domingo, 29 de maio de 2016

QUAL A FINALIDADE E O ALCANCE DO PENTECOSTES?

QUAL A FINALIDADE E O ALCANCE DO PENTECOSTES?

Autor: Pr. Ubirajara Quintino

pentecosteUm velho reformado, inconformado com a Igreja Brasileira e os dias atuais! Cresci no seio de uma igreja pentecostal histórica. Digo, Histórica, não no sentido que se traz às denominações oriundas da reforma, mas histórica no sentido de diferenciá-la dos modernos movimentos denominados neopentecostais. Desde cedo sempre ouvi sobre a necessidade de todo cristão buscar com insistência o Batismo com o Espírito Santo, pois se tratava de uma afirmação como salvo em Cristo, para diferenciar-nos daqueles que não criam no chamado “Batismo com o Espírito Santo”.
Para os pastores, obreiros e crentes em geral das igrejas pentecostais, os cristãos históricos eram considerados cristãos de segunda classe, pois não dispunham do Espírito Santo, ou seja, não falavam em línguas, não profetizavam, não oravam por curas, não expulsavam demônios e uma série de outras considerações pejorativas, como não terem a pratica da chamada “Doutrina”, que nada mais era do que um conjunto de regras humanas sobre usos e costumes. Confesso que na minha infância e adolescência, vi muitas curas e intervenções divinas, que eram incompreensíveis para mim! Os anos se passaram e pouco a pouco fui percebendo existir no seio daquela igreja, uma diferenciação entre os que falavam em línguas e os que não falavam em línguas, aí já não se tratando de um preconceito para com os de fora, mas dentro da própria igreja. Os que não falavam em línguas, ou seja, não batizados com o “Espírito Santo”, muitas vezes eram confrontados pelo pastor, sob alegação, de que não buscavam a Deus da maneira correta, não criam, estavam gelados ou mesmo em pecado! Passo a passo, vi formarem-se duas congregações dentro de uma mesma igreja. A exposição constante a esta doutrinação, levou-me a uma busca frenética para falar em línguas. Queria ser considerado um cristão fiel, temente a Deus e cumpridor da “Doutrina!”. Finalmente consegui! O que vem a seguir, é a descoberta que o “Batismo com o Espírito Santo”, não me isentava de pecar e o temor de ser jogado no inferno apoderou-se de minha alma a ponto de tornar-se um verdadeiro tormento, que me acompanhou por muitos anos.
Muitas vezes eu questionava a Deus dizendo: “Mas Senhor, eu sou batizado com o Espírito, como posso ainda estar cometendo falhas grotescas, no meu dia a dia”? Não obtinha respostas, nem de Deus nem dos meus líderes, pois na verdade eu não tinha compreendido e nem sido ensinado sobre a verdadeira finalidade do Espírito na vida do cristão. A ênfase pentecostal na busca do “Batismo com o Espírito Santo”, nada mais é do que uma tentativa de santificação do cristão. A lógica é esta: Crentes batizados com o Espírito são mais santos do que os outros que não são. Custei a entender isto, e só fui compreender, quando me matriculei no seminário! Lá comecei a ter contato com professores que eram na sua maioria, oriundos da América do Norte. A visão bíblica destes homens e mulheres de Deus, foram pouco a pouco, mudando meu comportamento cristão, lógico, para melhor, embora muitas vezes entrava em conflito comigo mesmo, por causa da visão estreita e ambígua que eu tinha da Palavra de Deus.
Depois de muitos anos de estudo, em pelo menos, três seminários diferentes, e hoje em uma denominação oriunda da fé reformada, tenho uma visão completamente diferente do Pentecostes, sua finalidade e alcance!
COMPREENDENDO O PENTECOSTES
Antes que se fale sobre a finalidade e o alcance do Pentecostes, é preciso compreender o que é o Pentecostes. Muitos, por ignorância ou por má fé, afirmam que o Espírito Santo, só veio se manifestar no Novo Testamento, com o estabelecimento da igreja. Isto não é verdade!
Podemos ler diversas vezes no Antigo Testamento, a ação do Espírito Santo, agindo no decurso da história de Israel. Logo alguns dirão que esta manifestação ou ação, era pequena ou a conta gotas, como já ouvi de determinados pregadores. Mas num exame mais apurado, veremos uma ação extraordinária do Espírito operando na vida de grandes personagens do A.T.
É preciso primeiramente que se compreenda que o Espírito Santo, não foi “criado para ser exclusividade da igreja neo-testamentária”, digo criado não no sentido herético sobre a doutrina da Trindade, mas no sentido de um ser exclusivo das igrejas pós pentecostes, pois esta é a ideia que passam!
Podemos citar alguns exemplos da ação do Espírito Santo, através de personagens bíblicos.
Começo por aquele, que é considerado o maior legislador da história de Israel: Moisés!
