de exaltação. É hora de usarmos nossos dons espirituais para proveito de todos participantes desta igreja caseira.

Edificação:- No culto de celebração, o pastor Moacir nos falou de JUSTIÇA, em continuação ao assunto iniciado no domingo anterior. Deus mede a nossa conduta através do seu padrão de justiça (Isaías 26.7). Para exercermos justiça necessitamos temer a Deus. Vamos ler a Palavra em I Pedro 1. 13 a 19. Com base nessa Palavra vamos todos comentar as per­guntas abaixo:-

1. Verso 14 - As paixões do passado podem servir de molde para a nossa vida?

2. Versos 15 e 16 - O Cristianismo exige um padrão de vida, de justiça e santidade, para isso temos recebido da graça de Jesus em nossos cora­ções. Qual deve ser o nosso padrão de santidade?

3. Versos 18 e 19 - Quando uma pessoa é seqüestrada, os bandidos exi­gem quantias em dinheiro para o resgate. Nós estávamos prisioneiros de satanás, o nosso dinheiro (ouro e prata) poderia pagar o preço do nosso resgate, da nossa libertação?

4. Alguma coisa tem impedido você de assumir um compromisso com Jesus? Agora é hora de amarrarmos todo sentimento de tristeza, enfer­midade, lembranças más do passado. Vamos nos livrar desses males, colocando-os agora em oração na cruz onde Jesus Cristo levou as nos­sas maldições.

Evangelismo:- Estamos felizes com Jesus? É hora de repartirmos essa felicidade com os nossos queridos. Vamos orar por eles que foram ou estão sendo colocados em nossa relação do OIKÓS (parentes e amigos).

No domingo às 19,30 horas participe do culto de celebração,

se possível, levando mais uma pessoa

JÚNIAS, UMA APÓSTOLA MENCIONADA PELO APÓSTOLO PAULO

Cópia de mensagem (e-mail) enviado pela missionária batista americana que trabalhou no Brasil durante décadas ao lado de seu esposo e pastor, sobre o tema tão controverso do ministério feminino em nossas Igrejas.
Ivo Prado.
_________________________________________________

Caro xxx: 

 O ponto que eu queria fazer foi que em falar de apostolado e citar numerosos versículos, que o versículo a respeito de Júnias, uma mulher, foi deixado fora. Isto é um exemplo de uma prática comum em nossa teologia, de simplesmente deixar fora qualquer menção das mulheres. Daí podemos dizer com tanta segurança que a mulher nunca oucupou posições de liderança no Novo Testamento. 

 O mesmo tipo de pesquisa que é dispensado aos assuntos de homens não tem sido dedicado aos assuntos de mulher porque pensamos que já sabemos tudo que é preciso. Mas isso é muito longe da realidade. No caso de Júnia de Roma, parente de Paulo, ela foi à prisão por sua fé. "Ela foi mencionado por Paulo em Romanos 16:7 como 'os quais são bem conceituados entre os apóstolos'. ... 

Até à Idade Média, a identidade da Júnia como uma apóstola feminina foi inquestionável. Tradutores subsequentes tentaram mudar o gênero por mudar o nomes para o masculino Junio. Mas tal nome é desconhecido na antiquidade; e não existe absolutamente nenhuma evidência literária, epigráfica, ou papirológica por ele." (Kroger, Catherine. "A História Negligenciada de Mulheres na Igreja Primitiva" (The Neglected History of Women in the Early Church"), CHRISTIAN HISTORY, Vol. VII, No. 1, Issue 17, p. 7. Este exemplar da revista é totalmente dedicado às Mulheres na Igreja Primitiva. 

 A Dra. Catherine Kroeger é professora de grego, Novo Testamento, Pensamento Cristão, História da Igreja e Ministério em Gordon-Conwell Theological Seminary e formada em mulheres na religião antiga. A sua página no corpo docente fica em: <http://www.gordonconwell.edu/facl/kroeger.html>. Numa hora mais jovial a Dra. Catherine disse que os homens tem tido 2000 anos para achar um só exemplo do nome de Junio entre os papiros que vão sendo descobertos e ainda não o encontraram, mas eles não estão desanimados. 

 Agora, o fato de surgiu esta tentativa de mudar um nome feminino para um masculino é uma prova que a frase "os quais são bem conceituados entre os apóstolos" foi entendido como sendo sobre pessoas apóstolas, pois se fosse a respeito e dois homens, não haveria problema. Paulo não foi dos doze mas defendeu o seu apostolado. Mas o problema surgiu em torno do nome feminino. Em nossa época, que jatamos ser moderna, ainda não aguentamos ver no Novo Testamento traços de liderança feminina. Até eu tenho estudado pormenorizadamente este relatório e feito comentário para nosso irmão Lourenço. 

Certamente se a mulher foi apóstola, pregadora (profetisa), pastora (ancião) chamada viúva, diaconisa, virgen (uma mulher que dedicou a sua vida inteira à igreja), etc. toca neste assunto. Estou vendo que a minha tarefa de conscientização é muito grande, mas eu também não estou desanimada.

 Carolyn Goodman Plampin Coordinator, Women's Academic WWW Resources Baptist Women in Ministry and Wake Forest University <http://www.wfu.edu/academic-departments/Womens-Studies/

sábado, 25 de janeiro de 2014

Eu Não Sei - Augustus Nicodemus Lopes


Recentemente li uma crítica feita aos calvinistas que eles costumam escapar de dilemas teológicos resultantes de sua própria lógica recorrendo ao conceito de “mistério”. Ou seja, os calvinistas, depois de se colocarem a si mesmos numa encruzilhada teológica, candidamente confessam que não sabem a resposta para a mesma.

A crítica em particular era sobre a doutrina da predestinação. Segundo a crítica, os calvinistas insistem que Deus decretou tudo que existe, mas quando chega o momento de explicar a existência do mal no mundo, a liberdade humana e a responsabilidade na evangelização, eles simplesmente dizem que não sabem a resposta para os dilemas lógicos criados: se Deus predestinou os que haveriam de ser salvos e condenados, como podemos responsabilizar os que rejeitam a mensagem do Evangelho? Os calvinistas, então, de acordo com a crítica, recorrem ao que é denominado de antinômio, a existência pacífica de duas proposições bíblicas aparentemente contraditórias que não podem ser harmonizadas pela lógica humana.

