quinta-feira, 15 de junho de 2017

Quem Marcha Hoje por Jesus deveria Marchar no Domingo na Parada do Orgulho LGBT Contra o Preconceito

Quem Marcha Hoje por Jesus deveria Marchar no Domingo na Parada do Orgulho LGBT Contra o Preconceito
(Pastor Fábio Bezerril Cardoso)

Sou Pastor de uma pequena comunidade no bairro da Penha na Zona Leste de São Paulo, mas antes de ser pastor fui missionário, nas ruas da capital, e nunca encarei o “evangelismo” de rua como um modo de cristianização. Ao contrário, sabia que naquele momento levava algo importante comigo, a mensagem do Reino, e a presença do Filho de Deus através da minha vida. Sempre me preocupei com isso, e na minha mente martela até os dias de hoje uma pergunta, o que Jesus faria nessa situação?


No Rolê que fazíamos na madrugada, sempre passávamos em pontos de prostituição, esquinas, puteiros, porta de motéis, dentre outros locais, mas nada era mais divertido e abençoador do que o local onde a Sheila e suas colegas faziam ponto. Você deve estar se perguntando quem é a Sheila? Ela é uma transexual, que nos acolhia na esquina onde ela trabalhava, sempre com um sorriso no rosto e a voz forte gritava: olha os bofes de Jesus chegando, coloquem a roupa meninas!!!! 

Um dia conversando com a Sheila, ela me disse que o que mais a deixava triste era quando os crentes do cabelão passavam e as chamavam de filhas do Satã, pois ela refletia sobre a sua vida e que as coisas não eram fáceis, “a família já tinha rejeitado a opção dela, a sociedade não lhe dava emprego e era cruel com ela, a única pessoa que poderia aceita-la como ela é por conhece-la por dentro, que era Deus, o seu fã-clube dizia que Ele a odiava”. Coisa dura de se escutar, pois a cada madrugada, pensava como Jesus se comportaria no meio daquelas meninas, certamente sairiam muitas risadas, choros e acolhimento, disso eu não tenho dúvida. Na verdade, a Sheila me evangelizou, me ensinou a ter o olhar de Jesus para com o outro, a isso sou grato a ela e às outras meninas.

Desde que me converti fui na marcha para Jesus no máximo três vezes, mas sempre voltava de lá vazio, e com muitas dúvidas para lidar. Os organizadores dizem que o evento serve para mostrar como “Cristo é grande”, mas sempre tive o olhar de que a marcha serve para apenas engrandecer o ego das lideranças evangélicas, pois é um festival que não faz muito sentido mediante a proposta.

Na verdade, após ser evangelizado pela Sheila e refletindo sobre isso, vou marchar em outra data para Jesus, no dia da Parada Do Orgulho LGBT. Isso mesmo! Pois sigo o conselho do Cristo:

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. (Mateus 5:13-16)
Vou lá para ser sal e luz, abraçarei o maior número de pessoas possíveis e direi que Jesus ama todas elas, além de pedir perdão pela cruzada que alguns líderes vêm desferindo contra a causa, e que podem contar comigo. E quem sabe eu encontro a Sheila por lá, certamente lhe darei um abraço apertado de gratidão por ter me ensinado a lidar principalmente com os meus preconceitos. 

Quem marcha hoje “por Jesus”, deveria de fato marchar por ele no Domingo, pois hoje muitos casos de agressão e algumas seguidas de mortes contra grupos LGBT’s tem crescido no Brasil e a igreja deveria se posicionar contra isso, e não alimentando esta ação com o discurso do preconceito e intolerância, pois somos todos filhos de Deus, e o Eterno nos ama sem diferenças. Não tenho dúvida de que se Jesus voltasse hoje, nem adiantaria procura-lo na “festa feita para Ele”, mas se você desse um rolê no Domingo na Paulista certamente o encontraria por lá... 

Fica a Dica...

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