Lemos no capítulo 11 de Números, a queixa do povo e também a queixa de Moisés acerca do povo. Disse ele no versículo 14: “Eu sozinho não posso levar todo este povo, pois me é pesado demais. Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos; e não me deixes ver a minha miséria”. Faltavam forças a Moisés para continuar à frente daquele povo. Sabemos que quando Jesus falou a seus discípulos, que enviaria o outro Consolador, a idéia que temos é em função da repentina saída de Jesus do meio deles e conseqüentemente um vazio ficaria com eles, causando o sentimento de perda e falta de força e coragem para continuar. Jesus não estaria mais ao lado deles fisicamente nos momentos difíceis. Então eles lhes promete, um outro semelhante a ele. A palavra no grego, para Consolador, é Parakletos, que de uma forma açodada foi traduzida do latim para as versões correntes, notadamente a King James, como Consolador, quando na verdade deveria expressar o sentido mais apurado que é “aquele que vem com força ou aquele que vem dar força.” Com esta tradução, podemos entender claramente que os discípulos tiveram uma força sobrenatural, para superar a perda física de Jesus. Mais do que isto, tiveram uma “força tal” que foram impelidos por este Espírito a pregarem a palavra por todo o mundo. (João 16:1-33). É esta força, que está internalizada em Moisés, que é “tirada” dele, para ser repartida entre os setentas anciãos! Vejamos o que diz o texto: Números 11.17, “Então, descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente.” Números 11:25-29, “Então, o Senhor desceu na nuvem e lhe falou; e tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois nunca mais. Porém, no arraial ficaram dois homens; um se chamava Eldade e o outro, Medade. Repousou sobre eles o Espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda; e profetizavam no arraial. Então correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse: Eldade e Medade profetizam no arraial. Josué filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho. Porém Moisés lhes disse: Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” Vemos aqui claramente uma antevisão do pentecoste neo-testamentário!
Podemos ainda citar um caso conhecido de todos nós, que o caso de Sansão e a morte dos filisteus. Não vem ao caso agora, discorrermos sobre toda a história que envolve este personagem bíblico. O que importa no nosso caso é entendermos que já, desprovido de forças físicas em razão de sua desobediência, Sansão, arrependido, ora Deus, para que este o esforçasse somente mais uma vez. Com a força do Espírito que repousa sobre ele, agarra-se às colunas principais que sustentam o templo onde ele está o templo de Dagom, palco do escárnio e zombaria sobre ele, derruba-as, matando todos os homens que ali se encontravam. (Juízes 16:23-30). Novamente vemos o Parakleto em ação!
O intuito de Deus, não era o de contemplar com o seu Espírito, somente algumas pessoas, como reis, profetas, juízes e sacerdotes. Para tanto usa o profeta Joel dizendo o seguinte: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Joel 2:28-29). Vê-se claramente aqui, novamente, a antevisão do pentecostes neo-testamentário, confirmando, que em todo o tempo, quis Deus capacitar seu povo, dando-lhes forças, para cumprirem suas tarefas no reino que ele está por estabelecer!
Quando se cumpre esta profecia? No dia de Pentecostes, logo após a ascensão de Jesus aos céus!
O Pentecostes poderia ter qualquer outro nome, relativo às festas de Israel. Por decreto divino, o cumprimento da profecia de Joel, deu-se enquanto a nação israelita comemorava esta festa!
Há algum espanto e novidade, na ação do Espírito Santo tanto no Antigo como no Novo Testamento? Não!
A FINALIDADE DO PENTECOSTES
Qual a importância da descida do Espírito Santo para a Igreja? Serão inúmeras as respostas dadas, principalmente pelos cristãos do movimento pentecostal. Curas, milagres, exorcismos, falar em línguas, cultos movimentados, alegres cantos quase beirando a gritaria, danças no “espírito”, profecias, interpretações de línguas, revelações e muitas outras novidades que tem surgido principalmente no meio neo-pentecostal, que são verdadeiras aberrações e heresias!
Mas para que serve mesmo o “Batismo com o Espírito Santo”? Creio que uma boa parte dos cristãos pentecostais não atina para aquilo que disse Jesus, quando de sua despedida de seus discípulos. O autor do livro de Atos nos faz a seguinte narração: “Então, os que estavam reunidos lhes perguntaram: Senhor será este o tempo em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes Jesus: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra.” (Atos 1:6-8). O desconhecimento da missão de Jesus na terra, ainda era forte no meio de seus discípulos. Então o Mestre lhes declara abertamente o que queria que eles fizessem: Proclamar as boas novas do reino que já tinha chegado!