A verdade é que, além da soberania de Deus, temos outras doutrinas na mesma condição, como a definição clássica da Trindade, mantida não somente pelos calvinistas, mas pelo Cristianismo histórico em geral. Por um lado, ela afirma a existência de um único Deus. Por outro, afirma a existência de três Pessoas que são divinas, sem admitir a existência de três deuses.

Ao longo da história da Igreja vários tentaram resolver logicamente o dilema causado pela afirmação simultânea de duas verdades aparentemente incompatíveis. Quanto ao mistério da Trindade, as soluções invariavelmente correram na direção da negação da divindade de Cristo ou da personalidade e divindade do Espírito Santo; ou ainda, na direção da negação da existência de três Pessoas distintas. Todas essas tentativas sempre foram rechaçadas pela Igreja Cristã por negarem algum dos lados do antinômio.

Um outro exemplo foram as tentativas de resolver a tensão entre as duas naturezas de Cristo. Os gnósticos tendiam a negar a sua humanidade para poder manter a sua divindade. Já arianos, e mais tarde, liberais, negaram a sua divindade para manter a sua humanidade. Os conservadores, por sua vez, insistiram em manter as duas naturezas e confessar que não se pode saber como elas podem coexistir simultânea e plenamente numa única pessoa.

No caso em questão, as tentativas de solucionar o aparente dilema entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana semprecaminharam para a redução e negação da soberania de Deus ou, indo na outra direção, para a anulação da liberdade humana. Noprimeiro caso, temos os pelagianos e arminianos. No outro, temos os hipercalvinistas, que por suas posições deveriam mais ser chamados de “anticalvinistas”. Mais recentemente, os teólogos relacionais chegaram mesmo a negar a presciência de Deus pensandoassim em resguardar a liberdade humana.

Há várias razões pelas quais eu resisto à tentação de descobrir a chave desses enigmas. A primeira e a mais importante é o fato quea Bíblia simplesmente apresenta vários fatos sem explicá-los. Ela afirma que há um Deus e que há três Pessoas que são Deus. Nãonos dá nenhuma explicação sobre como isso pode acontecer, mesmo diante da aparente impossibilidade lógica do ponto de vistahumano. Os próprios escritores bíblicos, inspirados por Deus, preferiram afirmar essas verdades lado a lado, sem elucidar a relaçãoentre elas. Em seu sermão no dia de Pentecostes, Pedro afirma que a morte de Jesus foi predeterminada por Deus ao mesmo tempoem que responsabiliza os judeus por ela. Não há qualquer preocupação da parte de Pedro com o dilema lógico que ele cria: se Deuspredeterminou a morte de Jesus, como se pode responsabilizar os judeus por tê-lo matado? Da mesma forma, Paulo, após tratar deste que é um dos mais famosos casos de antinomínia do Novo Testamento (predestinação e responsabilidade humana), reconhece a realidade de que os juízos de Deus são insondáveis e seus caminhos inescrutáveis (Rm 11.33).

A segunda razão é a natureza de Deus e a revelação que ele fez de si mesmo. Para mim, Deus está acima de nossa possibilidadeplena de compreensão. Não estou concordando com os neo-ortodoxos que negam qualquer possibilidade de até se falar sobre Deus.Mas, é verdade que ninguém pode compreender Deus de forma exaustiva, completa e total. Dependemos da revelação que ele fez desi mesmo. Contudo, essa revelação, na natureza e especialmente nas Escrituras, mesmo suficiente, não é exaustiva. Não sendoexaustiva, ela se cala sobre diversos pontos – e entre eles estão o relacionamento lógico entre os pontos que compõem a doutrina daTrindade, da pessoa de Cristo e da soberania de Deus.

A terceira razão é que existe um pressuposto por detrás das tentativas feitas de explicar racionalmente os mistérios bíblicos, pressuposto esse que eu rejeito: que somente é verdadeiro aquilo que podemos entender. Não vou dizer que isso é exclusivamente fruto do Iluminismo do séc. XVII pois antes dele essa tendência já existia. O racionalismo acaba subordinando as Escrituras aos seus cânones. Prefiro o lema de Paulo, “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Coríntios 10.5). Parece que os racionalistas esquecem que além de limitados em nosso entendimento por sermos criaturas finitas, somos limitados também por nossa pecaminosidade. É claro que mediante a regeneração e a iluminação do Espírito podemos entender salvadoramente aquilo que Deus nos revelou em sua Palavra. Contudo, não há promessas de que regenerados e iluminados descortinaremos todos os mistérios de Deus. A regeneração e a iluminação não nos tornam iguais a Deus.

Além dos mistérios mencionados, existem outros relacionados com a natureza de Deus e seus caminhos. Diante de todos eles, procuro calar-me onde os escritores bíblicos se calaram, após esgotar toda análise das partes do mistério que foram reveladas. Nãoestou dizendo que não podemos ponderar sobre o que a Bíblia não fala – mas que o façamos conscientes de que estamos apenasespeculando, no bom sentido, e que os resultados dessas especulações não podem ser tomados como dogmas.

Augustus Nicodemus Lopes

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/07/eu-no-sei.html?m=1

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A MÚSICA GOSPEL?


A música é um poderoso instrumento para comunicar as verdades do evangelho. 

Através da música, a verdade é retida com mais rapidez. A música, por isso, precisa ser serva da palavra de Deus e não substituto dela. Há muitas músicas cheia do homem e vazias de Deus. Cheias de humanismo e vazias da cruz. As grandes verdades do evangelho não são vistas mais na maioria das músicas. 

Falta a muitos compositores o mínimo de conhecimento bíblico e teológico. Há distorções gritantes nas letras. E o pior, muitas igrejas cantam essas músicas sem o mínimo critério. 

Cabe aos pastores passar essas músicas por um filtro, ou seja, por um exame. Não podemos cantar aquilo que não está fundamentado nas Escrituras. 

A música gospel precisa ser bíblica ou então será anátema!

Hernandes Dias Lopes.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por que os Salmos 120 a 134 são chamados de Cânticos de Degraus?

Estes Salmos são chamados de Salmos de Peregrinação, ou Cânticos das Subidas, ou em algumas Bíblia, Cânticos de Degraus.

No cabeçalho de cada um destes Salmos encontra-se a expressão shir hama´alot, que significa, literalmente, cânticos ou canção das subidas. A expressão “das subidas” está ligada a palavra ma´alot, que tem a raiz verbal na palavra(‘alah), que significa subir. Existem algumas traduções que interpretam o termo shir hama´alotpor “salmos de romaria (ou romagem)”.

