terça-feira, 26 de janeiro de 2016

BRASIL - UMA NAÇÃO SOB JUÍZO...

Pr. Danilo Figueira

Nós estamos, claramente, passando por um tempo de juízo no Brasil. A derrocada da nossa economia, a violência crescente, as catástrofes naturais sem precedentes, as pragas manifestadas por epidemias e doenças que há pouco tempo nem se conhecia e tantas outras realidades que afetam tragicamente a vida dos brasileiros hoje, não são apenas uma infeliz coincidência. Deus está açoitando uma nação que não reconheceu o tempo da sua visitação e desprezou a graça que lhe tem sido oferecida.

Que o Espírito foi derramado sobre o Brasil, ninguém pode negar. Nas últimas décadas vimos muitas manifestações do seu agir, produzindo movimentos sobrenaturais e abrindo portas amplas à pregação do evangelho. Profetas e mais profetas se levantaram aqui e vieram de outras nações para soprar fôlego de vida sobre nossa nação. O que fizemos, porém, com tudo isso?

O Brasil dos quarenta milhões de evangélicos de hoje é mais podre e mais corrupto do que o de ontem, que tinha menos crentes. Estamos vendo as entranhas da nossa classe política e empresarial sendo expostas com sua vergonha pela Justiça, mas isso é só uma tênue amostra do que, de fato, é a ética e a moral do nosso povo. Sim, do nosso povo, pois a desonestidade indecente não é marca apenas dos políticos, mas de grande parte de nossa população, incluindo, pobres e ricos, cultos e indoutos, descrentes e... Evangélicos! Infelizmente, professar a fé em Jesus não denota mais o compromisso de andar como Ele andou.

Eu gostaria de dizer outra coisa, mas minha percepção profética não permite. Nossos próximos anos não serão fáceis. De uma forma geral, as coisas vão piorar. Não falo apenas de economia (pois para isso, não é necessário ser profeta), mas de tragédias que abalarão as estruturas da nossa nação. Guardem o que estou dizendo. Povos de outras línguas comerão o nosso pão e rirão do nosso luto. Falo em nome do Senhor!

Uma leitura de Jeremias 5 pode nos ajudar a enxergar o Brasil de hoje como Deus enxerga. Recebi esse texto de uma jovem, durante um tempo de oração, e entendi perfeitamente o recado de Deus. Sua vara fustigará os nossos lombos. Até quando? Até que sejamos quebrantados, como nação.

Historicamente, quando Deus envia juízo, Ele encontra um remanescente que o busque e que aplaque a sua ira. Que façamos parte disso! Permanecer fiéis não nos livrará completamente das dores da disciplina, mas nos dará a força que precisamos para resistir e a oportunidade para sermos testemunho e voz profética no meio do caos.

Temos que nos arrepender! O altar tem sido profanado nesta nação e a oferta do Senhor, desprezada. Se é verdade que milhões e milhões lotam os templos, é verdade também que uma grande parte aí está servindo a Mamon, cultivando sua velha ganância, buscando o brilho da prata, só que agora “em nome de Jesus”. Pior, isso inclui uma parte considerável da classe pastoral.

Temos que nos arrepender da feitiçaria, não somente daquela que é feita nos terreiros e encruzilhadas, mas da que é praticada nos altares evangélicos. Chega a ser absurda a supersticiosidade e o sincretismo maligno fomentados por uma legião enorme de falsos mestres e falsos profetas, que se multiplicam como ratos. A venda de objetos e rituais com supostos poderes miraculosos mistura o comércio com o engodo na Casa de Deus. Outro dia, assisti um vídeo em que pastores de uma das maiores denominações do Brasil desciam a uma mina de ouro para buscar a “água da prosperidade”, para ser distribuída (ou vendida) aos fiéis que, certamente, ávidos pelo apelo das riquezas mundanas, nem se dariam ao trabalho de julgar o desvio teológico e de perceber o ridículo a que seriam induzidos.

Uma liderança “cristã” que ilude seu povo com águas da prosperidade, rosas sagradas e lascas da cruz não é melhor que os pais de santo, que fazem o mesmo em seus terreiros. Na verdade, é pior... E que diferença há entre um esotérico que confia no seu patuá e um crente que, ao invés de colocar sua fé em Jesus, recebe um “amuleto gospel” do seu pastor e o pendura em casa, como fonte de proteção? Nenhuma!

Temos que nos arrepender da idolatria, não só da que se pratica em procissões e templos consagrados a entidades mortas, supostos “santos”, que têm boca, mas não podem falar. Há também idolatria às personalidades humanas nas igrejas protestantes, com líderes e artistas sendo alçados pelo povo à categoria de “semi-deuses”, acima do bem e do mal, muitos deles com um testemunho tão sujo que não mereceriam admiração nem nos antros do mundo.