O batismo com o “Espírito Santo” tem a única finalidade de capacitar e revestir os discípulos de Jesus, com “forças do alto céu”, para enfrentarem a difícil tarefa que lhes era agora incumbida. Pregar, ensinar, fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vivendo de maneira tal, que em guardando estas palavras teriam a companhia do mestre até a consumação dos séculos!
Dons espirituais são ferramentas de trabalho para uma evangelização eficiente, não para exposição na mídia nem tampouco para comércio ou promoção pessoal. Os dons são de Deus, não nossos. A própria palavra dom, já explicita tudo: Dádiva!
Que me desculpem meus irmãos que amo tanto, muitos dos quais sem conhecer-lhes a face, mas não posso de maneira nenhuma aceitar estas manifestações carismáticas de hoje e sempre, que deturpam a Palavra de Deus e tiram-lhe o significado. Dons espirituais, não são para fazer barulho dentro da igreja, com a desculpa que se não houver barulho o culto é um culto frio sem a presença de Deus! Desde quando, barulho é sinônimo da presença de Deus? Já estamos fartos de saber que “lata vazia faz mais barulho do que uma lata cheia”! Para se demonstrar estar cheio do Espírito é só deixar transparecer a obediência à sua palavra, pois Jesus disse que não é só importante ouvir, mas praticar a palavra! Muitos dos que dão espetáculos deprimentes dentro das igrejas, são rebeldes contumazes que não obedecem à Palavra, pois não são ovelhas do Senhor! São cristãos falsos, assim como Jesus nos ensinou na parábola do joio e do trigo. Como o joio é o falso trigo, assim há também no nosso meio, falsos cristãos que são bem barulhentos alegando possuírem o “Batismo com o Espírito Santo”!
O ALCANCE DO PENTECOSTES
O livro dos Atos dos Apóstolos, como o próprio nome já diz, visa relatar a história dos primeiros passos da igreja recém-fundada por Jesus Cristo, bem como os passos dos anos seguintes, com a expansão do Cristianismo. É preciso ter-se muito cuidado com o livro de Atos, pois sendo um livro histórico, não permite que façamos “doutrinas” de seus escritos. Doutrinas são extraídas dos ensinos de Jesus e dos Apóstolos, que constituíram o fundamento da igreja cristã!
Neste ponto falha e muito o movimento pentecostal, pois quer transportar fatos históricos para os dias atuais, como se fossem doutrinários, tais fatos. O alcance do pentecostes na história da igreja pode ser divido em quatro partes:
1 – O Pentecostes entre os Judeus – Atos 2:1-47
2 – O Pentecostes entre os Samaritanos – Atos 8:14-17
3 – O Pentecostes entre os Tementes a Deus. (Gregos Helenistas, prosélitos do judaísmo, mas que não aceitavam a circuncisão). – Atos 10:13b-18; Atos 10:44-48
4 – O Pentecostes entre os Gentios – Atos 19:1-7.
Com estes fatos narrados por Lucas podemos entender que as palavras de Jesus no capítulo 1:8 de Atos, cumprem-se na sua totalidade, pois encerra dentro de um mesmo corpo, Jerusalém, Judéia, Samaria e os Confins da Terra, fazendo com que judeus e gentios possam formar a igreja, que é o corpo visível de Cristo sobre a face da Terra. Com estes derramamentos do Espírito, Jesus une num só Espírito e numa só fé toda a terra. Aquilo que foi impossível aos Sacerdotes e profetas do A.T, o Filho de Deus, através de sua morte, reconciliou ambos, judeus e gentios em um só corpo, nesta união mística que é a Igreja Militante e que um dia será a Igreja Triunfante.
Com isto não quero de maneira alguma dizer que Deus não mais concede dons aos homens, de maneira nenhuma, mas o intuito é reconhecermos que o movimento pentecostal ainda tem muito para aprender! Tento de uma maneira equilibrada, conciliar a fé reformada que professo com vigor com os dons espirituais, tão necessários para os dias atuais. Precisamos desta força, vinda de Deus, para continuarmos a tarefa que ele nos deu, sem, contudo vilipendiarmos a sua Palavra e a sua correta interpretação.
Espero que esta minha pequena contribuição, sirva para despertar outros, chamando-os para o estudo teológico reformado, alicerce de uma boa e crescente fé, nos dias atuais, conturbados por um número incalculável de heresias, que precisam ser atacadas com firmeza, para que triunfe o Verdadeiro Evangelho!” 
“Sola Scriptura”
http://estantereformada.com.br/index.php/2016/05/29/qual-a-finalidade-e-o-alcance-do-pentecostes/