Certas canções das subidas receberam acréscimos, como os Salmos 122, 124 e 133 com a expressão ledawid (para Davi) e outra no Salmo 127, com a expressãoleShlomon (para Salomão). Essas canções foram usadas no período pós-exílico pelos peregrinos que iam em direção as festas cultuais no reconstruído Templo em Israel, a saber, as celebrações: da Páscoa (Pesach), das Semanas ou Colheita (Shavuot) e dos Tabernáculos (Sucot). Estas são as três festas de peregrinação descritas na Bíblia como mandamento. Cada Israelita deve subir a Jerusalém para ser visto ou ver a Deus no Templo.

Um fato curioso neste grupo de Salmos é que apenas o Salmo 122 faz menção especificamente à peregrinação para o Templo da cidade santa, a Jerusalém. Conforme no verso 1 e 2, “Alegrei-me quando disseram para mim: Para a Casa de Javé, nós vamos; Colocados estão os nossos pés, nos teus portões, ó Jerusalém”, revela uma ação contínua, evocando uma ideia de movimentação no sentido de peregrinar, ou seja, o fato se consome na medida em que os peregrinos vão em destino à Jerusalém, no Templo.

Diante deste aspecto, cabe analisar quais seriam os critérios para a formação desta coleção de 15 Salmos (120-134) e o porquê destes Salmos estarem agrupados sob o mesmo título. Uma explicação coerente para tal questão é devido no título de cada um desses Salmos apresentarem a palavra shir (cânticos) que evoca o sentido de tal ajuntamento, ou seja, esta coleção foi agrupada, devido estes Salmos serem uma coleção de cantos.

Três características que poderiam explicar esta questão: uma refere-se às repetições ou frases em versos sucessivos, dando a impressão de tratar-se de passos dentro de um processo. A segunda considera que os quinze salmos teriam relação com os quinze degraus que vão do culto das mulheres ao culto de Israel. A terceira associa estes cantos com a subida dos exilados do cativeiro na Babilônia (Esd 2,1; 7,9).

Para Luis Alonso Schökel, estes cânticos retratam os cantos dos repatriados à luz do contexto de cada salmo e o sentido proeminente destacada pelos poetas bíblicos está ligado ao retorno como uma celebrante peregrinação.

Estrutura dos Shir hama’alot (cânticos das subidas)
A coleção dos Shir hama´alot apresenta uma estrutura consistente e coesa. Ela não foi formulada sem uma razão, mas oferece uma estrutura que indica certa intencionalidade do autor, sendo composta e organizada. São composições curtas, exceto o salmo 132.

1. Os Salmos 120-122
Os salmos 120-122 é uma introdução desta coleção. A peregrinação começa no 120 e termina no 122 com “seus pés” nas portas de Jerusalém. Esta composição apresenta segundo Milton Schwantes, três temas:

1) Sl 120:o tema do Êxodo, a opressão dos homens de Meseque e a confiança em Deus que escuta a oração de seu povo que está em perigo; 2) Sl 121: o tema é da confiança em Deus, conforme o Sl 120, que no caso o salmista está em viajem para Jerusalém e pela noite o Senhor o abriga, livrando-o de qualquer ameaça;

3) Sl 122:a chegada segura em Jerusalém. Esta introdução da coleção ma´alotestá baseada no tema da confiança em Javé e que une estas três poesias.

2. Os Salmos 123-126
A segunda parte da coleção dos cânticos de subida apresenta os salmos 123-126 que opostamente do 120-122 que fazem uma oração individual, esta agora é uma súplica coletiva, que segundo Milton Schwantes ressalta é as dores que o salmista carrega em si para compartilhar com os demais em Jerusalém. Para Tércio M. Siqueira, não muito diferente do que o Schwantes destaca, é o tema do lamento que é uma expressão significativa neste bloco.

O que caracteriza este grupo é a súplica lamentosa presente em cada um destes salmos: Tem misericórdia, Javé, tem misericórdia (Sl 123,3); Faze o bem, Javé, para os bons... (Sl 125,4); Retorna, Javé, os nossos cativos (Sl 126,4). Embora fugindo ao padrão literário destas três composições (Imperativo + nome de Javé + repetição do tema), o salmo 124,6 faz basicamente o mesmo processo.

Mesmo sob o tom de lamento presente nestes textos, o tema da confiança em Deus continua presente nestes salmos, pois apesar da súplica de descontentamento contra os malfeitores, o salmista expressa sua esperança em Javé.

3. Os Salmos 127-129
Este conjunto de textos apresenta a mesma configuração anterior, o tema da confiança, porém de forma ou gênero diferente. Assim é o caso dos salmos 127-128 com a confiança em Javé pautada no gênero sapiencial. O salmo 129, em tonalidade mais coletiva, fecha este conjunto e apresenta a confiança em Javé frente aos seus opositores. Este conjunto começa relatando sobre os malfeitores (Sl 127) e conclui relatando sobre estes malfeitores (Sl 129), mas com uma afirmação de confiança em Deus. “Outra evidência da unidade, entre os salmos 127-129 é a declaração de fé, nos salmos 128 e 129: os que confiam em Javé receberão as Suas bênçãos.

4. Os Salmos 130-131
Os salmos 130-131 fazem parte de um mesmo conjunto apresentando também uma mesma temática dos conjuntos anteriores, ou seja, o tema da confiança em Javé (Sl 130,7 e 131,3). O salmo 130 é uma afirmação de fé baseado na confiança na libertação de Javé e o Salmo 131 é uma oração de confiança.

5. Os Salmos 132-134
Este conjunto de salmos (Sl 132-134) é a conclusão dos ma´alot, onde o destaque maior está no verbo barak, abençoar e no louvor do povo ao receber as bênçãos de Deus. Para Schwantes, esta conclusão é a despedida dos peregrinos que estão em Jerusalém e são abençoados pelo sacerdote: “é como óleo fino sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão”.

Portanto, nesta coleção dos shir hama´alot temos o tema da confiança como um fator central e que tem por periférico os conflitos vivenciados no cotidiano do povo. Assim, os devotos de Javé seguem em peregrinação em direção a Jerusalém tendo por foco a confiança de que Javé irá abençoá-los. Destaque para a introdução que evoca o sentido da confiança e para a conclusão que evoca o sentido do louvor, onde entrelaçados dão sentido a uma coleção que está voltada para questões do culto.