Como Deus não visitaria com juízo uma nação que, tendo sido apresentada ao evangelho, segue expondo sua imoralidade a céu aberto, nos carnavais e marchas gays da vida? Nossos governos erotizam crianças em escolas públicas, com materiais pornográficos e nossas leis dizem “bem-vindo” ao homossexualismo e toda forma de perversão sexual. Mas será que esse espírito não está livre para atuar também nas casas das famílias brasileiras e em muitos espaços da própria igreja? Pornografia, adultério, pedofilia, prostituição e pederastia não mancham também os altares? O que dizer dos pastores e personalidades “gospel” que estão no segundo ou terceiro casamento, sem argumentos bíblicos que lhes desse tal direito; ou dos que usam o seu feitiço travestido de “unção” para seduzir ovelhas aos matadouros da imoralidade?

Não estou falando de uma nação ignorante. O evangelho foi apresentado ao Brasil. Muitos dos que afrontam a santidade de Deus, ou estão na igreja, ou passaram por ela e decidiram voltar ao chiqueiro do mundo. A maioria absoluta já, ao menos, ouviu a Palavra ou teve oportunidade de fazê-lo e não quis. Portanto, somos indesculpáveis.

Se Jesus proclamou juízo sobre a cidade onde viveu, dizendo: “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje”; se Ele chorou sobre Jerusalém, lamentando o fato de que seus filhos seriam entregues à espada, já que ela não reconheceu o tempo da sua visitação (conf. Lucas 19:41-44), porque seríamos nós poupados, tendo desdenhado tanto da Verdade, como nação?

Obviamente, no meio de tudo isso há um povo fiel, um remanescente que teme ao Senhor e respeita a sua Palavra. Como nos dias de Elias, enquanto Israel era fustigado com a seca e a fome, sete mil joelhos recusavam curvar-se diante de Baal; como no cativeiro babilônico Deus encontrou Daniel, Ananias, Mizael e Azarias, entre outros, para manter a honra do altar, há muitos crentes e igrejas hoje que, remando contra a maré, permanecem na Verdade. Que nos esforcemos para fazer parte desse remanescente, pois é dele que pode brotar de novo a misericórdia.

Os próximos anos não serão fáceis, fique você avisado disso. A vara de Deus sobre os lombos do Brasil já começou a arder e será pesada. Não é mero castigo, mas a disciplina de um Pai que quer essa nação de volta. Ele é justo em fazê-lo, não questione. Apenas disponha-se a ser um argumento que aplaque a sua ira, a permanecer como uma testemunha fiel no meio das trevas, a chamar pessoas para viverem o verdadeiro evangelho e a interceder, como legítimo sacerdote, para que a justiça e a genuína fé cristã possam, de fato, voltar a prosperar.

Não me entenda mal, eu lhe peço. Eu não sou um irresponsável, unindo-me a Satanás para acusar a igreja. Sou parte dela. Eu a amo! Sinto vergonha dos seus pecados, porque eles são meus também. Quero me unir ao Espírito e gemer por ela. Quero ser um argumento para que a esperança e a fé verdadeira, comprometida com a Palavra, não se apaguem de vez nesta nação. Ao contrário, que se multipliquem, até que possamos virar esse jogo e ver o Senhor recolhendo a vara da punição.

Por favor, junte-se a mim nesta busca! Os próximos anos não serão fáceis para nós, mas há um caminho: “Se o meu povo, que por mim se chama, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então Eu o ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (II Crônicas 7:14). No arrependimento e na fidelidade está a nossa esperança.