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Por que os Salmos 120 a 134 são chamados de Cânticos de Degraus?

Por que os Salmos 120 a 134 são chamados de Cânticos de Degraus?

Estes Salmos são chamados de Salmos de Peregrinação, ou Cânticos das Subidas, ou em algumas Biblia, Cânticos de Degraus.

No cabeçalho de cada um destes Salmos encontra-se a expressão shir hama´alot, que significa, literalmente, cânticos ou canção das subidas. A expressão “das subidas” está ligada a palavra ma´alot, que tem a raiz verbal na palavra(‘alah), que significa subir. Existem algumas traduções que interpretam o termo shir hama´alot por “salmos de romaria (ou romagem)”.

Certas canções das subidas receberam acréscimos, como os Salmos 122, 124 e 133 com a expressão ledawid (para Davi) e outra no Salmo 127, com a expressão leShlomon (para Salomão). Essas canções foram usadas no período pós-exílico pelos peregrinos que iam em direção as festas cultuais no reconstruído Templo em Israel, a saber, as celebrações: da Páscoa (Pesach), das Semanas ou Colheita (Shavuot) e dos Tabernáculos (Sucot). Estas são as três festas de peregrinação descritas na Bíblia como mandamento. Cada Israelita deve subir a Jerusalém para ser visto ou ver a Deus no Templo.

Um fato curioso neste grupo de Salmos é que apenas o Salmo 122 faz menção especificamente à peregrinação para o Templo da cidade santa, a Jerusalém. Conforme no verso 1 e 2, “Alegrei-me quando disseram para mim: Para a Casa de Javé, nós vamos; Colocados estão os nossos pés, nos teus portões, ó Jerusalém”, revela uma ação contínua, evocando uma ideia de movimentação no sentido de peregrinar, ou seja, o fato se consome na medida em que os peregrinos vão em destino à Jerusalém, no Templo.

Diante deste aspecto, cabe analisar quais seriam os critérios para a formação desta coleção de 15 Salmos (120-134) e o porquê destes Salmos estarem agrupados sob o mesmo título. Uma explicação coerente para tal questão é devido no título de cada um desses Salmos apresentarem a palavra shir (cânticos) que evoca o sentido de tal ajuntamento, ou seja, esta coleção foi agrupada, devido estes Salmos serem uma coleção de cantos.

Três características que poderiam explicar esta questão: uma refere-se às repetições ou frases em versos sucessivos, dando a impressão de tratar-se de passos dentro de um processo. A segunda considera que os quinze salmos teriam relação com os quinze degraus que vão do culto das mulheres ao culto de Israel. A terceira associa estes cantos com a subida dos exilados do cativeiro na Babilônia (Esd 2,1; 7,9).

Para Luis Alonso Schökel, estes cânticos retratam os cantos dos repatriados à luz do contexto de cada salmo e o sentido proeminente destacada pelos poetas bíblicos está ligado ao retorno como uma celebrante peregrinação.

Estrutura dos Shir hama’alot (cânticos das subidas)
A coleção dos Shir hama´alot apresenta uma estrutura consistente e coesa. Ela não foi formulada sem uma razão, mas oferece uma estrutura que indica certa intencionalidade do autor, sendo composta e organizada. São composições curtas, exceto o salmo 132.