Quando foi escrita esta coleção
Neste momento será analisada a época em que se inserem os Salmos de Subidas. Conforme visto anteriormente, se torna uma tarefa complexa saber com exatidão o período em que estas poesias foram formadas. No entanto, o que se pode perceber são algumas pistas que podem levar a uma datação periódica dos textos.

Diante de tais questões, destaca-se o pensamento de Carlos Mesters que diz que os Salmos de Subidas são originados da vida do povo de Deus. Com isso, eles são de tempos diferentes, podendo até se contextualizar com o nosso tempo. Contudo, diante de variadas referências da época pós-exílica encontrada nestes salmos faz-se supor que este bloco de poesias faz parte desta tal época.

Para Milton Schwantes, os salmos de subidas “sem sombra de dúvidas” estão relacionados ao período pós-exílio, excepcionalmente por volta do ano 350-300 a. C., no contexto dos persas e gregos. Também, outros pesquisadores compartilham da mesma hipótese devido à literatura dos Salmos terem algum tipo de semelhança com os textos de Crônicas, Esdras, Neemias e Rute. Segundo Tércio M. Siqueira, outra questão relevante que leva a pensar no período pós-exílico é o tema da confiança tão presente nos shir hama´alot, canções das subidas.

Outro fator histórico que contribui para datar esta coleção é o tema da confiança, fortemente presente no conteúdo desses salmos. Como um livro destinado a estimular o povo a confiar em Javé, é possível pensar, com forte possibilidade, que estes salmos foram compostos e editados com a finalidade de fortalecer na fé uma comunidade sem consolo e destruída pela desestruturação, primeiramente, empreendida pelos babilônios e, mais tarde, os persas e os gregos.

http://www.abiblia.org/ver.php?id=6708#.UuEwghBTvIU

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

PORQUE A GALINHA ATRAVESSOU A ESTRADA? ATUALIZAÇÃO DE VELHAS VERSÕES

PORQUE A GALINHA ATRAVESSOU A ESTRADA? PREGADORES, TEÓLOGOS, APÓSTOLOS E HEREGES EXPLICAM.

Martinho Lutero: A galinha estava deixando Roma.

John Wesley: O coração do galinha foi estranhamente aquecido.

John Piper: Deus decretou o evento para maximizar a sua glória.

C.S. Lewis: Se uma galinha descobre em si mesmo desejos os quais nada neste lado possam satisfazer, a explicação mais provável é que ela foi criada para o outro lado.

Paul Washer: a galinha atravessou a estrada porque se continuasse onde estava, a ira de Deus iria torrar suas penas.

Mark Driscoll: A culpa é do marido, sempre é do marido, ela estava seguindo o exemplo do galo.

Billy Graham: A galinha se entregou toda.

Tomé: Eu não acredito que a galinha atravessou a menos que eu veja com meus próprios olhos.

Pedro: Que galinha? Que estrada? Nunca conheci uma galinha! (o galo canta).

Ezequiel: Deus ressuscitou os ossos de galinha e depois ela atravessou a estrada.

David Quilan: O frango atravessou a rua pq ele “está apaixonado, está apaixonado, está apaixonado, está apaixonado, está apaixonado, está apaixonado, por ti Jesus”. E atravessou a rua “correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo, correndo pra ti”

Marco Feliciano: A galinha não conseguiu atravessar pois era um ancestral amaldiçoado por Noé!

Valnice Milhomens: Os últimos atos proféticos influenciaram a galinha num novo mover. Logo, a galinha não tinha outra escolha senão atravessar.

R. R. Soares: corre na estrada, atravessa a estrada, mostre que "Aqui" você foi curada!

G-12: A galinha fez regressão ao uterina (ovo), quebrou as maldições, e atravessou porque atravessar é TREMENDO.

Waldomiro Santiago: Ela fugiu para o outro lado porque não aguentava mais ser perseguida, estava chorando antes de atravessar.

Edir Macedo: Ela não quis atravessar! antes queria participar de uma sessão de descarrego pois estava endemoninhada!

Freestyle: A galinha fez uma travessia mó da hora para o outro lado. Maneiro.

Sarah Sheeva: A 'galinha' atravessou a rua porque eh galinha mesmo. Se fosse PRINCESA ela teria escolhido esperar pelo seu príncipe do primeiro lado da rua!

Ana Paula Valadão: Ela atravessou para se entregar nas asas do Pai!

Caio Fábio: A galinha atravessou porque encontrou o Caminho da Graça e rompeu com a instituição.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

APÓS O ARREBATAMENTO DA IGREJA HAVERÁ FOME E SEDE DA PALAVRA NA TERRA


"Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão."
Amós 8:11-12

- Certamente esses serão dias em que as "igrejas com seus pastores" que ficaram estarão mais cheias de pessoas procurando ouvir a Palavra de Deus, procurando encherem suas lâmpadas do azeite do Espírito. Mas nem seus pastores e muito menos os seus membros terão uma palavra de vida para dar, porque nunca foram crentes. Eram os mornos, eram o joio do qual a Bíblia tanto fala. Eram aqueles que não criam no poder do Espírito nem apresentavam os frutos do primeiro amor que são vidas rendidas ao Senhorio de Cristo Jesus. Ministérios de folhas bonitas, mas sem o fruto para alimentar o faminto. 

- Hoje é tempo de crer na Palavra, tempo de crer no poder do Espírito.

Ivo Prado.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DIVERSOS CREDOS DOS CRISTÃOS


Se os termos
- Cristandade;
- Reforma;
- Eclesiologia;
- Sacramentologia;
- Total Depravação;
- Eleição Incondicional;
- Expiação Limitada;
- Graça Irresistível;
- Perseverança dos Santos

e mais alguns outros causam-lhe curiosidade ou repulsa, eis abaixo alguns links interessantes para serem lidos antes de levantarem perguntas, pois eles podem já conter a resposta para suas indagações ou objeções. Podendo escolher entre uma refeição completa de obras ou um petisco rápido no fast-food intelectual que é o Facebook, vá de refeição!

