quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“Vocês não terão o meu ódio", garante marido de vítima em carta aberta que emocionou o mundo Antoine Leiris perdeu a mulher, Hélène Muyal, 35, nos atentados do dia 13 de novembro em Paris


Reprodução/Facebook

O jornalista da rede de rádio francesa France Bleu usou o Facebook para escrever uma carta aberta aos assassinos da mulher. Ao invés de revolta, vingança e ódio, Antoine Leiris escolheu o amor como a resposta para os terroristas responsáveis pela morte da mulher dele, Hélène Muyal, 35, nos atentados do dia 13 de novembro em Paris. O jornalista da rede de rádio francesa France Bleu usou o Facebook para escrever uma carta aberta aos assassinos da mulher e mãe do seu bebê de 17 meses. No texto, ele garante aos terroristas que não lhes vai dar o prazer de os odiar e promete que ele e o filho não viverão com medo. Ele não explica onde Hélène estava na hora do atentado. A publicação de Antoine emocionou o mundo e já foi compartilhada quase 189 mil vezes na rede social. "A tua mensagem é tão perturbadora que é poderosa. Belo caminho que pediste emprestado... O teu filho tem sorte de ter um pai como tu", comentou Jennifer Eb Courage Antoine, ao ler a publicação do amigo.

Confira o texto:

Reprodução
Hélène Muyal, 35, está entre vítimas do atentado em Paris“Vocês não terão o meu ódio

Na noite de sexta-feira vocês acabaram com a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem são e não quero sabê-lo, são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração. Por isso eu não vos darei a prenda de vos odiar. Vocês procuraram-no mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que vos fez ser quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a jogar da mesma maneira.

Eu vi-a esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos esta pequena vitória, mas será de curta duração. Eu sei que ela nos vai acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no países das almas livres a que nunca terão acesso.

Nós somos dois, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo a dar-vos, eu quero juntar-me a Melvil que acorda da sua sesta. Ele só tem 17 meses, vai comer como todos os dias, depois vamos brincar como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vai fazer-vos a afronta de ser feliz e livre. Porque não, vocês nunca terão o seu ódio."

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