1. Os Salmos 120-122
Os salmos 120-122 é uma introdução desta coleção. A peregrinação começa no 120 e termina no 122 com “seus pés” nas portas de Jerusalém. Esta composição apresenta segundo Milton Schwantes, três temas:

1) Sl 120:o tema do Êxodo, a opressão dos homens de Meseque e a confiança em Deus que escuta a oração de seu povo que está em perigo; 2) Sl 121: o tema é da confiança em Deus, conforme o Sl 120, que no caso o salmista está em viajem para Jerusalém e pela noite o Senhor o abriga, livrando-o de qualquer ameaça;

3) Sl 122:a chegada segura em Jerusalém. Esta introdução da coleção ma´alot está baseada no tema da confiança em Javé e que une estas três poesias.

2. Os Salmos 123-126
A segunda parte da coleção dos cânticos de subida apresenta os salmos 123-126 que opostamente do 120-122 que fazem uma oração individual, esta agora é uma súplica coletiva, que segundo Milton Schwantes ressalta é as dores que o salmista carrega em si para compartilhar com os demais em Jerusalém. Para Tércio M. Siqueira, não muito diferente do que o Schwantes destaca, é o tema do lamento que é uma expressão significativa neste bloco.

O que caracteriza este grupo é a súplica lamentosa presente em cada um destes salmos: Tem misericórdia, Javé, tem misericórdia (Sl 123,3); Faze o bem, Javé, para os bons... (Sl 125,4);Retorna, Javé, os nossos cativos (Sl 126,4). Embora fugindo ao padrão literário destas três composições (Imperativo + nome de Javé + repetição do tema), o salmo 124,6 faz basicamente o mesmo processo.

Mesmo sob o tom de lamento presente nestes textos, o tema da confiança em Deus continua presente nestes salmos, pois apesar da súplica de descontentamento contra os malfeitores, o salmista expressa sua esperança em Javé.

3. Os Salmos 127-129
Este conjunto de textos apresenta a mesma configuração anterior, o tema da confiança, porém de forma ou gênero diferente. Assim é o caso dos salmos 127-128 com a confiança em Javé pautada no gênero sapiencial. O salmo 129, em tonalidade mais coletiva, fecha este conjunto e apresenta a confiança em Javé frente aos seus opositores. Este conjunto começa relatando sobre os malfeitores (Sl 127) e conclui relatando sobre estes malfeitores (Sl 129), mas com uma afirmação de confiança em Deus. “Outra evidência da unidade, entre os salmos 127-129 é a declaração de fé, nos salmos 128 e 129: os que confiam em Javé receberão as Suas bênçãos.

4. Os Salmos 130-131
Os salmos 130-131 fazem parte de um mesmo conjunto apresentando também uma mesma temática dos conjuntos anteriores, ou seja, o tema da confiança em Javé (Sl 130,7 e 131,3). O salmo 130 é uma afirmação de fé baseado na confiança na libertação de Javé e o Salmo 131 é uma oração de confiança.

5. Os Salmos 132-134
Este conjunto de salmos (Sl 132-134) é a conclusão dos ma´alot, onde o destaque maior está no verbo barak, abençoar e no louvor do povo ao receber as bênçãos de Deus. Para Schwantes, esta conclusão é a despedida dos peregrinos que estão em Jerusalém e são abençoados pelo sacerdote: “é como óleo fino sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão”.

Portanto, nesta coleção dos shir hama´alot temos o tema da confiança como um fator central e que tem por periférico os conflitos vivenciados no cotidiano do povo. Assim, os devotos de Javé seguem em peregrinação em direção a Jerusalém tendo por foco a confiança de que Javé irá abençoá-los. Destaque para a introdução que evoca o sentido da confiança e para a conclusão que evoca o sentido do louvor, onde entrelaçados dão sentido a uma coleção que está voltada para questões do culto.

Quando foi escrita esta coleção
Neste momento será analisada a época em que se inserem os Salmos de Subidas. Conforme visto anteriormente, se torna uma tarefa complexa saber com exatidão o período em que estas poesias foram formadas. No entanto, o que se pode perceber são algumas pistas que podem levar a uma datação periódica dos textos.