Ei-los:
Credo Apostólico (325 AD) - http://goo.gl/DyXnK
Credo Niceno-Constantinopolitano (381 AD) - http://goo.gl/0n89u7
Credo de Atanásio (Séc VI) - http://goo.gl/B1fs2r
Confissão da Guanabara (1558 AD) - http://goo.gl/4MXknn
Confissão de la Rochelle (1559 AD) - http://goo.gl/eJKvpN
Confissão Escocesa (1560 AD) - http://goo.gl/8Nhjmw
Confissão Belga (1561 AD) - http://goo.gl/P3MPNT
2ª Confissão Helvética (1562 AD) - http://goo.gl/F5kAPX
Catecismo de Heidelber (1563 AD) - http://goo.gl/nVdIuO
Cânones de Dort (1619 AD) - http://goo.gl/70Ea7x
Confissão de Fé de Westminster (1647 AD) - http://goo.gl/hX0z6Y
Catecismo Maior de Westminster(1647 AD) - http://goo.gl/erZwAq
Breve Catecismo de Westminste (1647 AD)- http://goo.gl/77ZzD

Boa leitura


Do Grupo "João Calvino" - facebook
https://www.facebook.com/groups/joaocalvino/

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Formação de discípulos - "Cada casa uma igreja, todos os discípulos obreiros"


FORMAÇÃO DE DISCÍPULOS



"Cada casa uma igreja, todos os discípulos obreiros"

Jesus chama e comissiona todos os nascidos de novo para serem discípulos, obreiros, ceifeiros da seara do Senhor. Ninguém é chamado para ficar nos bancos das nossas Igrejas, nem para ser apenas um simples membro de banco ou de programas. Disso o Senhor pedirá contas tanto dos crentes em geral, como e, principalmente, das lideranças que acabam enterrando, desperdiçando os talentos dos membros que o Senhor colocou em suas mãos. 

O exemplo de Jesus Cristo

Jesus se preocupou com as multidões? Mateus 9.36-38.

Conquistou mais de 500 discípulos (I Coríntios. 15.6) dos quais 12 eram os mais próximos. A estes ele chamou, consolidou, treinou e enviou.

Porque Jesus não dedicou muito tempo às multidões? Dedicou a maior parte do Seu ministério terreno aos doze que lhe eram próximos, que são chamados de discípulos e após o Pentecostes passam a ser chamados de apóstolos.

Após Sua ressurreição comissiona os Seus discípulos conforme lemos em Mateus 28: 18-20, Marcos 16.15-20 e Atos 1.8.

- Derramou o poder do Alto aos 120 conforme lemos em  Atos 2. Também em Samaria, Atos 8.14-17; a Paulo, Atos 9.17; aos gentios na casa de Cornélio, Atos 10.44-46; a Apolo, Atos 18.24-26 e aos doze de Éfeso, prováveis discípulos de Apolo, Atos 19.6. Esse mesmo poder tem sido derramado sobre a Igreja através da história e hoje também a todos quantos o buscam sinceramente.

Segredo do discipulado eficaz:

Amou-os:João 13.1 - "Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim."

Foi exemplo para eles "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também."João 13:15. "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas." 1 Pedro 2:21


O Senhor nos comissiona hoje para a pregação do evangelho: "E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas." Romanos 10:15


Assim como Jesus amou e capacitou os seus discípulos, também hoje, através dos líderes que deve amar e capacitar os seus liderados. Uma das qualidades essenciais do líder é a de formar outros líderes iguais a ele, ou seja, iguais ao supremo Pastor Jesus Cristo.

Paulo

O grande segredo do apóstolo Paulo era dedicar a maior parte do seu tempo em treinar os alcançados. Paulo evangelizava, discipulava, consolidava, treinava e os enviava com pouco tempo de vida cristã. Isso porque nesse pouco tempo esses discípulos alcançavam maturidade espiritual. O grande exemplo que tempos foi em Éfeso. Nessa cidade, em menos de dois anos, tanto Paulo quanto os discípulos que o Senhor lhe deu, alcançaram todas as cidades da Ásia Menor. Especialmente as sete cidades onde estavam as sete Igrejas a quem o livro do Apocalipse foi dedicado. "E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia (Menor) ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos." Atos 19:10

O apóstolo Paulo pede aos seus leitores que o imitem. Em I Coríntios 4.14-16 fala que "os havia gerado e que fossem seus imitadores (discípulos)".

Em I Coríntios 11. 1-2, pede que o imitassem como ele imitava a Cristo, os louvava porque retinham as tradições (ensinamentos) exatamente como ele as havia transmitido.

Outras passagens:- Filipenses 3.17, I Tessalonicenses 1.6-7 – Não só haviam imitado a Paulo como também eram modelo para os crentes de outras cidades e países, fato que é mencionado no capítulo 2.14; além de imitar a Paulo, as igrejas imitavam as igrejas da Judeia.

Hoje é a volta para Jerusalém, deixando o modelo de Roma = 4 paredes, liturgias, legalismos, clero, programações sem fim, etc. 

Novamente repetido em II Tessalonicenses 3. 7 - "Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós," 2 Tessalonicenses 3:7

Paulo também aconselha Timóteo a permanecer naquilo que havia aprendido – II Timóteo 3.14; observe bem a profundidade de II Timóteo 1. 13 - "Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você aprendeu de mim".

II Timóteo 2.2 - "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos (honestos e capazes) para também ensinarem os outros." – Paulo aconselha Timóteo a passar a homens fiéis (discípulos) os ensinamentos recebidos.

O que ele recebeu do apóstolo? - Caráter, sabedoria, unção, dons, ministérios, etc. Timóteo devia passá-lo a outros. 

Observe a cadeia a ser formada:-
  • Paulo havia passado os ensinamentos a muitos discípulos, um deles era Timóteo. 
  • Timóteo passaria a outros discípulos fiéis aquilo que havia recebido de Paulo. 
  • Cada discípulo do grupo liderado por Timóteo seria capacitado a passar os ensinamentos a outros discípulos. 
  • Estes passariam a outros grupos de discípulos fiéis,
E assim por diante...

Ivo Gomes do Prado.