Pastor da Comunidade Cristã de Ribeirão Preto
http://www.comcrist.org.br/

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

Nasci de família católica, em Avaré, no Estado de São Paulo, em 20 de abril de 1914. Com dezoito anos, conheci o Evangelho do Senhor Jesus e, com dezenove me converti. Fui batizado numa igreja batista em 17 de setembro de 1933.
Registrarei aqui, duas experiências pessoais: o quebrantamento e o batismo no Espírito Santo.
Sempre cri no batismo no Espírito Santo como a corrente tradicional, porquanto a pessoa que se converte, já o está recebendo. Mas a realidade bíblica e experimental é outra, no crente, isto é, naquele que já tem Cristo no coração e possui o Espírito Santo. É experiência distinta do novo nascimento ou regeneração, entre ter o Espírito Santo e estar cheio dele.
Eu, primeiro, fui quebrantado no meu coração. Passo a narrar esta experiência, conforme me ocorreu. Em 1934, comecei a pregar o Evangelho. Fui ordenado ao ministério da Palavra em 1941. Ocupei cargos de responsabilidade na denominação e servi aos batistas em vários setores. Nunca soube, entretanto, o que vinha a ser quebrantamento.
Em julho de 1958, o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo, do qual fui diretor, hospedou o Congresso da Mocidade Batista do Sul do Brasil. Pela manhã, dois servos de Deus dirigiam trabalhos espirituais: Dª Rosalee Appleby e o pastor José Rego do Nascimento. Depois de ouvi-los alguns dias, no penúltimo dia de trabalho, numa segunda-feira – bem me lembro – enquanto o Pr. Rego falava, meu coração foi quebrantado, esmagado, esmiuçado. Comecei a chorar sem querer.
Fui à cidade, para tratar de um negócio. No veículo que me conduzia, chorava sem poder conter as lágrimas. Desse dia em diante, mantive relações com Deus em outras bases. Tudo mudou em minha vida: foi-se o meu orgulho e a minha vaidade. Coisinhas que antes achava não serem pecados, agora me constituíram peso insuportável. Vivo para fazer a vontade de Deus. Aprendi a compreender e perdoar.
Agora segue a minha experiência de batismo no Espírito Santo. Minha conversão foi real. Nasci de novo, nasci do Espírito Santo. Logo me senti chamado para o ministério. Fiz meu curso de bacharel em Teologia no Seminário do Rio de Janeiro.
Somente no dia 16 de agosto de 1958, fui batizado no Espírito Santo. E a minha experiência foi assim: Não acreditava em avivamento e muito menos nos avivalistas. Combati-os sem dó e sem piedade. Tenho, nos meus arquivos, muitos trabalhos escritos contra a obra profunda do Espírito Santo. Nunca me ocupara em estudar, na Bíblia, o palpitante assunto: Batismo no Espírito Santo. Não sabia o que era e nenhum interesse tinha de saber.
Como já foi dito, Deus já tinha trabalhado em meu coração, de alguma maneira, para quebrantar o meu endurecimento e o meu ego obstinado.
No dia 16 de agosto de 1958, num sábado – eu era pastor da Igreja Batista de Perdizes e diretor do Colégio Batista de São Paulo – levantei-me às cinco da manhã e entrei para o meu escritório na casa pastoral. Orei cerca de uma hora e meia. O céu me parecia de bronze. Deus estava em profundo silêncio! Fui ao café e voltei para a batalha da oração. Mais duas horas de luta, como Jacó no vau de Jaboque. Nenhuma resposta do céu. Apoiei a cabeça nas mãos, quase em desespero por Deus não me responder à oração. Nessa aflição, ouvi a voz de Deus, tão perfeita como a de qualquer mortal, que me dizia num tom profundamente imperativo: “Entrega...”. Ao ouvi-la, não tive dúvida nenhuma de que era realmente a voz de Deus. E eu respondi: “Entrega o que, Senhor?” E Deus me disse: “A biblioteca” – que eu tinha de, aproximadamente, quatro mil volumes e era para mim um grande e terrível ídolo. E eu disse: “Entrego, Senhor!”. E Deus me pediu o segundo ídolo: a direção do Colégio Batista. E eu disse logo: “Entrego também Senhor!”.. E Deus foi ao meu terceiro ídolo: o pastorado da Igreja Batista de Perdizes. E eu respondi: “Entrego, Senhor!”. Então Deus continuou e me disse: “A família”. Relutei um pouco, mas disse: “Entrego, entrego Senhor!”. Ao entregar o ultimo ídolo, veio sobre mim um poder tal, como nunca experimentara em minha vida. Um gozo profundo no meu coração! Uma paz maravilhosa. Banhei com lágrimas a minha mesa de estudos. A Bíblia passou a ser um livro novo para mim. Orei com liberdade fora do comum, tive consciência mui sensível do pecado, senti profundo amor pelos meus irmãos e pelas almas perdidas.
Tive muita coisa em minha vida para endireitar, inclusive, procurar algumas pessoas para pedir-lhes perdão. Passei a pregar com tanto poder, que todos estranharam a mudança operada em mim. E daí para frente, passei a deixar os ídolos apontados pelo Senhor. Não me foi fácil, principalmente o último – a família, apenas coloquei-a no segundo plano-, pois Deus me queria no Brasil inteiro.
Muitos vão, em matéria de revestimento de poder ou batismo no Espírito Santo, da teoria a prática. Comigo ocorreu o contrário: fui da prática à teoria. Só depois de revestido de poder é que fui estudar o assunto na Bíblia.
Hoje, não há igreja evangélica, por mais tradicional que seja, que não tenha um grupo batizado no Espírito, falando línguas e profetizando. Continuemos, portanto, a orar, a organizar grupos de oração e o poder do Espírito Santo continuará a cair sobre o nosso querido Brasil.
“(...) Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 1.8 e 4.31).
Pr. Eneas Tognini
http://www.batistadopovo.org.br/PortalIBP/artigoseneastognini/8283-batistmo-no-espirito-santo