Diante de tais questões, destaca-se o pensamento de Carlos Mesters que diz que os Salmos de Subidas são originados da vida do povo de Deus. Com isso, eles são de tempos diferentes, podendo até se contextualizar com o nosso tempo. Contudo, diante de variadas referências da época pós-exílica encontrada nestes salmos faz-se supor que este bloco de poesias faz parte desta tal época.

Para Milton Schwantes, os salmos de subidas “sem sombra de dúvidas” estão relacionados ao período pós-exílio, excepcionalmente por volta do ano 350-300 a. C., no contexto dos persas e gregos. Também, outros pesquisadores compartilham da mesma hipótese devido à literatura dos Salmos terem algum tipo de semelhança com os textos de Crônicas, Esdras, Neemias e Rute. Segundo Tércio M. Siqueira, outra questão relevante que leva a pensar no período pós-exílico é o tema da confiança tão presente nos shir hama´alot, canções das subidas.

Outro fator histórico que contribui para datar esta coleção é o tema da confiança, fortemente presente no conteúdo desses salmos. Como um livro destinado a estimular o povo a confiar em Javé, é possível pensar, com forte possibilidade, que estes salmos foram compostos e editados com a finalidade de fortalecer na fé uma comunidade sem consolo e destruída pela desestruturação, primeiramente, empreendida pelos babilônios e, mais tarde, os persas e os gregos.
http://www.abiblia.org/ver.php?id=6708

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ALGUNS VERSÍCULOS QUE FALAM SOBRE OS ESCOLHIDOS POR DEUS ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO.


"Ao ouvirem essa declaração, os gentios se alegraram sobremaneira e glorificavam a Palavra do Senhor. E todos quantos haviam sido escolhidos para a vida eterna creram de coração." Atos 13.48.

"Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." Atos 2:47

"Estamos certos de que Deus age em todas as coisas com o fim de beneficiar todos os que o amam, dos que foram chamados conforme seu plano." Romanos 8:28

" Porquanto, Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença."Efésios 1:4

"E, em Seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo, segundo a benevolência da Sua vontade" Efésios 1:5 

"NEle, fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquEle que cria absolutamente tudo de acordo com o propósito da Sua própria vontade" Efésios 1:11

segunda-feira, 16 de maio de 2016

ARTIGOS DO PR. HERNANDES DIAS LOPES SOBRE A FAMÍLIA.




A ESPOSA DEVE SER SUBMISSA AO MARIDO COMO CONVÉM NO SENHOR
A mulher não difere do homem em valor e dignidade. Porém, no casamento a mulher tem papel diferente do homem. Ela deve ser submissa ao seu marido. Submissão não é ser inferior, mas exercer uma missão sob a missão de outrem. Deus colocou o marido como cabeça da mulher. Cabe à mulher sujeitar-se ao seu marido com alegria, entendendo que este o princípio da sua liberdade e felicidade. A Bíblia diz que a mulher deve ser submissa ao marido como a igreja o é a Cristo. A glória da igreja é ser submissa a Cristo. Quanto mais submissa a igreja é a Cristo mais livre ela é. A submissão da esposa ao marido é como convém no Senhor, ou seja, ela se submete ao marido porque é serva de Cristo, porque obedece a Cristo e vive para a glorificar a Cristo. O papel da mulher não é competir com o marido nem dominá-lo. O projeto de Deus para ela é que ela se submeta a ele com espontaneidade e alegria.
Hernandes Dias Lopes

O MARIDO DEVE AMAR A ESPOSA E NÃO TRATÁ-LA COM AMARGURA

Se a mulher é desafiada a imitar a igreja quanto à submissão, ao marido é ordenado imitar a Cristo quanto ao amor. Nenhuma mulher terá dificuldade de submeter-se a um marido que a ama como Cristo amou a igreja. O amor do marido pela esposa deve ser perseverante, sacrificial, santificador e romântico. Ele deve cuidar da esposa e suprir suas necessidades físicas e emocionais. Cristo como o cabeça da igreja não a dominou com rigor despótico, mas a serviu e morreu por ela. O papel do marido é amar a sua esposa e quem ama declara que ama, tem tempo para a pessoa amada e procura agradá-la. O apóstolo Paulo alertou o marido também para o perigo de tratar a esposa com amargura. O marido deve ser sensível, carinhoso, atencioso e meigo com a esposa, tratando com dignidade e respeito. Ele deve elogiá-la, valorizá-la e demonstrar de forma prática o seu amor por ela.
Hernandes Dias Lopes