Este é o modelo neotestamentário que deve ser seguido pelas Igrejas.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

História dos Judeus no Brasil

A história judaica no Brasil pode ser estudada por meio de quatro marcos distintos:

1) a presença de cristãos-novos e a ação da Inquisição durante o período em que o Brasil foi colônia de Portugal (1500-1822); 

2) a formação de uma comunidade judaica em Recife, Pernambuco, Nordeste do Brasil, no século 17, durante o período de invasão e domínio holandês, que propiciou liberdade religiosa para os judeus;

3) o período moderno (1822-1889), no qual houve uma abertura para a aceitação de outras religiões e começou uma esparsa imigração em várias cidades. A primeira comunidade judaica no período moderno formou-se em Belém. Outra, posteriormente, no Rio de Janeiro; 

4) o período contemporâneo (em 1889, o Brasil adotou uma Constituição que garantia a liberdade de religião), quando se formaram comunidades em colônias agrícolas no Rio Grande do Sul (principalmente a partir da primeira década do século 20), e comunidades organizadas em algumas das principais cidades do Brasil (a partir da Primeira Guerra Mundial).

No período colonial (1500-1822), milhares de portugueses cristãos-novos vieram ao Brasil, mas não constituíram comunidades judaicas organizadas.

Até a proclamação da independência, em 1822, o catolicismo era a religião oficial e não havia liberdade para a prática de outras religiões. Os cristãos-novos participaram da vida colonial, social, cultural e economicamente, com destaque para os engenhos de açúcar na Bahia, Paraíba e Pernambuco. Sua ascensão social e econômica enfrentava restrições. Não podiam pertencer às Irmandades de Misericórdia e às Câmaras Municipais, nem casar com “cristãos-velhos”, por causa dos estatutos de “pureza de sangue”.

Durante a maior parte do período colonial, esteve ativo no Brasil o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, estabelecido em Portugal em 1536 e que funcionou na Metrópole até 1821. A conversão dos povos não católicos nas Américas (como as culturas indígenas e pré-colombianas) era uma ação central no processo de expansão dos impérios português e espanhol. A Inquisição enviou Visitações a partir de 1591 e delegou poder aos bispos locais. As mais conhecidas foram as Visitações de 1591-93, na Bahia; 1593-95, em Pernambuco; 1618, na Bahia; em torno de 1627, no Sudeste; e as de 1763 e 1769, no Grão-Pará, norte do país. No século 18, a Inquisição também esteve ativa na Paraíba, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em 1773, durante o governo do Marquês de Pombal, a diferenciação entre novos e velhos cristãos foi abolida, e a Inquisição deixou de atuar. Apesar de sua ação, uma significativa porosidade social permitiu aos cristãos-novos formas de ascensão social e econômica e estratégias de perpetuar a identidade.

Segundo Wiznitzer, nos dois séculos e meio de ação da Inquisição no Brasil, cerca de 25 mil pessoas foram processadas por variadas acusações, e 1.500 foram condenadas à morte. Cerca de 400 pessoas acusadas de “práticas judaizantes” foram processadas, a maioria condenada à prisão e 18 à morte, em Lisboa. Três escritores cristãos-novos se destacaram no período colonial com uma obra que revela elementos de expressão judaica: Bento Teixeira, com a Prosopopéia; Ambrósio Fernandes Brandão, autor de Diálogos das Grandezas do Brasil (ambos do séc. 16); e o teatrólogo Antônio José da Silva, “o Judeu”, que viveu parte da vida em Portugal, parte no Brasil, tornou-se um dos mais conhecidos autores de teatro e foi condenado à morte pela Inquisição, em 1739. O antissemitismo da Inquisição permaneceu no imaginário do país, embora sem ligação objetiva com a história moderna e contemporânea das comunidades judaicas que começaram a se estabelecer no Brasil a partir do século 19 e, principalmente, no século 20.

A primeira comunidade judaica organizada foi formada em Recife, Pernambuco, na região Nordeste do território, entre 1630 e 1654, durante o período de ocupação colonial holandesa, que permitiu a liberdade de religião e defendeu legalmente judeus e cristãos-novos das restrições impostas por Portugal. Segundo Wiznitzer, o número de judeus teria chegado, em 1644, a 1.450. Em 1636, os judeus fundaram em Recife a primeira sinagoga em solo brasileiro (e em todas as Américas): Kahal Kadosh Zur Israel (Santa Comunidade Rochedo de Israel). Com a expulsão dos holandeses em 1654, encerrou-se este capítulo da história judaica no país.

Após a Independência do Brasil, a Constituição de 1824 manteve o catolicismo como religião de Estado, mas proclamou a tolerância com relação a outras religiões e cultos realizados em espaços privados. Algumas dezenas de judeus vieram ao Brasil neste período. D. Pedro II, que assumiu o trono em 1832, era interessado por judaísmo, foi um hebraísta, mantendo correspondências com ilustres judeus de sua época e tendo visitado a Terra Santa em uma de suas viagens internacionais.

A segunda comunidade judaica organizada no país foi fundada em Belém, a partir da imigração de judeus do Marrocos. Atraídos pela riqueza da borracha, estabeleceram a sinagoga Shaar Hashamain em torno de 1824. Em 1842, foi fundado um cemitério judaico em Belém. Um novo ciclo da borracha, entre o final do século 19 e início do 20, atraiu mais imigrantes e formou núcleos judaicos em diversas localidades da Amazônia, como Itacoatiara, Cametá, Paratintins, Óbidos, Santarém, Humaitá e outras. Imigrantes judeus chegaram também a cidades como o Rio de Janeiro, onde fundaram, em 1840-50, a União Shel Guemilut Hassadim e, em 1867, a Alliance Israélite Universelle. Também para São Paulo houve um pequeno afluxo de imigrantes originários da Alsácia-Lorena.

A Constituição Republicana de 1891 garantiu a separação entre Estado e Igreja e proclamou a liberdade de religião, introduzindo o casamento civil e os cemitérios laicos. A primeira imigração organizada no século 20 se deu no Rio Grande do Sul. Através da Jewish Colonization Association (JCA) e de acordos com o governo do Estado, centenas de imigrantes da Europa Oriental se estabeleceram em colônias agrícolas, a exemplo das colônias que foram instaladas na Argentina, a partir de 1893. A primeira colônia, de 4.472 hectares, se estabeleceu em Philippson, na região de Santa Maria, em 1904, com 37 famílias originárias da Bessarábia.

A partir dos anos da Primeira Guerra Mundial e até os anos 1920-30, imigrantes judeus da Europa Oriental e Ocidental e do Oriente Médio formaram comunidades estruturadas nas principais cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Pequenos núcleos formaram-se em dezenas de cidades do interior, acompanhando principalmente os ciclos econômicos. Em muitos locais, tiveram o apoio de entidades internacionais, principalmente JCA, Joint, Emigdirect e Hias.