OS FILHOS DEVEM OBEDECER AOS SEUS PAIS EM TUDO PORQUE ISTO É GRATO DIANTE DO SENHOR


Filhos bem-aventurados na vida são filhos obedientes aos pais. Este é um preceito bíblico. Os filhos precisam obedecer aos pais porque isto é justo, porque isto é uma ordenança divina e também porque a obediência é abençoadora. Filhos obedientes recebem a promessa de uma vida bem sucedida e longeva. Os filhos devem obedecer aos pais porque a autoridade deles foi conferida pelo próprio Deus. Resistir a autoridade dos pais é insurgir-se contra a própria autoridade de Deus. Os filhos devem obedecer a seus pais em tudo. Eles devem respeitar os pais e ouvir seus conselhos nas diversas áreas da vida. Os filhos devem cuidar dos pais e ser um refrigério para eles. Isso é grato diante do Senhor.
Hernandes Dias Lopes

OS PAIS NÃO PODEM IRRITAR OS FILHOS NEM DESANIMÁ-LOS


Os pais irritam os filhos quando ensinam com palavras, mas não com exemplo; quando falam uma coisa e fazem outra; quando exigem dos filhos um comportamento exemplar, mas vivem de forma repreensível. Os pais irritam os filhos quando os tratam com rigor, com dureza, com palavras ásperas e apenas cobram, sem jamais encorajar e consolar. Os pais irritam os filhos quando não têm tempo para eles, quando priorizam os amigos e o trabalho em vez da família. O papel dos pais é criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor, servindo-lhes de exemplo. A função dos pais é andar e ensinar os filhos a Palavra de Deus, inculcando neles os preceitos do Senhor. Deixar de ouvir, de encorajar e de acompanhar os filhos, não apenas os irritam, mas também os deixam desanimados. É tempo de investirmos na família, nos relacionamentos, a fim de que nossos lares sejam o lugar mais gostoso de se viver na terra.
Hernandes Dias Lopes







domingo, 8 de maio de 2016

DE MÃE ADOLESCENTE AO NEGÓCIO DE R$ 3 MILHÕES


De mãe adolescente ao negócio de R$ 3 milhões

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De mãe adolescente ao negócio de R$ 3 milhões


Divulgação

Muitas histórias de sucesso nascem a partir de um momento adverso. E foi assim que Karina Prado se encontrou no empreendedorismo. Mãe aos 18 anos, ela precisou abrir mão dos estudos e se viu sem rumo pouco tempo depois. Refletindo sobre um gosto de infância decidiu abrir um salão de beleza, fez cursos e se especializou na área. Neste meio tempo, o marido Neuton Andrei Bezerra, que tinha uma padaria, viu seu negócio ruir. Foi então que ela lhe deu uma ideia: entrar para o mercado cosméticos profissional, exclusivo para salão. “Ele pegou uma marca para representar, abriu um mercado, teve êxito. Após alguns anos, sentimos que podíamos ir além, projetamos uma marca de cosméticos, e, com muito custo, abri mão do meu salão, e entrei de cabeça nessa nova empreitada, com frio na barriga, mas com um ideal”, lembra Karina.

Assim nasceu a Korban Professional, que hoje está em quase todo Brasil, e alguns lugares do mundo, como Egito, Síria, Uruguai, Paraguay, Chile e Inglaterra. E seu filho? Hoje João Vitor tem 19 anos, cursa Engenharia de Matérias e tem planos de expandir a Korban. Ele também ganhou um irmão, Lucas, que tem 10 anos. “Posso afirmar que não nasci empreendedora, mas com as dificuldades da vida me tornei, sou apaixonada por esse mundo”, acrescenta. Confira a entrevista de A Magia do Mundo dos Negócios com Karina Prado, da Korban Professional:


O que a maternidade mudou em seu futuro?
A maternidade me trouxe força para encarar desafios, e lutar por meus ideais.

Como conciliou o empreendedorismo com as múltiplas tarefas de uma mulher?
Planejamento e qualidade de tempo são as palavras chaves, para conciliar as tarefas entre uma empresa e um lar, no início não é fácil, mas por conta dos sentimentos de mulher de querer estar sempre presente. Com o passar do tempo aprendi a delegar funções e viver intensamente a qualidade de tempo, cada segundo que tiro para estar com meus filhos, deixo o papel de empresária e faço as atividades que dão crescimento a eles. Mas posso afirmar, quando estou no trabalho não esqueço meu papel de mãe, mesmo ausente sempre acompanho os afazeres de meus filhos, com isso eles não sofrem com minha ausência pelo contrário, fazem questão de saber como está a empresa e me incentivam muito.Korban fornece linha profissional de produtos para salões. (Divulgação)

Onde acredita que estaria agora se a maternidade não tivesse acontecido naquele momento?
Não me vejo sem estar empreendendo, talvez estivesse em outra área, minha escolha pelo ramo de cosméticos foi algo em que busquei aliar trabalho e realização.

Como tomou a decisão de largar o salão de beleza?
Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida, pois gosto muito de trabalhar com o público de salão. Mas precisava arriscar, encarar o desafio, a Korban já havia sido lançada no mercado e necessitava de mim na parte de desenvolvimento e divulgação dos produtos.


Como e quando foi o início desta marca?
Em 2008, após uma viagem surgiu a ideia de uma marca, olhamos vários produtos importados, fomos a uma fábrica de cosméticos em Israel, e concluímos que o profissional cabeleireiro merecia um produto com alta tecnologia com um preço na realidade do Brasil, com esse ideal surgiu a Korban Professional. O nome Korban é de origem hebraica e quer dizer “Presente ao que é divino”.Karina e o marido pretendem abrir uma academia de especialização em beleza. (Divulgação)

O que precisou aprender para se tornar uma empreendedora?
Um dos pontos para esse aprendizado foi querer aprender, estar disposta, vim de uma família aonde meus pais eram funcionários públicos, com isso não me imaginava viver sem segurança de um salário fixo, isso me dava até um pavor. Já meu marido foi criado em uma família de empreendedores, esse mundo me encantou e vi que qualquer pessoa pode empreender, observei, tive muitos conselhos, busquei informações e fui à pratica.

Teve dificuldades no caminho? Como as superou?
Sim, várias, mas acredito que o conceito chave para a superação é a resiliência, ou seja, ao passar por uma dificuldade, não desistir, mas continuar em busca do objetivo sem perder o foco.

Como ela se tornou conhecida e presente em tantos lugares? Qual é seu diferencial?
Desde a criação estabelecemos alguns pilares que nos impulsionaram e consolidou nossa empresa, dentre eles:
Planejamento, Divulgação, Inovação e Qualidade.

O maior diferencial da Korban é a qualidade dos produtos que são produzidos com alta tecnologia e inovação com conceito de uma marca jovem e vibrante, a Korban traz para os salões produtos atuais que agregam valor ao serviço prestado pelo profissional cabelereiro, com isto além de clientes os profissionais se tornam fãs da marca.

A Korban esta presente em todo território nacional e também nos países: Paraguai, Uruguai, Chile, Inglaterra, Egito, Líbia e o mais recente, Suíça.

Fechamos o ano de 2015 com um faturamento na casa de R$ 3, 6 milhões e projetamos um aumento de 17% para 2016.Karina e Neuton, com os filhos João Vitor e Lucas. (Arquivo Pessoal)

Quais são os planos para o futuro?
Como minha história começou com um salão de beleza, agora vamos investir no projeto de uma academia de especialização aos profissionais cabeleireiros, no ano de 2015 já foram realizados mais de 58 eventos em todo Brasil, Paraguai e Uruguai. Agora vamos ter além dos cursos itinerantes, um local fixo na região de Campinas, aonde teremos cursos aos profissionais do Brasil e todos os países que a Korban está presente.

Qual sua mensagem para as empreendedoras que estão iniciando carreira?
Acredite! Olhe ao seu redor, veja as oportunidades, dentro de cada mulher há uma oportunidade de sonhar, alimente esses sonhos, se capacite. E acima de tudo ame sua família.

Fones para contato: Karina - 55-11-99903-4950/ 55-11-99913-4085
http://www.amagiadomundodosnegocios.com/de-mae-adolescente-ao-negocio-de-r-3-milhoes/