Na época da Primeira Guerra Mundial, a população judaica do país atingiu entre cinco e sete mil pessoas. Nas décadas de 1920 e 1930, imigraram ao país cerca de 30 mil judeus, chegando seu número a cerca de 56 mil nos anos 1930. De acordo com estatísticas oficiais, a população judaica por Estado era a seguinte, para os anos 1900, 1940 e 1950: São Paulo (226; 20.379; 26.443), Rio de Janeiro (25; 22.393, 33.270), Rio Grande do Sul (54, 6.619, 8.048), Bahia (17, 955, 1.076), Paraná (17, 1.033, 1.340) e Minas Gerais (37, 1.431, 1.528). Em Pernambuco, em 1920 havia cerca de 150 famílias.

Desde o final do século 19, e em especial após a abolição da escravidão em 1888, o Brasil tornara-se um “país de imigrantes”, em um ambiente de tolerância religiosa, intensa permeabilidade social e cultural e oportunidades de ascensão econômica, que não foi bloqueada por manifestações de preconceito e racismo. Desde os anos 1880 e até os anos 1940, o Brasil recebeu cerca de quatro milhões de imigrantes (dos quais 65 mil judeus, até 1942).

Estes imigrantes, com sua cultura e seu dinamismo social e econômico, participaram do desenvolvimento do país. Além da liberdade religiosa oficial, a legislação brasileira era tolerante com imigrantes europeus, e havia brechas que permitiam a entrada de mais imigrantes, apesar da burocracia legal e da necessidade de “cartas de chamada”. A partir dos anos 1920, o Brasil tornara-se um destino desejável e viável, dadas as restrições e quotas impostas pelos Estados Unidos, Canadá e Argentina. Na década de 1920, mais de 10% dos judeus que emigraram da Europa escolheram o Brasil como destino e, entre 1920 e 1930, cerca de metade dos imigrantes da Europa Oriental que chegaram ao Brasil eram judeus.

A organização comunitária foi outro fator decisivo para uma inserção bem sucedida. Nos núcleos urbanos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém e Santos havia organizações assistenciais, sinagoga, escola, cemitério, entidades cultuais e recreativas, movimentos políticos e imprensa. Em 1929, existiam 25 escolas judaicas no país. Em São Paulo, por exemplo, nos anos 1920 a 1930 havia seis diferentes entidades assistenciais na comunidade que ofereciam todo o apoio necessário aos imigrantes, desde a chegada no porto, assistência a mulheres grávidas, até mesmo um aporte capital para começar um trabalho, em geral mascatear mercadorias.

A vida comunitária se desenvolvia também em torno da sinagoga, dos clubes sociais, esportivos e culturais, de movimentos políticos e uma imprensa ativa. Muitos imigrantes judeus urbanos trabalharam como mascates, mas também como artesãos e comerciantes; outros se tornaram industriais em ramos como o têxtil e o de móveis. Mais tarde, a partir dos anos 1960, uma significativa parcela passou a exercer atividades de profissionais liberais, como médicos, administradores, engenheiros, professores universitários, jornalistas, editores, psicólogos e demais profissões.

No Brasil, as mulheres têm sido muito ativas na comunidade, em instituições como a Wizo e a Naamat Pioneiras, fundando e dirigindo entidades assistenciais, que protegiam as mulheres e as crianças, e também como voluntárias na área assistencial, como no caso do Departamento de Voluntárias do Hospital Israelita Albert Einstein.

As comunidades mantinham intensa atividade política, com movimentos de esquerda e partidos sionistas, e diversas combinações entre eles. O 1° Congresso Sionista no Brasil deu-se em 1922, reunindo quatro movimentos: Ahavat Sion (São Paulo), Tiferet Sion (Rio de Janeiro, de 1919), Shalom Sion (Curitiba) e Ahavat Sion (Pará), que fundaram a Federação Sionista do Brasil. Um ano antes, em 1921, um delegado brasileiro participou do 12° Congresso Sionista, em Karlbad. Em 1929, uma eleição para escolher o delegado brasileiro ao 16° Congresso Sionista contou com dois candidatos que tiveram, na soma, 1.260 votos, e em 1934, para o 18° Congresso, o total de votos foi de 2.647 votos.

Os movimentos de esquerda também foram significativos em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte. O denso movimento dos judeus de esquerda no Rio de Janeiro se aglutinou em torno da Biblioteca Scholem Aleichem, da Brazkcor, Sociedade Brasileira Pró-Colonização Judaica na União Soviética, e do Centro Operário Morris Vinchevsky. Em São Paulo, havia os grupos Cultura e Progresso e, já em 1954, o Instituto Cultural israelita Brasileiro (Icib), a Casa do Povo, de tendência comunista, junto ao Teatro de Arte Israelita Brasileiro (Taib). A língua e a cultura idiche foram um aglutinador importante destes movimentos.

O primeiro jornal judaico editado em idiche no Brazil foi Di Menscheit, em 1915 em Porto Alegre, e as comunidades nas várias cidades mantiveram uma intensa atividade de imprensa, de teatro e cultural em geral. Em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro os judeus se concentraram em bairros definidos: Bom Retiro, Bonfim e Praça Onze, respectivamente, que tem seus cronistas e escritores, como Eliezer Levin, Samuel Malamud e Moacyr Scliar (este último a mais importante expressão literária judaica no país).

Nos anos 1920 e 1930, vivendo concentrados em alguns poucos núcleos urbanos e com uma atividade econômica, social e cultural pública, os judeus se tornaram um dos grupos de imigrantes “mais visíveis”, segundo a expressão do historiador Jeff H. Lesser e, assim, passaram a ser parte do jogo e do interesse político local, nacional e internacional, com o surgimento de estereótipos e manipulação política, especialmente durante o regime Vargas (1930-1945), quando se criou no país uma “questão judaica”, envolvendo interesses políticos, restrições e leis que proibiram formalmente a imigração judaica ao Brasil, com as circulares secretas do Itamaraty, restringindo a entrada de refugiados judeus mesmo durante a guerra. O golpe do Estado Novo, em 1937, foi dado por Vargas com o pretexto forjado de que um plano de revolução comunista estava em marcha, o “Plano Cohen”, com evidente ressonância judaica.

Apesar disso, a imigração judaica continuou, principalmente através de negociações caso a caso, mas não de forma organizada por meio de entidades assistenciais. Cerca de 17.500 judeus entraram no país entre 1933 e 1939, mas muitos refugiados da Europa ocupada pela Alemanha nazista tiveram o visto negado e tiveram como destino o extermínio no Holocausto. Nesse período, houve diplomatas que salvaram judeus, como o embaixador Souza Dantas.

Durante os anos do Estado-Novo (1937) e da Segunda Guerra Mundial, um clima geral de xenofobia estava presente em círculos do governo e em setores de suas elites políticas e intelectuais. O ensino de línguas estrangeiras e a publicação de jornais em línguas estrangeiras foi banido, e as organizações de imigrantes tiveram que “nacionalizar” seus nomes e eleger diretorias com brasileiros natos. Como regra, estas foram restrições impostas a todos os grupos imigrantes. Não obstante a ditadura e o clima nacionalista xenófobo, as organizações judaicas adequaram-se à legislação e souberam enfrentar as restrições sem deixar de funcionar. As escolas continuaram a ensinar hebraico e cultura judaica, as sinagogas mantiveram seus cultos, programas de rádio tocavam músicas judaicas e inúmeras organizações foram fundadas neste período. O antissemitismo não significou ações públicas contra os judeus dentro do Brasil e os que conseguiram imigrar.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as comunidades participaram das campanhas em prol do esforço de guerra do Brasil, que rompeu relações com o Eixo em agosto de 1942, seguindo uma política de alinhamento com os Estados Unidos e com os Aliados. A comunidade judaica do Brasil doou cinco aviões para a recém criada Aviação Militar do Brasil, em 1942, e criou vários comitês para auxiliar os refugiados de guerra na Europa, alguns ligados à Cruz Vermelha. Também durante a guerra, várias campanhas foram realizadas em prol dos refugiados na Europa. Em julho de 1944, o Brasil enviou à Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com mais de 30 mil homens. Havia 42 judeus na FEB, entre eles o artista plástico Carlos Scliar, que publicou depois um Álbum de Guerra e Boris Schnaiderman, que publicou Guerra em Surdina, romance testemunhal da FEB.

Entre 1933 e 1938, esteve ativo no Brasil o movimento fascista Ação Integralista Brasileira (AIB), liderada por Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale. Mimetizando o fascismo, o Integralismo tinha uma plataforma antissemita. Gustavo Barroso, o chefe das milícias, era o principal pregador antissemita. Traduziu “Os Protocolos dos Sábios de Sião” e fez várias versões adaptadas ao Brasil, entre elas “A Sinagoga Paulista”, “Brasil, colônia de banqueiros” e “História secreta do Brasil”. No principal jornal integralista, Barroso, também membro da Academia Brasileira de Letras, mantinha a coluna “Judaísmo internacional”. No entanto, não há registros documentados de ações e violência aberta contra as comunidades judaicas. Em Curitiba, Baruch Schulman escreveu, em 1937, Em Legítima Defesa, uma publicação em defesa dos judeus. Em Belo Horizonte, Isaías Golgher criou um Comitê Anti-Integralista. Um grupo de intelectuais brasileiros, apoiado pela Jewish Colonization Association (JCA) e pela companhia Klabin, publicou em 1933 um livro em defesa dos judeus chamado Por que ser antissemita?Um inquérito entre intelectuais brasileiros.

Em São Paulo, em 1946, foi fundada Federação Israelita do Estado de São Paulo, de linha sionista, para organizar a imigração do pós-guerra dos judeus refugiados na Europa para o Brasil. O movimento sionista, que havia sido inativo durante aqueles anos, ressurgiu e passou a ter atuação pública. A militância judaica de esquerda também voltou a ser muito ativa, inclusive nas fileiras do Partido Comunista. Em 1948, foi fundada a Confederação das Entidades Representativas da Coletividade Israelita do Brasil – depois Confederação Israelita do Brasil (Conib).

O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu, em 1947, a reunião da Assembléia Gerald a ONU que votou a Partilha da Palestina e engendrou a criação do Estado de Israel, em 1948. O Brasil reconheceu Israel em 1949 e abriu uma embaixada em Tel Aviv em 1952. No período 1956–57, cerca de 2.500 judeus do Egito, mil do Norte da África (principalmente Marrocos) e alguns milhares de judeus da Hungria entraram no Brasil. Importantes organizações foram também fundadas no pós-guerra nas principais capitais e a vida institucional judaica se desenvolveu plenamente. Apenas como exemplo: em São Paulo foram fundados o clube Hebraica, em 1953, e o Hospital Israelita Albert Einstein, inaugurado em 1971.


O texto acima é do historiador Roney Cytrynowicz.

Bibliografia básica:

- Calaça, Carlos Eduardo e Maio, Marcos Chor. “Cristãos Novos e Judeus: Um Balanço da Bibliografia sobre o Antissemitismo no Brasil”. BIB, Rio de Janeiro, n° 49, 1° semestre de 2000, pp. 15-50
- Cytrynowicz, Roney. Verbete “Brazil”. Encylopaedia Judaica, Gale/Keter Publishing House, 2006.
- Falbel, Nachman. Estudos sobre a comunidade judaica no Brasil. São Paulo, Federação Israelita do Estado de São Paulo, 1984
- Lesser, Jeffrey H. Welcoming the Undiserables: Brazil and the Jewish Question. University of California Press, 1995
-Lesser, Jeffrey H. Pawns of the Powerfull. Jewish Immigration to Brazil 1904-1945. Tese (PhD em História). New York University, 1989
-Maio, Marcos Chor. “Qual anti-semitismo? Relativizando a questão judaica no Brasil dos anos 30”. In: Pandolfi, Dulce (org.). Repensando o Estado Novo, Rio de Janeiro, FGV, 1999, pp. 239 e 239
-Malamud, Samuel. Documentário. Contribuição judaica à memória da comunidade judaica brasileira. São Paulo, Imago, 1992
-Milgram, Avraham. Os judeus do Vaticano. A tentativa de salvação de católicos – não-arianos – da Alemanha ao Brasil através do Vaticano (1939-1942)
-Rattner, Henrique. Tradição e Ruptura (A comunidade judaica em São Paulo). São Paulo, Ática, 1977
- Wiznitzer, Arnold. Os judeus no Brasil colonial, São Paulo, Edusp/Pioneira, 1960

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